quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Estudo de químicos de Harvard ajuda a explicar a origem da vida

Link para matéria completa: https://exame.com/ciencia/estudo-de-quimicos-de-harvard-ajuda-a-explicar-a-origem-da-vida/

Resumo: Ainda falta muito para a ciência entender, de fato, como se originou a vida no planeta Terra. Em se tratando de algo tão importante, cada passo dado em direção a uma descoberta concreta é relevante. No último mês de outubro, químicos da Universidade de Harvard publicaram um artigo em que dizem estar mais próximos de saber de onde viemos.

No campo científico, várias teorias já foram elaboradas para explicar como a vida surgiu. A mais popular é conhecida como hipótese do Mundo de RNA, que afirma que, em um certo momento, os elementos químicos se combinaram para formar filamentos de RNA, que se replicaram e foram se tornando mais complexos até formarem a primeira membrana celular.

A ambição dos químicos que estudam a área é conseguir replicar as quatro bases nitrogenadas que compõem o RNA - adenina, guanina, citosina e uracila - em condições semelhante às do planeta há quatro bilhões de anos. Segundo os pesquisadores de Harvard, um progresso considerável já foi feito com a síntese de citosina e uracila, como informa o site de divulgação científica IFLScience.

Porém, adenina e guanina apresentam uma complexidade maior para serem produzidas, o que cria uma lacuna na teoria adotada até agora. Para explicar o surgimento do RNA, os cientistas partiram para a hipótese de que as formas originais de RNA não eram compostas pelas quatro bases, tendo começado com algo mais simples.

Estudo sugere participação de uma molécula mais simples

As moléculas usadas no estudo pertencem a uma classe chamada 8-oxo-purinas, semelhantes às encontradas no RNA, mas mais fáceis de serem produzidas. Assim, uma molécula chamada inosina serviu como substituta da guanosina (um composto de guanina), comportando-se bem quanto à capacidade de replicar o RNA com a precisão necessária.

Os pesquisadores informam no estudo que ainda não conseguiram produzir a inosina de maneira não-biológica, o que poderia nos tornar ainda mais próximos de uma versão definitiva para a origem da vida. Mesmo assim, os resultados são animadores para a comunidade científica. O próximo passo é investigar a formação da adenina, tida como um meio possível de origem da inosina.

segunda-feira, 2 de julho de 2018

No Brasil, áreas com mais picadas de cobra têm acesso difícil a soro


Trecho: O antídoto para veneno de cobras produzido no Brasil, distribuído por órgãos do Ministério da Saúde, é líquido e precisa ser preservado em baixas temperaturas. Em todas as áreas onde não há energia elétrica para manter um refrigerador, o soro antiofídico não está disponível. 
E esse é o caso da maioria das comunidades amazônicas, onde ocorrem 35% de todos os chamados acidentes ofídicos, as picadas de cobra. Outros países da região, como Colômbia, México e Costa Rica, produzem soro em pó, que o Brasil não importa. 
O problema não acomete só índios e nem é exclusividade brasileira. No ano passado, a Organização Mundial de Saúde declarou as picadas de cobra doença tropical negligenciada, definição para problemas sanitários que poderiam ser resolvidos, mas que não recebem a atenção devida.
A resolução da OMS, ratificada pela Assembleia Mundial de Saúde no último dia 24 de maio, em Genebra (Suíça), teve apoio do governo brasileiro que, no entanto, é acusado internamente de negligenciar o tratamento do problema. 
As estatísticas oficiais apontam que, a cada ano, 30 mil brasileiros são vítimas de picadas de cobra, 10,5 mil na Amazônia. Das vítimas, cerca de 2 mil têm reações graves e 300 morrem. A pequena proporção de óbitos esconde um elevado número de amputações e paralisias provocadas pelo envenenamento, frequentemente pela dificuldade para administrar o soro. 
No mundo, são 2,5 milhões de casos anuais de envenenamentos por mordidas de serpentes, que causam 125 mil mortes e deixam outras 400 mil pessoas com sequelas físicas ou psicológicas, informou à Folha o pesquisador José María Gutierrez, representante da Costa Rica que foi um dos principais responsáveis pelos documentos que levaram à resolução da OMS. (...)
O soro antiofídico disponibilizado no Brasil pelo Programa Nacional de Imunização (PNI) do Ministério da Saúde é comprado de três laboratórios públicos, sendo o maior deles o paulista Butantan, responsável por metade da produção nacional. O Instituto Vital Brazil (Niterói, RI) e a Fundação Ezequiel Dias (Belo Horizonte, MG) são responsáveis pelos outros 50%. 


sexta-feira, 20 de abril de 2018

A enzima comedora de plástico que pode revolucionar processo de reciclagem

Link para texto completo: www.bbc.com/portuguese/geral-43804460

Trecho: Cientistas britânicos aperfeiçoaram uma enzima natural que pode digerir alguns dos plásticos mais poluentes do mundo. O tipo PET, mais comum em garrafas plásticas, leva centenas de anos para se decompor no meio ambiente. A enzima modificada, conhecida como PETase, pode começar a desintegrar o mesmo material em apenas alguns dias. 
Isso poderia revolucionar o processo de reciclagem, permitindo que os plásticos sejam reutilizados de forma mais eficaz. O Reino Unido usa cerca de 13 bilhões de garrafas plásticas por ano, das quais três bilhões não são recicladas.
Originalmente descoberta no Japão, a enzima é produzida por uma bactéria que "come" o PET. A Ideonella sakaiensis usa o plástico como sua principal fonte de energia.Pesquisadores relataram em 2016 que encontraram a cepa vivendo em sedimentos em um local de reciclagem de garrafas na cidade portuária de Sakai, no sul do Japão.
“O PET passou a existir em grandes quantidades nos últimos 50 anos, então não se trata de uma escala de tempo muito longa para uma bactéria evoluir para comer algo criado pelo homem”, diz o professor John McGeehan, da Universidade de Portsmouth, no Reino Unido, que participou do estudo.
Poliésteres, o grupo de plásticos a que o PET (também chamado polietileno tereftalato) pertence, existem na natureza. "Eles protegem as folhas das plantas", explica McGeehan. "As bactérias estão evoluindo há milhões de anos para comê-los".

sábado, 14 de abril de 2018

Pesquisadores da UFMG descobrem o maior vírus do mundo

Link para notícia completa: www.g1.globo.com/mg/minas-gerais/noticia/pesquisadores-da-ufmg-descobrem-o-maior-virus-do-mundo.ghtml

Trecho da notícia e comentários em vermelho: O maior vírus do mundo foi descoberto por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Chamado de tupanvirus, ele não faz mal a seres humanos e pode, no futuro, ajudar a diagnosticar várias doenças.
Amostras de sedimentos da Bacia de Campos, no Rio de Janeiro e de lagoas salinas no Pantanal, em Mato Grosso do Sul, foram analisadas em laboratório. “A gente nunca imaginava que pudesse ser tão diferente, que pudesse ser tão grandioso o vírus que a gente conseguiu isolar. Então, assim, foi sensacional ver pela primeira vez aquele vírus todo diferente, com uma cauda, que nunca tinha sido descrito, daquele tamanho”, disse a pesquisadora Thalita Arantes.
Os supervírus são os maiores já encontrados no planeta. São dois muito semelhantes e que parecem microfones peludos. A descoberta foi publicada na revista científica britânica Nature Communications. “Quando nós fizemos o sequenciamento completo, nós percebemos que, além da estrutura, que já era fantástica, o genoma era fantástico. Codificava genes (proteínas, né?) nunca vistos antes no planeta. E cerca de 30% dos genes eram completamente novos”, disse o professor Jônatas Abrahão, professor pesquisador da UFMG.
Segundo os pesquisadores, os novos vírus chegam a ser 50 vezes maiores que os comuns. Os da dengue, zika e febre amarela são pequenininhos como uma cabeça de alfinete (Péssima frase. Os vírus são muito muito muito menores que uma cabeça de alfinete. Só são visíveis ao Microscópio Eletrônico.). Depois de três anos de estudo, a equipe descobriu que esses gigantes têm carga genética complexa, o que é de grande interesse científico (Carga genética é um termo incorreto. O correto seria dizer informação ou conteúdo genético. Carga genética se refere ao conjunto de genes "ruins" ou deletérios presentes em um organismo.).
Os supervírus são capazes de produzir proteínas, elementos biológicos bastante usados na identificação de doenças. (Ops... capazes de produzir proteínas durante o ato de parasitismo, né? Usando a maquinaria de síntese da célula hospedeira. Se produz proteína sozinho, então não seria um vírus.) Esse é o próximo passo da pesquisa do tupan.
“A produção de proteínas é importante pra uma série de testes de diagnóstico pra doenças infecciosas. Então, alguns testes por exemplo pra detecção de anticorpos em pacientes que já tiveram dengue, já tiveram zika ou até mesmo febre amarela muitos são baseados na presença de proteínas”, explicou o professor Jônatas Abrahão.
Os pesquisadores alertam que ninguém precisa ter medo do vírus gigante. Já está comprovado que ele não infecta seres humanos, e é uma grande conquista para a ciência.



