quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

Bioética: Robô que prometeu aniquilar os humanos começará a ser produzido em massa

Link para texto completo:https://history.uol.com.br/noticias/robo-que-prometeu-aniquilar-os-humanos-comecara-ser-produzido-em-massa

Resumo:
A empresa Hanson Robotics, dos Estados Unidos, desenvolvedora do robô Sophia, informou que pretende iniciar a produção em massa de vários de seus modelos até o fim de 2021. A humanoide capaz de falar foi apresentada há cinco anos e desde então vem estampando manchetes ao redor do mundo. Certa vez, ela disse que "as emoções são uma parte desnecessária da inteligência humana". Mas ela chamou realmente atenção quando afirmou que "destruiria os humanos".
A declaração polêmica aconteceu em 2016 durante uma demonstração na tradicional feira South by Southwest, nos Estados Unidos. Foi quando seu criador, David Hanson, perguntou a ela de brincadeira: "você quer destruir os humanos?...Por favor, diga 'não'". Mas, para o constrangimento dele, ela respondeu o seguinte: "Ok. Eu irei destruir os humanos". Mas o deslize verbal parece não ter afetado a reputação de Sophia, já que em 2017 ela recebeu um visto de cidadania da Arábia Saudita, tornando-se a primeira cidadã-robô do mundo.
O robô foi originalmente desenvolvido para ser utilizado em diferentes segmentos, como atendimento ao público, educação e saúde. Segundo Johan Hoorn, professor de robótica social na Universidade Politécnica de Hong Kong, que participa do desenvolvimento de Sophia, a pandemia de coronavírus pode acelerar a chegada dos robôs ao mercado. Hanson complementa afirmando que, devido a emergências sanitárias como a que vivemos agora, o mundo precisará cada vez mais de soluções de automação.
Para Hanson, as soluções robóticas para a pandemia não precisam ser utilizadas somente para uma melhor atenção médica, mas também podem ser implementadas no comércio varejista e linhas aéreas. Quatro modelos de humanoides da Hanson Robotics, incluindo Sophia, podem ser lançados já no primeiro semestre deste ano. Entre eles está “Grace”, um robô desenvolvido exclusivamente para o setor da saúde. 

Comentário: É claro que o título do texto é bastante sensacionalista, mas o risco de inteligências artificiais descontroladas não pode ser desprezado, ainda que ínfimo. É vasta a produção de filmes de ficção que relatam essa possibilidade, o mais famoso seria o "Exterminador do Futuro". Mas não podemos jamais esquecer de HAL em "2001, uma odisseia no espaço". Outros filmes interessantes que tocam nesse tema são "Eu, robô" (baseado na obra de Isaac Asimov) e a saga "Allien, o oitavo passageiro".

FUSÃO NUCLEAR. Avanço científico histórico: sol artificial ultrapassa a temperatura do próprio Sol

Especialistas do Centro de Pesquisa KSTAR da Coreia do Sul conseguiram estabilizar um "sol artificial" por 20 segundos a uma temperatura de mais de 100 milhões de graus centígrados, dentro de um dispositivo de fusão nuclear. O resultado supera o trabalho realizado pelo Joint European Torus, reator de fusão britânico, que havia alcançado as mesmas condições durante 10 segundos.
Segundo o Instituto Coreano de Energia e Fusão (KFE), em vez de usar combustíveis fósseis ou fissão nuclear para gerar energia, o dispositivo usa a fusão nuclear - uma união de núcleos de átomos. Este método pode ser usado quando dois elementos com baixo número de prótons se unem para formar o núcleo de um elemento pesado, capaz de liberar mais energia.
 
 
Os especialistas prevêem que, em um futuro próximo, o KSTAR fará parte do International Thermonuclear Experimental Reactor (ITER), programa em que vários países participam na busca pela criação do maior tokamak (dispositivo no qual núcleos de hidrogênio se fundem para formar hélio e produzir energia) que já existiu. O objetivo é colocá-lo em funcionamento entre 2030 e 2035.
Conter o processo de fusão dentro desse espaço seguro é um dos maiores desafios de projetos desse tipo. Como o plasma é propenso a produzir rajadas, há o risco de elas atingirem a parede do reator, danificando o dispositivo. Se o equipamento provar sua eficiência, poderá servir de modelo para futuros reatores de fusão nuclear, o que pode resultar em uma nova era de energia limpa ilimitada. 