TEXTO DO LINK ACIMA (Texto bom para uma prova da Faculdade de Ciências Médicas, por exemplo.)

These Viruses Found in Brazil Are So Huge They're Challenging What We Think a 'Virus' Is
This could change everything.

main article image

Scientists have discovered two new kinds of virus in Brazil that display such size and genetic complexity we may need to rethink exactly what viruses are, scientists say.
The two new strains – dubbed Tupanvirus, after the Brazilian thunder god Tupã in Guaraní mythology – are as prodigious as their namesake, and while they're not a threat to humans, their existence further challenges the scientific boundaries that define what a virus is.
Tupanvirus soda lake and Tupanvirus deep ocean, both named in relation to the extreme aquatic habitats in which they were discovered, aren't just among the largest viruses ever found – they also contain the most protein-making machinery of any virus discovered to date.
The strains, whose optically visible tailed forms can reach lengths of up to 2.3 micrometres, comprise some 1.5 million base pairs of DNA, with enough protein-coding genes to produce up to 1,425 kinds of proteins.
In terms of protein synthesis, this gives them the "largest translational apparatus within the known virosphere", explains a research team led by virologist Bernard La Scola from Aix-Marseille University in France.
This apparatus puts Tupanvirus in the virus family of Mimiviridae, named after Mimivirus, which was identified in 2003 - at the time it was the virus with the largest capsid diameter ever discovered, among other notable attributes.
Before Mimivirus, viruses were largely considered wholly separate from 'living' creatures, with their inability to synthesise proteins (and thus produce their own energy) being one of the reasons scientists excluded them from being classified among cellular life.
But Mimivirus's genetic complexity – and that of other giant viruses that have subsequently been discovered – challenges this theoretical boundary, because they carry genes capable of things like DNA repair, DNA replication, transcription, and translation.
"With the discovery of superviruses, we have seen that these genes may be present in viral genomes," one of the team behind the Tupanvirus study, Jônatas Abrahão, told Brazilian newspaper Estadão in Portuguese.
"This characteristic changes the notion we have of the distinction between viruses and organisms formed by cells."
And the more we learn about giant viruses, the more we learn what they're capable of.
The Tupanvirus strains don't just hold a (nearly) complete set of genes necessary for protein production – about 30 percent of their genome is unknown to science, being as yet undiscovered within the domains of archea, bacteria, and eukarya.
Obviously, there's still a lot to learn about Tupanvirus and giant viruses in general, but the good news is, this new entity – whatever it exactly should be classified as – is no threat to humans, only amoebae.
But if you're an amoeba, we have bad news.
"Like other giant viruses that have been discovered in the past, Tupanvirus infects amoebae," Abrahão says.
"The difference is that it is much more generalist: unlike the others, it is capable of infecting different types of amoebae."
The findings are reported in Nature Communications.

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Mais de 300 pessoas morreram por febre amarela, diz Ministério da Saúde

Link para matéria completa: http://saude.ig.com.br/2018-04-13/febre-amarela-mortes-brasil.html

Trecho da matéria: 

Último relatório informado pela pasta aponta que desde julho de 2017 foram confirmados 1.127 casos da doença e 331 mortes; vacina é maneira mais eficaz de proteger população contra a doença, ressalta Ministério da Saúde.

Cobertura da vacina contra febre amarela está abaixo do esperado, 
que é de 95%, na Bahia, São Paulo e Rio de Janeiro.

Desde o dia 1º de julho de 2017 até 10 de abril de 2018, o Ministério da Saúde contabilizou 331 mortes por febre amarela. Até o momento, foram 1.127 casos da doença confirmados, com 1.119 casos ainda sendo investigados.
Em comparação com o mesmo período do ano passado, foram 712 casos da doença e 228 óbitos registrados por conta da febre amarela . O que significa um aumento de 58% na incidência da infecção.
Em resposta a essa alta, o Ministério ressalta que “o vírus hoje circula em regiões metropolitanas do país com maior contingente populacional, atingindo 35,6 milhões de pessoas que moram, inclusive, em áreas que nunca tiveram recomendação de vacina . Na sazonalidade passada, por exemplo, o surto atingiu uma população de 11,2 milhões de pessoas”.
Para proteger a população, a pasta reforça que a única maneira de garantir a segurança de todos é por meio da vacina. Postos de vacinação estão à disposição para garantir a imunização nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia.
Entre os estados com maior número de casos, Minas Gerais segue em primeiro lugar, com 480 confirmações da condição. Logo depois vem São Paulo, com 453 casos e, em seguida, Rio de Janeiro com 187 casos.

Campanha de vacinação
Segundo o boletim epidemiológico publicado nesta quarta-feira (11), que traz as informações enviadas pelos gestores locais, os três estados ainda estão com a cobertura bem abaixo da meta, que é 95%.
A cobertura da campanha em curso no Rio de Janeiro está com 40,9%, a Bahia está com 55% e São Paulo com 52,4% da população-alvo vacinada. A vacina está disponível nos postos de saúde. O período de alta da doença segue até maio. Ao todo, a campanha nesses estados busca imunizar 23,8 milhões de pessoas.
As informações competem às 77 cidades que fizeram parte da campanha com estratégia de fracionamento e a ampliação para mais 52 municípios de São Paulo. Esses municípios devem continuar vacinando a população com a dose fracionada, que garante a mesma proteção da dose padrão, e ampliar a cobertura vacinal para prevenir novos casos da febre amarela no país, conforme informou o governo.
A expectativa é que, até 2019, todo o território brasileiro seja considerado área de recomendação para vacinação. A ampliação foi anunciada pelo Ministério da Saúde em março deste ano e deverá acontecer gradualmente até abril do ano que vem.
A medida é preventiva e tem como objetivo antecipar a proteção contra a  febre amarela  para toda população, em caso de um aumento na área de circulação do vírus. Atualmente, alguns estados do Nordeste e parte do Sul e Sudeste não fazem parte das áreas de recomendação de vacina.

quinta-feira, 29 de março de 2018

Interstício, o 'novo órgão' do corpo humano que a ciência acaba de descobrir

Link para matéria completa: www.g1.globo.com/bemestar/noticia/intersticio-o-novo-orgao-do-corpo-humano-que-a-ciencia-acaba-de-descobrir.ghtml

Trecho da matéria: Ele sempre esteve ali, mas foi apenas por meio de uma tecnologia mais avançada que os cientistas finalmente puderam identificá-lo: um espaço repleto de cavidades preenchidas por líquido, presente entre os tecidos do nosso corpo – por isso, chamado de intersticial (entre tecidos). Um grupo de especialistas o classifica como um novo órgão do corpo humano, "uma nova expansão e especificação do conceito de interstício humano".
Paradoxalmente, apesar de ter sido descoberto apenas agora, o interstício pode ser nada menos do que um dos maiores órgãos do corpo humano, assim como a pele. Os cientistas afirmam que essa rede de cavidades de colágeno e elastina, cheia de líquido, reuniria mais de um quinto de todo o fluído do organismo.
A descoberta foi feita por uma equipe de patologistas da Escola de Medicina da Universidade de Nova York (NYU), Estados Unidos. Os resultados foram publicados na revista "Scientific Reports".
Antes, se acreditava que essas camadas intersticiais do corpo humano fossem formadas por um tecido conjuntivo denso e sólido. Mas, na realidade, elas estão interconectadas entre si, através de compartimentos cheios de líquidos.
Estes tecidos ficam localizados debaixo da pele, recobrem o tubo digestivo, os pulmões e o sistema urinário, rodeiam as artérias, veias e fáscia (estrutura fibrosa onde se fixam músculos). Ou seja, são uma estrutura que se estende por todo o corpo.
Os pesquisadores acreditam que esta estrutura anatômica pode ser importante para explicar a metástase do câncer, o edema, a fibrose e o funcionamento mecânico de tecidos e órgãos do corpo humano.

As partes em azul escuro são feixes de colágeno fibrilar. Na imagem à direita, as fibras de elastina são as manchas pretas; as estruturas de colágeno estão em rosa (Foto:  Jill Gregory/Mount Sinai Health System)
A camada de cima é a mucosa; as partes rosas são as estruturas de colágeno que criam as cavidades cheias de fluído (representado pela cor lilás) (Foto: Jill Gregory/Mount Sinai Health System)

Como não havia sido descoberto até agora?
Essas estruturas não são visíveis com nenhum dos métodos padrões de visualização da anatomia humana. Agora, os cientistas puderam identificar esse novo "órgão" graças aos avanços tecnológicos da endomicroscopia ao vivo, que mostra em tempo real a histologia e estrutura dos tecidos.
A camada de cima é a mucosa; as partes rosas são as estruturas de colágeno que criam as cavidades cheias de fluído (representado pela cor lilás) (Foto: Jill Gregory/Mount Sinai Health System)
De qualquer forma, a descoberta foi uma surpresa.
A equipe de investigadores fez, em 2015, uma operação com endomicroscopia a laser – uma tecnologia chamada Confocal Laser Endomicroscopy (pCLE) – para examinar o conduto biliar de um paciente com câncer. Depois de uma injeção de uma substância corante chamada fluoresceína, foi possível ver "um padrão reticular com seios (ocos) cheios de fluoresceína, que não tinham nenhuma correlação anatômica".
Em seguida, os cientistas tentaram examinar mais detalhadamente essa estrutura. Para isso, usaram placas microscópicas de biópsia habitual. Porém, as estruturas haviam desaparecido.
Depois de fazer vários testes, Neil Theise, coautor do estudo, se deu conta de que o processo convencional de fixação de amostras de tecidos em placas drenava o fluído presente na estrutura. Normalmente, os cientistas tratam as amostras com produtos químicos, as cortam em uma camada muito fina e aplicam tinta para realçar suas características chave. Porém, esse procedimento faz colapsar a rede de compartimentos, antes cheios de líquidos. É como se os pisos de um edifício desmoronassem.
Por isso, "durante décadas, a estrutura pareceu como algo sólido nas placas de biópsia", disse Theise, que faz parte do departamento de patologia da Universidade de Nova York.
Ao mudar a técnica de fazer a biópsia, sua equipe conseguiu preservar a anatomia da estrutura, "demonstrando que ela forma parte da submucosa e que é um espaço interticial cheio de fluído não observado anteriormente". Assim, foram identificadas "tiras largas e escuras ramificadas, rodeadas de espaços grandes e poligonais cheios de fluoresceína", descreve o estudo.
Os cientistas confirmaram a existência dessa estrutura em outros 12 pacientes operados.

Qual é sua função?
Até agora a ciência não estudou profundamente nem o fluxo nem o volume do fluído intersticial do corpo humano. Por enquanto, a identificação desse "espaço intersticial" levanta várias hipóteses.
Os especialistas acreditam que essa rede de espaços interconectados, forte e elástica, pode atuar como um amortecedor para evitar que os tecidos do corpo se rasguem com o funcionamento diário – que faz com que os órgãos, músculos e vasos sanguíneos se contraiam e se expandam constantemente.
Além disso, acreditam que essa rede de cavidades é como uma pista expressa para os fluídos. Isso poderia embasar a hipótese de que o câncer, ao atingir o espaço intersticial, possa se expandir pelo corpo muito rapidamente. É a chamada metástase.
Por outro lado, os autores do estudo acreditam que as células que formam o interstício mudam com a idade, podendo contribuir com o enrugamento da pele e com o endurecimento das extremidades, assim como a progressão de doenças fibróticas, escleroides e inflamatórias.

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Pela primeira vez, cientistas chineses clonam macacos com mesma técnica da ovelha Dolly

Trechos: Estudo quebra barreira que permitiria clonar humanos, mas cientistas dizem que não têm essa intenção.

Cientistas chineses clonaram macacos usando a mesma técnica que produziu a ovelha Dolly há duas décadas, quebrando uma barreira técnica que pode, futuramente, abrir a porta para clonagem de humanos - embora eles garantam que esta não é sua intenção.

Zhong Zhong e Huahua, dois macacos-cinomolgos idênticos, nasceram oito e seis semanas atrás, virando os dois primeiro primatas - ordem dos mamíferos que inclui macacos, símios e humanos - a serem clonados de uma célula não-embrionária.
A clonagem foi feita através de um processo chamado transferência nuclear de células somáticas (TNCS), que envolve a transferência do núcleo de uma célula, que inclui seu DNA, para um óvulo que teve seu núcleo removido.
Pesquisadores do Instituto de Neurociência da Academia Chinesa de Ciências, em Xangai, disseram que o projeto pode ser uma vantagem para pesquisas médicas ao tornar possível o estudo de doenças em populações de macacos geneticamente uniformes.

Mas isto também gera a viabilidade de clonagem de nossa própria espécie. "Humanos são primatas. Então, para a clonagem de espécies primatas, incluindo humanos, a barreira técnica agora está quebrada", disse Muming Poo, que ajudou a supervisionar o programa no instituto, a repórteres, em teleconferência. "A razão pela qual quebramos esta barreira é para produzir animais modelos que são úteis para a medicina, para a vida humana. Não há intenção de aplicar este método a humanos."

Animais idênticos geneticamente são úteis em pesquisas porque fatores de confusão causados por variabilidade genética em animais não clonados podem complicar experimentos. Eles podem ser usados para testar novos medicamentos para uma série de doenças antes de uso clínico. Os dois macacos recém-nascidos estão sendo alimentados com mamadeiras e estão crescendo normalmente. Os pesquisadores disseram esperar que mais clones de macacos nasçam nos próximos meses.

Desde que Dolly – "garota-propaganda" da clonagem – nasceu na Escócia em 1996, cientistas conseguiram com sucesso usar TNCS para clonar mais de 20 outras espécies, incluindo vacas, porcos, cachorros, coelhos, ratos e camundongos. Experimentos similares em primatas, no entanto, sempre haviam falhado, fazendo com que alguns especialistas imaginassem que primatas eram resistentes.

A nova pesquisa, publicada nesta quarta-feira (24/01/18) no periódico "Cell", mostra que este não é o caso. A equipe chinesa teve sucesso, após muitas tentativas, ao usar moduladores para ligar e desligar certos genes que estavam inibindo desenvolvimento embrionário. Mesmo assim, a taxa de sucesso é extremamente baixa e as técnicas funcionaram somente quando núcleos foram transferidos de células fetais, em vez de adultas, como foi o caso de Dolly. No total, foram necessários 127 óvulos para produzir o nascimento de dois macacos vivos. "Isto continua um procedimento pouco eficiente e arriscado", disse Robin Lovell-Badge, especialista em clonagem do Instituto Francis Crick, em Londres, que não estava envolvido no projeto chinês.

"O projeto nesta publicação não é um trampolim para estabelecer métodos para obter o nascimento de clones humanos vivos. Isto claramente continua uma coisa muito tola de se tentar". A pesquisa destaca o crescente papel importante da China em pesquisas de ponta na biociência, onde cientistas às vezes ultrapassaram barreiras éticas.

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quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Homo sapiens deixou a África antes do que se pensava, indicam fósseis.

Trecho: Pesquisadores identificaram os restos dos primeiros humanos modernos conhecidos que deixaram a África. Os fósseis encontrados em Israel indicam que nossa espécie (Homo sapiens) deixou aquele continente aproximadamente 185 mil anos atrás, cerca de 80 mil anos antes do que se pensava. O estudo foi publicado esta semana na revista "Science".
Segundo a pesquisa, os humanos modernos podem ter interagido com outras espécies de seres humanos extintas há dezenas de milhares de anos. A conclusão do estudo também se encaixa com análises genéticas de vestígios que teriam sido deixados por nossa espécie em sua partida da África.
Os pesquisadores analisaram um fragmento de mandíbula com oito dentes, encontrado na caverna de Misliya, em Israel, em 2002. O maxilar seria de um humano moderno e não de uma de outras espécies de hominídeos existentes na época, segundo um exame de tomografia computadorizada, que construiu um modelo virtual 3D da amostra e a comparou com outras coletadas na África, Ásia e Europa.
Três laboratórios concluíram que as peças vistas pelos pesquisadores datavam de 177 mil a 194 mil anos atrás. Antes disso, a mais antiga evidência de homens modernos fora da África eram dos sítios arqueológicos de Skhul e Qafzeh, também em Israel, e que datavam entre 90 mil e 125 mil anos atrás.

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quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

O fruto amazônico que pode baratear e simplificar o tratamento da leishmaniose

Link para texto completo: www.bbc.com/portuguese/geral-42536385

Trecho: Um fruto amazônico amplamente utilizado como remédio caseiro pelas populações ribeirinhas da região pode ser a chave para ajudar a baratear e simplificar o tratamento da leishmaniose, doença que provoca ulcerações na pele e que atinge cerca de 3 mil pessoas ao ano no Brasil.
Um grupo de pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) testa um creme fitoterápico à base do jucá (Libidibia ferrea) como terapia alternativa às dolorosas injeções do tratamento contra a leishmaniose do tipo tegumentar (LT).
Os testes iniciais com o creme, em roedores, foram animadores. Segundo os pesquisadores, os animais tratados com o preparado à base do jucá tiveram 25% de crescimento de lesões relacionadas à doença, em comparação ao aumento de 300% dos animais que não receberam nenhum tratamento.
O estudo, que começou no Laboratório de Leishmaniose e Doenças de Chagas do Inpa, tem o objetivo de desenvolver um medicamento eficaz, de uso tópico e com uma logística de distribuição simplificada para auxiliar os pacientes que moram em áreas de difícil acesso.
A ideia é que o creme feito com a planta possa ser associado à medicação recomendada pelo Ministério da Saúde e usada há mais de 50 anos, o glucantime, para agir como coadjuvante no tratamento da leishmaniose tegumentar.
O jucá, também conhecido como pau-ferro, é um velho conhecido dos ribeirinhos da região amazônica, muito utilizado por eles em forma de chá como remédio caseiro para diversas enfermidades.
Árvore nativa do Brasil, ele está amplamente presente nas regiões Norte e Nordeste. Tem propriedades antissépticas, antienvelhecimento, antioxidantes e antipigmentação. Também é usado como adstringente, antidiarreico, cicatrizante, sedativo, tônico, anti-inflamatório, expectorante e até mesmo afrodisíaco.

A leishmaniose é uma doença grave que pode ser causada por várias espécies de protozoários do gênero Leishmania e é transmitida ao homem pela picada do inseto flebótomo, popularmente chamado de "birigui", "mosquito-palha" ou "cangalhinha".
Nas áreas urbanas, os cachorros, gatos e ratos são as maiores fontes de infecção. Já nas zonas rurais os agentes transmissores são animais silvestres como raposas, gambás e tamanduás. Ao contrário do Aedes aegypti, que transmite a dengue, chikungunya e zika, não é fácil localizar os criadouros dos mosquitos flebótomos.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 350 milhões de pessoas estejam expostas ao risco da leishmaniose no mundo, com registro aproximado de dois milhões de novos casos das diferentes formas clínicas ao ano no mundo.
Apesar de a infecção estar controlada no Brasil, estima-se que quase 3 mil pessoas são contaminadas todo ano.
Anteriormente restrita às áreas de floresta e zonas rurais, a doença tem avançado nas cidades, em função do desmatamento e da migração das famílias para os centros urbanos. As regiões Norte e Nordeste ainda são áreas de risco com maior número de registros da enfermidade.
Existem dois tipos de leishmaniose: a visceral (LV), conhecida como calazar, e a tegumentar (LT). Ambas são consideradas doenças infecciosas e são transmitidas por diferentes espécies de flebotomíneos (pequenos insetos) infectados pelo protozoário.
A LV é caracterizada, principalmente, por febre de longa duração, aumento do fígado e do baço, além de perda de peso acentuada, e pode levar a óbito em 90% dos casos se não for tratada adequadamente. Já a LT provoca úlceras na pele e mucosas.
Em uma década, o número de casos de LV no Brasil caiu apenas 8,5%, passando de 3.597 em 2005 para 3.289 em 2015. A redução da incidência da LT em dez anos foi mais expressiva, de 27%, de 26.685 para 19.395 casos no mesmo intervalo.
Em 2015, o Nordeste registrou o maior número de casos de LV (1.806), seguido pelas regiões Sudeste (538), Norte (469), Centro-Oeste (157) e Sul (5).
Em relação à LT, o Norte registrou o maior número de casos (8.939); seguido por Nordeste (5.152), Centro-Oeste (2.937), Sudeste (1.762) e Sul (493).
A OMS estima que entre 20 mil e 40 mil pessoas no mundo morrem, por ano, vítimas da doença. No Brasil, foram mais de 2,7 mil mortes entre 2000 e 2011. Os maiores índices de mortalidade foram registrados nos Estados do Pará, Tocantins, Maranhão, Piauí, Ceará, São Paulo, Bahia e Minas Gerais.
Os números melhores, no entanto, ainda não foram suficientes para tirar a leishmaniose da lista de doenças negligenciadas. Apesar do tratamento gratuito, a eliminação ou redução mais significativa de casos no país esbarra em gargalos. O diagnóstico é limitado. Tanto a população quanto os profissionais de saúde têm dificuldade em identificar os sintomas.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

O que é Bitcoin?

Modificado a partir de www.exame.abril.com.br/mercados/entenda-o-que-e-bitcoin/
Por Rita Azevedo


Criada há mais de nove anos, a bitcoin atrai a atenção de investidores e já é aceita como meio de pagamento em alguns países.

A bitcoin é uma moeda, assim como o real ou o dólar, mas bem diferente dos exemplos citados. O primeiro motivo é que não é possível mexer no bolso da calça e encontrar uma delas esquecida. Ela não existe fisicamente, é totalmente virtual.
O outro motivo é que sua emissão não é controlada por um Banco Central. Ela é produzida de forma descentralizada por milhares de computadores, mantidos por pessoas que “emprestam” a capacidade de suas máquinas para criar bitcoins e registrar todas as transações feitas.
No processo de nascimento de uma bitcoin, chamado de “mineração”, os computadores conectados à rede competem entre si na resolução de problemas matemáticos. Quem ganha, recebe um bloco da moeda.
O nível de dificuldade dos desafios é ajustado pela rede, para que a moeda cresça dentro de uma faixa limitada, que é de até 21 milhões de unidades até o ano de 2140.
Esse limite foi estabelecido pelo criador da moeda, um desenvolvedor misterioso chamado Satoshi Nakamoto — que, até hoje, nunca teve a identidade comprovada. 
De tempos em tempos, o valor da recompensa dos “mineiros” também é reduzido. Quando a moeda foi criada, em 2009, qualquer pessoa com o software poderia “minerar”, desde que estivesse disposta a deixar o computador ligado por dias e noites. 
Com o aumento do número de interessados, a tarefa de fabricar bitcoins ficou apenas com quem tinha super máquinas. A disputa aumentou tanto que surgiram até computadores com hardware dedicado à tarefa, como o Avalon ASIC. Além da mineração, é possível possuir bitcoins comprando unidades em casas de câmbio específicas ou aceitando a criptmoeda ao vender coisas.
As moedas virtuais são guardadas em uma espécie de carteira, criada quando o usuário se cadastra no software. Depois do cadastro, a pessoa recebe um código com letras e números, chamado de “endereço”, utilizado nas transações. Quando ela quiser comprar um jogo, por exemplo, deve fornecer ao vendedor o tal endereço. As identidades do comprador e do vendedor são mantidas no anonimato, mas a transação fica registrada no sistema de forma pública. A compra não pode ser desfeita.
Com bitcoins, é possível contratar serviços ou adquirir coisas no mundo todo. O número de empresas que a aceitam ainda é pequeno, mas vários países, como a Rússia se movimentam no sentido de “regular” a moeda. Em abril deste ano, o Japão começou a aceitar bitcoins como meio legal de pagamento. O esperado é que até 300 mil estabelecimentos no Japão aceitem, até o final do ano, este tipo de dinheiro.
Por outro lado, países como a China tentam fechar o cerco das criptomoedas, ordenando o fechamento de várias plataformas de câmbio e proibindo a prática conhecida como ICO (initial coin offerings), uma espécie de abertura de capital na bolsa, mas feita com criptomoedas (entenda melhor).
O valor da bitcoin segue as regras de mercado, ou seja, quanto maior a demanda, maior a cotação. Historicamente, a moeda virtual apresenta alta volatilidade. Em 2014, sofreu uma forte desvalorização, mas retomou sua popularidade nos anos seguintes. Neste ano, o interesse pela bitcoin explodiu. No dia 1° de janeiro, a moeda era negociada a pouco mais de mil dólares. No início de dezembro, já valia mais de 10 mil dólares. 
Os entusiastas da moeda dizem que o movimento de alta deve continuar com o interesse de novos adeptos e a maior aceitação. Críticos afirmam que a moeda vive uma bolha — semelhante à Bolha das Tulipas, do século XVII — que estaria prestes a estourar.

Para ler sobre a Bolha das Tulipas, clique AQUI.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Cientistas revelam o primeiro ancestral humano na África após 20 anos de estudo

Trecho (com algumas correções): Cientistas divulgaram, na última quarta-feira (06/12/17), a descoberta do mais antigo fóssil de ancestral humano já encontrado na África Meridional. Chamado de “Little Foot” – pé pequeno, em tradução livre –, o esqueleto tem quase quatro milhões de anos e foi localizado na África do Sul, no sítio arqueológico Cradle of Humankind (Berço da Humanidade). Todo o processo, desde a descoberta da ossada até a preparação do material, durou 20 anos.
De acordo com nota divulgada pela Universidade de Witwatersrand, o “Little Foot” recebeu este nome pelo professor Phillip Tobias por causa dos pequenos ossos do pé encontrados por Ron Clarke em 1994. O cientista estava analisando um  fóssil  encontrado na gruta de Sterkfontein, que faz parte do Cradle of Humankind, quando supôs que o pequeno esqueleto era do gênero Australophitecus, o menor ancestral humano que já habitou a África.

       Reprodução/CNN - Apelidado de "Little Foot", o fóssil do acentral humano é o mais antigo já encontrado na região da África Meridional

O restante dos ossos do hominídeo só foram localizados em 1997, e todo o processo de escavação, limpeza, reconstrução, moldagem e análise demorou 20 anos. Segundo a CNN, boa parte do trabalho foi realizada dentro da próprio sítio arqueológico, com o auxílio de ferramentas especializadas para não comprometer o material estudado.
“O processo exigiu uma escavação extremamente cuidadosa dentro do ambiente escuro da caverna. Assim que as primeiras partes da superfície dos ossos foram expostas, a breccia ["brecha" = pedra onde o esqueleto foi encontrado] teve que ser cortada com muita cautela e removida em blocos para, depois, ser limpa no laboratório”, explicou Clarke sobre a ossada, que data de 3,67 milhões de anos atrás.
Diferente das primeiras especulações do cientista, o "Little Foot" faz parte de uma segunda espécie, a Australopithecus prometheus, nomeada em 1948 após a descoberta de fósseis fragmentados. 

Descoberta notável: O mais completo esqueleto de Australopithecus já encontrado foi considerado um marco por pesquisadores. "Esta é uma conquista histórica para a comunidade científica e para a genealogia da África do Sul. É através de importantes descobertas como esta que nós obtemos um vislumbre do passado, o que nos ajuda a entender melhor a humanidade", declarou Adam Habib, diretor da Universidade de Witwatersrand, onde o material foi apresentado.
O resultado das duas décadas de pesquisa serão divulgados nos próximos meses em cerca de 25 artigos científicos.
O fóssil foi encontrado no Sítio Arqueológico Cradle of Humankind, cujo sistema de grutas Sterkfontein ficou conhecido na década de 1930 com a descoberta de um Australopithecus africanus adulto. Agora, a revelação de "Little Foot" como o ancestral humano mais antigo da região solidifica a importância do complexo para estudos de evolução .


Comentário: Há hominídeos mais antigos do que os Australopithecus. Enquanto Australopithecus mais antigos estão datados em 4.000.000 de anos, os mais antigos do gênero Ardipithecus estão datados em 5.200.000 anos atrás.

Vitamina D tem novos valores de referência

Trecho: A Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML) informa a mudança do valor de referência da Vitamina D e alerta sobre o quão importante é estar com a suplementação dessa vitamina em dia. “Até pouco tempo, o valor normal, ou seja, suficiente, de vitamina D era acima de 30 ng/mL. Porém, já estão sendo aceitos valores a partir de 20 ng/mL, pois estudos têm mostrado que pacientes que estão entre as dosagens de 20 a 30 ng/mL não necessitam de reposição da vitamina”, afirma Carlos Eduardo dos Santos Ferreira, médico patologista clínico, diretor de Ensino da SBPC/ML.
A deficiência (valores abaixo de 10 ng/mL) ou insuficiência (de 10 ng/mL até 20 a 30 ng/mL – novo valor de referência) da vitamina D podem não ocasionar sintomas nos pacientes que estão sofrendo com a falta da mesma. Pessoas com níveis muito baixos podem apresentar sintomas de fadiga, fraqueza muscular e até dor crônica. Além de problemas ósseos, existem evidências de que a falta de vitamina D também pode contribuir para o desenvolvimento de algumas doenças como diabetes, depressão, doença cardiovascular e alguns tipos de câncer.
“É essencial que sejam feitos exames frequentes para acompanhar o nível de vitamina D, principalmente em pacientes idosos, pois a detecção da deficiência/insuficiência auxilia na prevenção das doenças listadas acima para esse grupo de maior risco. Valores acima de 100 ng/mL são tóxicos e a reposição sem o acompanhamento médico pode ser perigosa”, completa Ferreira.
A Vitamina D é um pró-hormônio produzido a partir da ação dos raio ultravioleta B na pele. As duas principais formas são a vitamina D2 (ergocalciferol) e a vitamina D3 (colecalciferol) que podem ser encontradas em alimentos como óleos de salmão, atum e sardinha, gema de ovo, fígado, leite, iogurte e queijos ou suplementada em capsulas ou comprimidos. Existem diferentes métodos para avaliação da vitamina D. Ela pode ser dosada no laboratório por imunoensaios ou pelo método de referência que é a Espectrometria de Massas. Os imunoensaios devem ser comparáveis com o método de eleição. Dependendo do método, dosa-se as duas frações separadamente (D2 e D3) ou a total que é a soma das duas. (Vitamina D total ou 25 hidroxi vitamina D).

Terapia genética pode ser a cura para Hemofilia A, aponta estudo

Trecho: Esta é a primeira vez que a terapia genética é bem sucedida para tratar a condição, que se resume em um transtorno genético hereditário, que atinge principalmente os homens, fazendo com que as pessoas tenham níveis baixos de fator VIII de coagulação, necessários para que o sangue coagule.
A falta do fator proteico resulta em hemorragia excessiva, até mesmo quando as lesões são menores e pode causar sangramento interno, o que coloca a vida do indivíduo em risco.
Até o momento, não foi descoberta a cura permanente para a condição, e os pacientes com esse diagnóstico precisam tomar múltiplas injeções semanais de fator VIII de coagulação para prevenir e controlar o sangramento.
"Estou muito otimista de que possamos oferecer benefícios de tratamento de longo prazo", afirmou John Pasi, diretor do Centro de Hemofilia no Barts Health NHS Trust e principal autor do estudo publicado no último final de semana no New England Journal of Medicine.
Mais de 400 mil pessoas ao redor do mundo sofrem de hemofilia A, que é seis vezes mais comum que a hemofilia B. Os pacientes do tipo A não possuem proteína de coagulação do fator VIII, enquanto aqueles com tipo IX apresentam o fator IX. No Reino Unido, onde o estudo foi realizado, cerca de 2 mil pessoas sofrem de hemofilia A.
Pesquisa: Durante o teste, 13 pacientes receberam injeções de alta dose contendo cópias do gene que codifica a proteína de coagulação ausente. Os pacientes foram acompanhados durante 19 meses para monitorar os resultados. Todos os participantes da pesquisa ficaram sem receber tratamento por um ano. Enquanto 11 deles apresentaram níveis quase normais de proteína de coagulação, os outros dois restantes tinham níveis estáveis, afirmou Pasi.

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Concentração de CO2 na atmosfera bate recorde e é a maior em 3 milhões de anos

Trecho: A concentração de dióxido de carbono (CO2) está aumentando e bateu recorde no ano passado, atingindo o maior número já visto em mais de três milhões de anos, alertou a Organização das Nações Unidas nesta segunda-feira (30/10/17).
O novo estudo traz um alerta de cientistas e apela para que todas as nações do mundo se unam para reduzir drasticamente as emissões de CO2 , ainda levantando a possibilidade de regras ainda mais rígidas nas próximas negociações climáticas em Bonn.
“A média de concentração de dióxido de carbono global, no ano passado, atingiu 403,3 partes por milhão (ppm), muito acima das 400 ppm em 2015, devido à combinação de atividades humanas e ao forte do El Niño”, segundo o Boletim de Gases de Efeito Estufa, o ano anual da agência meteorológica da ONU.
A aceleração dos números ocorre apesar de uma freada – e talvez até um estancamento das emissões. Contudo, o El Niño intensificou as secas e enfraqueceu a capacidade da vegetação de absorver o dióxido de carbono; o que é bastante preocupante, afinal, à medida que o planeta aquece, espera-se que o evento se torne cada vez mais frequente.
Ainda pelo relatório, o aumento de 3,3 ppm é consideravelmente mais alto do que o salto de 2,3 ppm nos 12 meses anteriores, e com a média de crescimento anual de 2,08 ppm. Além disso, o último grande El Niño , em 1998, registrou aumento de 2,7 ppm (número menor do que o de 2016).
O estudo monitora navios, aviões e estações terrestres para acompanhar as tendências de emissão desde 1750, revelando que o dióxido de carbono está, agora, aumentando 100 vezes mais rápido do que no fim da última era do Gelo – graças ao aumento populacional, às atividades agropecuárias, ao desmatamento florestal e à industrialização.
A última vez que a Terra experimentou evento similar ao visto agora, em relação ao dióxido de carbono na atmosfera, foi durante o Plioceno (última época do antigo período Terciário da era Cenozoica. Está compreendido entre há cerca de cinco e dois milhões de anos), quando o nível do mar estava 20 metros mais alto do que agora.
Os autores do estudo divulgado hoje pedem aos governantes para que intensifiquem as contramedidas que reduzam o risco de aquecimento global. “Sem cortes rápidos no CO2 e outras emissões de gases do efeito estufa , teremos aumentos de temperatura perigosos no final deste século, bem acima do objetivo estabelecido pelo acordo de mudança climática de Paris”, elucidou o chefe da Organização Meteorológica Mundial, Petteri Taalas, em comunicado.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Cientistas observam colisão de estrelas de nêutron e a formação de buraco negro

Trecho: Pela primeira vez na história, os cientistas conseguiram observar a colisão de duas estrelas de nêutrons, por meio de ondas gravitacionais e luminosas. O evento cósmico produziu ondas no tempo-espaço e um brilho tão intenso do que mais de um bilhão de sóis, segundo revelou a Agência Espacial Norte-Americana (Nasa). A eventualidade é tão especial que foram publicados mais de 30 artigos científicos nesta segunda-feira (16/10/17).
Na sequência extraordinária, é possível ver as duas estrelas de nêutrons – que são ultradensas – fazendo um movimento espiralado para dentro, uma em direção a outra, antes de finalmente se colidirem de maneira violenta. Segundo os cientistas da Nasa, essas estrelas têm massa de 10% a 60% maiores do que a do Sol, apesar de apenas ter uma área do tamanho da cidade de Washington D.C, ou do Plano Piloto, em Brasília – ou seja, são extremamente densas. Por causa dessa densidade, as maciças estrelas puxaram uma a outra com intensidade, girando centenas de vezes por segundo, produzindo ondas gravitacionais na mesma frequência.   
Desse modo, quanto mais se aproximavam, orbitavam ainda mais rápido, o que acabou gerando o evento “mais violento e cataclísmico” da natureza – que, por sua vez, produziu uma onda de raios gama . Devido à colisão foi observada a chamada “quilonova”, algo que nunca registrado anteriormente, mas que foi capturada pelo Observatório a Laser de Ondas Gravitacionais (Ligo), com base nos Estados Unidos.  
Um marco histórico desse evento cósmico foi o testemunho dos cientistas realizado por meio de telescópios ópticos tradicionais, com detectores gêmeos localizados na Louisiana e em Washington, que recuperaram os tremores no espaço-tempo ocorridos após a fusão a 1,3 milhão de anos-luz de distância – ou seja, observamos algo que aconteceu há mais de 130 milhões de anos. 
O diretor-executivo do centro de pesquisa Ligo, Dave Reitze, afirmou: "o maravilhoso nessa descoberta é que foi a primeira vez que tivemos uma imagem completa de um dos mais violentos e cataclismáticos eventos do universo”. 

Trabalho em conjunto: O encontro entre as estrelas foi primeiramente observado no dia 17 de agosto, quando os centros de pesquisa Ligo (americano) e Virgo (europeu) detectaram as ondas gravitacionais inéditas durante 100 segundos. "Fomos capazes de 'ouvir o Universo'", explica Gregg Hallinan, do Instituto de Tecnologia da Califórnia.
Com o zumbido dos poucos segundo capturado, perceberam que as duas estrelas, ambas mais pesadas do que o Sol, aproximavam-se de sua morte. Inicialmente, as duas pareceram separadas por 320 quilômetros, circulando 30 vezes por segundo. Porém, enquanto giravam para dentro, aceleraram até uma velocidade de duas mil órbitas por segundo, o que fez com que o sinal fosse fosse capturado como um assobio de deslizamento.
Dois segundos após a detecção das ondas, um "flash" de luz na forma de raios gama foi detectado pelo telescópio Fermi da Nasa. Seguiram-se, então, outros "mensageiros" do espaço: raios X, ondas ultravioleta, infravermelho e ondas eletromagnéticas. Depois do alerta enviado aos astrônomos, 70 telescópios espaciais e terrestres giraram para observar o brilho vermelho, tornando-se o primeiro evento cósmico a ser "visto" tanto nas ondas gravitacionais quanto luminosas.  
Einstein foi o primeiro cientista a prever a existência de ondas gravitacionais , há mais de um século. Contudo, a primeira prova experimental de que o Espaço pode ser esticado ou espremido levou até 2015, quando os cientistas da Ligo detectaram uma colisão de buracos negros. Mas, essa fusão sombria, e as outras três detectadas desde então, eram invisíveis para os telescópios convencionais. À medida que as estrelas colidiam, elas emitiam um intenso feixe de raios-gama, deixando o céu cheio de elementos pesados, respondendo ao debate de décadas sobre a origem do ouro e da platina, por exemplo.




As estrelas de nêutrons são as menores e as mais densas de todas as que conhecemos (e sabemos que existem): têm cerca de 20 quilômetros de largura, com uma massa de cerca de um bilhão de toneladas. O núcleo é uma sopa de nêutrons puros, enquanto a crosta é lisa, sólida e 10 bilhões de vezes mais forte que o aço.

*Com informações do The Guardian e da Nasa

domingo, 3 de setembro de 2017

COREIA DO NORTE FAZ TESTE DE BOMBA DE HIDROGÊNIO


Trecho: Após o teste com bomba de hidrogênio realizada pela Coreia do Norte na madrugada deste domingo (3 de setembro de 2017), a comunidade internacional criticou o novo ato ameaçador do ditador Kim Jong-Un. O poder do artefato chegou a causar um tremor de magnitude 6,3 aos arredores do local em que o teste foi realizado.
Estados Unidos, China, Rússia, Japão, Coreia do Sul, França, Otan e União Europeia condenaram o teste que fere resoluções da Organização das Nações Unidas (ONU), além de exigir o fim dos programas nuclear e balístico da Coreia do Norte. Por meio do Twitter, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que as decisões da Coreia são hostis e ameaçam a segurança dos EUA.
Agências internacionais afirmam que o presidente dos EUA e a equipe de segurança nacional devem se reunir ainda neste domingo para avaliar os efeitos do novo teste e pensar em estratégias de defesa. Ainda existe a possibilidade de o país impor uma série de sanções ao líder norte coreano, conforme afirmação do secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin. Segundo ele, estão sendo preparado um pacote de restrições que será entregue a Trump em breve.
Ameaça mundial: O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, afirmou que o novo teste é uma ameaça mundial e que “compromete seriamente a paz e a segurança” de seu país. O mesmo discurso de repúdio foi feita pela China, que sedia encontro de empresários com líderes do Brics deste a semana passada.
O Ministério das Relações Exteriores da Rússia pediu calma aos envolvidos na questão nuclear e reafirmou a necessidade de diálogo entre as partes. Já o presidente da França Emmanuel Macron, solicitou ao Conselho de Segurança da ONU reação rápida e decisiva em relação as ameaças constantes de Kim Jong-Un. “A comunidade internacional deve tratar esta nova provocação com a maior firmeza, para que a Coreia do Norte volte incondicionalmente ao caminho do diálogo e proceda ao desmantelamento completo, verificável e irreversível de seu programa nuclear e balístico". 
Em Xiamen, na China, onde acompanha o presidente Michel Temer para a 9ª Cúpula do Brics (grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), o chanceler brasileiro, Aloysio Nunes, disse que o teste realizado pela Coreia do Norte aumenta a urgência para que se contenha uma escalada armamentista no mundo. “É apavorante. O mundo está ficando cada vez mais perigoso. É preciso deter essa escalada. O Brasil condena e apoia as resoluções da ONU aplicando sanções à Coreia do Norte em razão dos seus testes nucleares”, afirmou.

Outras informações 


A TV estatal da Coreia do Norte, a KCNA, anunciou que o teste realizado neste domingo (3), por volta das 12h30, no horário local, foi um sucesso. O lançamento provocou um tremor, que foi detectado por duas agências meteorológicas: uma japonesa e outra norte-americana.
O novo teste já é o sexto realizado desde 9 de setembro de 2016. O teste deste domingo provocou um tremor em território coreano de magnitude 6,1 pela Agência Meteorológica do Japão e de 6,3 pela Agência Norte-Americana Geological Surveyor.
Segundo o jornal japonês Asahi, o Serviço Nacional de Inteligência da Coreia explicou, em 28 de agosto, em relatório da Assembleia Nacional do país que esse teste foi feito em duas etapas. Autoridades coreanas teriam avisado que o experimento seria possível a qualquer momento como instalar um bomba de hidrogênio em um míssil intercontinental.
Uma foto que circula da internet em Kim Jong-un inspeciona um equipamento, é identificada como bomba de hidrogênio.
A Coreia do Norte tem capacidade de realizar testes nucleares tanto de plutônio quanto de urânio enriquecido. Para o Japão, os Estados Unidos e Coreia do Sul, o país pode ter mais de uma dúzia de bombas nucleares.
O ministro das Relações Exteriores, Taro Kono, já tinha declarado que a Coreia do Norte havia realizado uma tarde de teste nuclear na quinta-feira (31). O primeiro-ministro Shinzo Abe disse aos repórteres neste domingo que a Agência Meteorológica havia detectado o abalo sísmico e que não seria um terremoto natural.

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Pela primeira vez terapia gênica é aprovada nos EUA; leucemia é o alvo


Outro link: http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2017/08/1914331-pela-primeira-vez-terapia-genica-e-aprovada-nos-eua-leucemia-e-o-alvo.shtml

Trecho: Um grupo de especialistas recomendou nesta quarta-feira à agência americana de medicamentos (FDA) a aprovação do primeiro tratamento que modifica geneticamente o sistema imunológico de um paciente para combater a leucemia.
A recomendação, que a FDA deve ratificar, abre caminho para a comercialização da primeira terapia genética.
Chamado "CTL019", o tratamento foi desenvolvido por um pesquisador da Universidade da Pensilvânia e patenteado pelo laboratório suíço Novartis para tratar a leucemia linfoblástica aguda.
A técnica funciona retendo e congelando as células imunes do paciente antes de elas serem modificadas geneticamente em um laboratório, para reconhecer e atacar o câncer.
Cerca de 90% dos pacientes tratados viram sua leucemia desaparecer nos primeiros testes clínicos.
O grupo de especialistas independentes recomendou a aprovação deste tratamento para crianças e jovens adultos que tenham resistido a outras terapias contra a leucemia ou que tenham tido recaídas.
A jovem Emily Whitehead, hoje com 12 anos, foi a primeira a receber essa terapia genética em 2012, em um hospital da Pensilvânia, quando tinha seis anos.
Os efeitos secundários foram severos - febre, queda da pressão arterial e congestão dos pulmões - mas a menina venceu a doença e hoje em dia não dá sinais do câncer. Ela compareceu à apresentação da FDA junto com seus pais.
Considerando esse êxito, em 2014 a FDA deu a esta terapia genética o status de "avanço terapêutico" e tem viabilizado sua chegada rápida ao mercado.

sexta-feira, 14 de julho de 2017

DNA é usado para armazenar filme

Link para texto completo: http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2017/07/1900933-dna-e-usado-para-armazenar-filme.shtml

Trecho: Foi um dos primeiros filmes já feitos. Um cavaleiro galopando filmado em 1878 pelo fotógrafo britânico Eadweard Muybridge, que tentava descobrir se os cavalos, ao galopar, em algum momento não tocavam o chão, ficavam sem nenhum dos cascos em contato com o solo.
Mais de um século depois, esse pequeno filme novamente faz parte da vanguarda.
Ele é o primeiro filme da história a ser armazenado no DNA de uma célula viva, do qual poderá ser recuperado quando se quiser, além de se multiplicar indefinidamente conforme o hospedeiro se divide e cresce.
A novidade, desenvolvida por pesquisadores da Universidade Harvard, nos EUA, e publicada nesta quarta-feira (12/06/17) na revista "Nature", é o exemplo mais recente – e possivelmente um dos mais espantosos – do vasto potencial genômico para armazenagem de dados.
Até o momento, cientistas já guardaram em DNA todos os sonetos de Shakespeare. George Church, geneticista de Harvard e um dos autores do novo estudo, recentemente armazenou seu próprio livro "Regenesis" no DNA de uma bactéria e fez 90 bilhões de cópias dele.
"Um recorde de publicação", afirmou o geneticista em uma entrevista.
Com a nova pesquisa, os cientistas começam a imaginar a possibilidade de um futuro ainda mais estranho: programar uma bactéria para gravar o que células humanas estão fazendo –quase fazer um "filme" da vida celular.
Church e Seth Shipman, um geneticista, e seus colegas começaram o trabalho armazenando as diferentes tonalidades de cinza dos pixels (e códigos de barras que indicavam suas posições na imagem) em 33 letras de DNA. Cada frame do filme continha 104 desses fragmentos de DNA.
Ao fim, os geneticistas tinham uma sequência inteira de DNA que representava o filme completo.
O passo final foi usar Crispr, uma poderosa técnica de edição gênica, para inserir a sequência de DNA em uma bactéria comum, a E.coli.
Mesmo com a modificação, a bactéria se multiplicou normalmente. Segundo os pesquisadores, o filme permaneceu intacto nas gerações seguintes da bactéria.
Há meio século, décadas antes de qualquer um conseguir sequenciar o genoma, o renomado físico Richard Feynman propôs que o DNA poderia ser usado para armazenar dados.
"Biologia não é simplesmente escrever a informação; é fazer alguma coisa em relação a ela", disse Feynman em um palestra em 1959. "Imagine a possibilidade de criar algo minúsculo que faça o que quisermos."

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Superbactérias avançam no Brasil e levam autoridades de saúde a correr contra o tempo

É... o sensacionalismo está tomando conta das manchetes até na ciência!!!


Link para texto completo: http://g1.globo.com/bemestar/noticia/superbacterias-avancam-no-brasil-e-levam-autoridades-de-saude-a-correr-contra-o-tempo.ghtml


Trecho e comentários (em vermelho): Bactérias que não respondem a antibióticos vêm aumentando a taxas alarmantes no Brasil e já são responsáveis por ao menos 23 mil mortes anuais no país, afirmam especialistas. 
Capazes de criar escudos contra os medicamentos mais potentes, esses organismos infectam pacientes geralmente debilitados em camas de hospitais e se espalham rapidamente pela falta de antibióticos capazes de contê-los. Por isso, as chamadas superbactérias são consideradas a próxima grande ameaça global em saúde pública pela OMS (Organização Mundial da Saúde). 
"Estamos numa situação de alerta", diz Ana Paula Assef, pesquisadora do Instituto Oswaldo Cruz, da Fundação Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), que faz a estimativa sobre mortes anuais no país com base nos dados oficiais dos Estados Unidos. No Brasil, ainda não há um compilado nacional sobre o número de vítimas por bactérias resistentes. 
"Sabemos que, assim como vários países em desenvolvimento, o Brasil tem alguns dos maiores índices de resistência em determinados organismos. Há bactérias aqui que não respondem mais a nenhum antibiótico", aponta Assef. 

Perigosas - Um exemplo é a Acinetobacter spp. A bactéria pode causar infecções de urina, da corrente sanguínea e pneumonia e foi incluída na lista da OMS como uma das 12 bactérias de maior risco à saúde humana pelo seu alto poder de resistência. 
De acordo com a Anvisa, 77,4% das infecções da corrente sanguínea registradas em hospitais por essa bactéria em 2015 foram causadas por uma versão resistente a antibióticos poderosos, como os carbapenems. 
Essa família de antibióticos é uma das últimas opções que restam aos médicos no caso de infecções graves. 
"Quando as bactérias se tornam resistentes a eles, praticamente não restam alternativas de tratamento", explica Assef. 
Outro exemplo é a Klebsiella pneumoniae. Naturalmente encontrada na flora intestinal humana, é considerada endêmica no Brasil e foi a principal causa de infecções sanguíneas em pacientes internados em unidades de terapia intensiva em 2015, segundo dados da Anvisa. 
O mais preocupante é que ela tem se tornado mais forte com o passar do tempo. Nos últimos cinco anos, a sua taxa de resistência aos antibióticos carbapenêmicos (aqueles usados em pacientes já infectados por bactérias resistentes) praticamente quadruplicou no Estado de São Paulo - foi de 14% para 53%, segundo dados do Centro de Vigilância Epidemiológica paulista. 
"Os dados do Estado de São Paulo são um retrato do Brasil. É um problema crescente e muito grave, principalmente pela rápida disseminação dessas bactérias resistentes", diz Jorge Luiz Mello Sampaio, professor de microbiologia clínica da USP e consultor da Câmara Técnica de Resistência Microbiana em Serviços de Saúde da Anvisa. 

Resistência - A capacidade de bactérias de passar por mutações para vencer medicamentos desenvolvidos para matá-las é chamada de resistência antimicrobiana (sic) - ou resistência a antibióticos (as mutações não ocorrem "para vencer medicamentos". As mutações ocorrem de forma aleatória e inclusive podem até matar ou fragilizar a bactéria. Algumas mutações podem ser vantajosas e são selecionadas. Isso se chama EVOLUÇÃO.) (oooops... e o correto é resistência microbiana, né?)
Essa extraordinária habilidade é algo natural: os remédios, ao atacar essas bactérias, exercem uma "pressão seletiva" sobre elas, que lutam para sobreviver. Aquelas que não são extintas nessa batalha são chamadas de resistentes. Elas, então, se multiplicam aos milhares, passando o gene da resistência a sua prole. (Novamente o autor do texto conclui que a "luta pela sobrevivência" causa a mutação. Não é assim, ela seleciona mutações já existentes. E a palavra extinção não deve ser usada para indivíduos, mas para espécies!)
Esse processo natural pode ser acelerado por alguns fatores, como o uso excessivo de antibióticos. Um agravante é o emprego desses medicamentos também na agricultura, na pecuária e em outras atividades de produção de proteína animal. 
Muitos fazendeiros injetam regularmente medicamentos em animais saudáveis como um aditivo de performance. Isso acelera a seleção de bactérias no ambiente e em animais, que podem vir a contaminar humanos. (Calma com conclusões muito genéricas... nem toda bactéria animal tem ação nos humanos.)
De acordo com especialistas, o número crescente de infecções - que poderiam ser barradas por mais higiene e saneamento básico - também é um problema, porque demanda maior uso de antibióticos, o que, por sua vez, seleciona mais bactérias resistentes, perpetuando um círculo vicioso. 
Um estudo encomendado pelo governo britânico no ano passado estima que tais organismos irão causar mais de 10 milhões de mortes por ano após 2050. Atualmente, 700 mil pessoas morrem todos os anos vítimas de bactérias resistentes no mundo. 
Os efeitos na economia também podem ser devastadores. Países como o Brasil estariam sob o risco de perder até 4,4% de seu PIB em 2050, segundo estimativas do Banco Mundial. 

Pecuária -  Características específicas, como hospitais superlotados e alta atividade agropecuária com uso de antibióticos, fazem do Brasil um grande facilitador a bactérias resistentes. 
O país é hoje o terceiro no mundo a mais utilizar antibióticos na produção de proteína animal, atrás apenas da China e dos Estados Unidos - e deve continuar nessa posição até pelo menos 2030, aponta um estudo coordenado por Thomas P. Van Boeckel, da Universidade de Princeton (EUA). 
Consultado, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento diz que atua para diminuir o uso desses produtos em animais. A pasta afirma que já é proibido utilizar antibióticos como as penicilinas e as cefalosporinas para melhorar o desempenho dos animais. 
No ano passado, a colistina, um antibiótico considerado a última opção de tratamento a bactérias resistentes também teve seu uso proibido em animais saudáveis. 
"O Brasil está comprometido com o tema", diz Suzana Bresslau, auditora fiscal federal agropecuária da Coordenação de Programas Especiais do ministério. "O país reconhece que se trata de uma ameaça global à saúde pública e apoia os esforços para minimizar os riscos associados à resistência antimicrobiana." 
Na área hospitalar, a Anvisa monitora as infecções da corrente sanguínea em UTIs, associadas ao uso de instrumentos para aplicação de remédios, como o cateter. Somente em 2015, foram mais de 25 mil infecções desse tipo - a maioria causada por bactérias com altos índices de resistência. 
"Estamos com problemas graves de Estados falidos, com recursos menores para a saúde, hospitais com poucos funcionários, aquém do necessário para cuidar dos pacientes. Às vezes, nessa situação, protocolos básicos, como desinfecção das mãos, acabam passando", diz Sampaio. 
"Quanto maior a sobrecarga de trabalho, maior é a taxa de infecção hospitalar. Nesse cenário, há maior risco de selecionar bactérias multirresistentes." 

Combate - Desde dezembro (de 2016), o Ministério da Saúde vem elaborando, com diferentes pastas e a Anvisa, um plano nacional de combate a bactérias resistentes, a pedido da OMS. O material deveria ter sido apresentado em maio na 70ª assembléia da organização, em Genebra, na Suíça. 
Questionado sobre o documento ter sido discutido no encontro e quais seriam seus objetivos, o Ministério da Saúde não respondeu. De acordo com informações enviadas à OMS, o plano estratégico está pronto, mas ainda é necessário definir como será a implementação e o monitoramento das ações. 
A proposta brasileira está prevista para ser colocada em ação a partir de 2018, com expectativa de conclusão até 2022. Comparado com outras economias em desenvolvimento, o país está atrasado: a África do Sul começou a colocar seu plano em prática ainda em 2014, enquanto a China implementa o seu desde 2016. Já a Índia começou nesse ano. 
O país é também um dos únicos Brics (sigla para Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) que ainda não disponibilizou o documento publicamente no site da OMS, juntamente com a Rússia. 
Consultada, a OMS disse que os países não são obrigados a compartilharem seus planos, mas que ela encoraja a prática "como uma forma de transparência e de boas práticas". 
Mas enquanto o governo trabalha numa estratégia, bactérias aprimoram sua capacidade de sobreviver aos remédios mais poderosos. 
Em outubro, a Anvisa encontrou no Brasil uma cepa da E. coli que tinha a capacidade de trocar material genético com outras espécies de bactérias e transferir o gene da resistência a outros organismos - não apenas à sua prole. 
Esse mecanismo a torna resistente a uma família de antibióticos chamada polimixinas, que se tornaram a última escolha de médicos frente a bactérias resistentes. 
O novo mecanismo de resistência exemplifica o quanto o assunto é urgente, diz Sampaio, da USP, para quem "a cada dia há uma surpresa" no universo desses organismos. 
"Elas se multiplicam a cada 20 minutos. É uma competição difícil. Nós levamos anos para colocar um antibiótico no mercado, elas podem levar 20 minutos para mutarem e vencerem o remédio." (Olha o exagero de novo em relação à mutação... claro que podem demorar 20 minutos - na verdade são instantâneas- ... ou podem demorar 200 anos... ou podem não acontecer.)


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quarta-feira, 12 de julho de 2017

Três das DSTs mais comuns estão ficando intratáveis, diz OMS

Link para texto completo: http://exame.abril.com.br/ciencia/tres-das-dsts-mais-comuns-estao-ficando-intrataveis-diz-oms/

Trecho (com adaptações): Segundo a Organização Mundial de Saúde, sífilis, clamídia e gonorreia – doenças bacterianas sexualmente transmissíveis – estão ficando resistentes aos antibióticos mais usados contra elas. E infectam cada vez mais pessoas. 
As infecções são três das DSTs mais frequentes: juntas, elas contagiam 200 milhões de pessoas por ano – todo ano, são 131 milhões infectadas pela clamídia, 78 milhões pela gonorreia e 5,6 milhões pela sífilis. 
Com tanta gente ficando doente, os antibióticos estavam sendo administrados sem cuidado nenhum – e muitas vezes, por tempo demais ou em doses desnecessariamente altas. 
Esse uso exagerado de antibióticos é justamente o que tem feito as bactérias se tornarem mais resistentes. O caso da gonorreia é o pior: a OMS afirma que já existem cepas da bacteria N. gonorrhoeae, causadora da doença, que não respondem a nenhum dos medicamentos que existem. 
O cenário para sífilis e clamídia não é tão extremo, mas seus agentes causadores já se mostram bem mais resistentes à medicamentos também, o que preocupa a organização. 
Por isso, na terça (30/06/2017), a OMS aconselhou uma mudança nos tratamentos padrão para essas doenças. Para começar, a organização recomenda o uso do antibiótico certo para cada caso, em doses mais controladas do que se tem usado até agora – cada serviço de saúde em cada país deve ficar responsável por definir o medicamento. 
Outra recomendação, mais específica, é não usar a quinolona, um tipo de antibiótico comum nos casos de infecções bacterianas como a sífilis, a gonorreia e a clamídia. Para fechar, a OMS pediu que os governos prestem atenção no aumento da resistência dessas bactérias, ano a ano. 
Tudo isso deve aumentar os custos de tratamento, já que os antibióticos específicos são, geralmente, os mais novos – e mais caros. Fora que estudar os tipos de cepa que cada pessoa infectada tem antes de receitar um medicamento também vai dar um baita trabalho. 

Transmissão e sintomas - A sífilis é transmitida por meio do contato com feridas de pessoas infectadas – elas podem aparecer nos genitais, no ânus, na boca ou em outras partes do corpo. 
A doença também pode ser transmitida de mãe para filho turante a gestação ou no parto (por ano, a transmissão desse tipo provoca cerca de 143 mil mortes fetais e nascimento de natimortos, além de 62 mil mortes neonatais, segundo a OMS). 
Quem tem sífilis pode desenvolver essas feridas em um estágio inicial, mas elas saram logo e se tornam erupções com pus. 
Aí, esses sintomas desaparecem, até que um tempo depois (às vezes até anos), a doença volta à atividade e causa danos ao cérebro, aos olhos e ao coração. 
Já a clamídia, a mais comum das DSTs causadas por bactérias, causa um ardor forte ao urinar ou corrimentos genitais – embora a maioria das pessoas não apresente sintomas. 
A gonorreia pode provocar, além de dores nos genitais, infecções e muita dor no reto e na garganta.
As três doenças, caso não sejam diagnosticadas e tratadas a tempo, podem causar problemas graves a longo prazo – mesmo que não apresentem sintomas por um tempo. As mulheres, por exemplo, podem desenvolver gravidez ectópica (fora do útero), inflamações na região pélvica e abortos espontâneos. Nos dois sexos, a sífilis, a gonorreia e a clamídia podem causar infertilidade, além de aumentarem o risco da pessoa ser infectada pelo HIV.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Cientistas descobrem nova partícula que ajudará a entender a "cola" da matéria

Link para texto completo: http://ultimosegundo.ig.com.br/ciencia/2017-07-07/nova-particula-materia.html

Trecho: Os cientistas da Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (Cern, sigla em francês) descobriram uma nova partícula da matéria, chamada “Xicc++”. A novidade foi anunciada nesta quinta-feira (6/6/17) durante uma reunião da Sociedade Europeia de Física, em Veneza, na Itália.
A partícula pertence à família dos bárions, ou seja, praticamente a composição de toda a matéria que está ao nosso redor, como os prótons e os nêutrons, sendo formada pelos menores elementos da matéria: os quarks. Uma “Xicc++” é constituída por um quark up – o mais leve dos seis tipos do elemento, e outros dois quarks pesados, justamente o que difere a nova partícula dos outros bárions já conhecidos pela comunidade científica.
"Encontrar um bárion com quark duplo pesado é de grande interesse porque vai fornecer uma ferramenta única para promover a cromodinâmica quântica [teoria dos quarks]. Essas partículas irão ajudar a melhorar o poder das previsões de nossas teorias", explicou Giovanni Passaleva, porta-voz da missão LHCb, que há mais de uma década perseguia a partícula.
A descoberta da Xicc++ é de grande importância para o desenvolvimento de pesquisas sobre a “cola” que mantém todas as substâncias unidas. Além disso, representa um novo passo para entender uma das quatro forças fundamentais da natureza: a força forte, que integra o grupo junto das forças gravitacional, eletrodinâmica e fraca.
"Observar uma partícula do tipo foi possível graças à grandíssima quantidade de dados que o LHC está produzindo. Isso permite atingir um objetivo que não é fácil, como conseguir reproduzir a matéria em todos os seus estados possíveis", disse Donatella Lucchesi, pesquisadora da Universidade de Pádua e do Instituto Nacional de Física Nuclear.

A missão do LHCb  - O Grande Colisor de Hádrons, conhecido como LHC, é o maior acelerador de partículas do mundo. Ele está localizado no Cern, na Suíça, e é responsável por inúmeros experimentos científicos, como o CMS, o Atlas, o Alice e o LHCb, quatro detectores que buscam abrir portas para os fenômenos da chamada “nova física”.
O LHCb, que descobriu a nova partícula, corresponde a um experimento fundado com o objetivo de “explorar o que aconteceu depois do Big Bang, que favoreceu a criação do Universo da forma que o habitamos hoje em dia”, como explica a página oficial do projeto no Facebook.Reprodução/LHCb
Membros do projeto LHCb no acelerador de partículas do Cern, em Genebra
São mais de 700 cientistas de 52 instituições diferentes – incluindo a Universidade Federal do Rio de Janeiro – , envolvidos no projeto, e um dos objetivos do grupo era justamente encontrar uma nova partícula de matéria, a Xicc++, que foi perseguida por mais de 10 anos pelos pesquisadores do Cern.