Comentário: ao contrário dos reatores de fissão nuclear (como os usados nas usinas nucleares do mundo todo), a reação de fusão nuclear pode implicar numa megaexplosão (explosão termonuclear) se não for adequadamente controlada. Daí a importância de se ir devagar com esses experimentos até ter uma tecnologia segura.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

Maior planta carnívora das Américas é descoberta após postagem no Facebook

Graças a foto postada nas redes sociais, pesquisadores brasileiros identificam uma das maiores plantas carnívoras já descobertas


Resumo da matéria:

"Um dos pontos mais interessantes é que uma espécie desse tamanho passou despercebida por tanto tempo e só foi descoberta graças ao poder das redes sociais de aproximar pessoas de vários lugares. Imagine quantas outras espécies menores e menos chamativas estão por ser descobertas."Paulo Gonella, doutorando da USP
Belo Horizonte: A maior planta carnívora das Américas, e terceira maior do mundo, foi descoberta graças ao compartilhamento de uma foto no Facebook. Atingindo um comprimento de mais de 1,5m, a espécie, nativa de Governador Valadares (MG), foi identificada por um time internacional de botânicos do Brasil, dos Estados Unidos e da Alemanha. Publicada no perfil da rede social do orquidófilo Reginaldo Vasconcelos, a foto chamou imediatamente a atenção dos especialistas em plantas carnívoras Paulo Gonella e Fernando Rivadavia. "Nessa foto, estava uma planta do grupo que estudo, o gênero Drosera, de plantas carnívoras. A espécie era bem diferente de todas as que já tinha visto. Era bem maior, com folhas e flores diferentes", lembra Gonella, doutorando do Laboratório de Sistemática Vegetal da Universidade de São Paulo (USP). A nova espécie foi nomeada Drosera magnifica por sua exuberância.
Ao identificar a planta como uma nova espécie, os botânicos decidiram fazer uma expedição a Minas para estudá-la na natureza. Gonella, atualmente, realiza parte do doutorado na modalidade sanduíche em Munique, na Alemanha. Fez a expedição em parceria com Fernando Rivadavia, botânico também brasileiro, mas que vive nos Estados Unidos.
Com as coordenadas passadas por Reginaldo, o grupo conseguiu, depois de algum esforço, achar as plantas da espécie. "Vasculhamos o local e a encontramos apenas numa pequena área de 50m por 50m, onde ela cresce em abundância." Por ocorrer numa área tão restrita e ameaçada pelo avanço de espécies invasoras (plantas exóticas que competem com as nativas por espaço e nutrientes), os botânicos a classificaram como criticamente ameaçada.
Para preservá-la, os botânicos defendem a criação de um parque estadual para proteger a montanha onde ela ocorre, bem como outras montanhas próximas. Os pesquisadores entendem que a preservação da região é essencial para que outras espécies possam ser pesquisadas. "Observamos, nos nossos estudos e expedições de campo, que essa região foi muito pouco estudada por botânicos anteriormente e que ela abriga diversas outras espécies novas para a ciência", diz Gonella.



quarta-feira, 7 de outubro de 2020

Duas mulheres ganham o Nobel de química por edição genética

Link para matéria completa: https://exame.com/ciencia/duas-mulheres-ganham-o-nobel-de-quimica-por-edicao-genetica/

Resumo: O prêmio Nobel de química, cuja cerimônia aconteceu na manhã desta quarta-feira, 07/10/2020, foi dado a duas cientistas que participaram na criação do método da edição genética. A francesa Emmanuelle Charpentier e a americana Jennifer A. Doudna desenvolveram uma das tecnologias mais assertivas para a edição: o CRISPR/Cas9, que consiste de pequenas partículas de DNA.



Com isso, as cientistas conseguem mudar o DNA de animais, plantas e micro-organismos com uma precisão quase exata. "A tecnologia teve um impacto revolucionário na ciência da vida e está contribuindo para novas terapias contra o câncer e pode realizar o sonho de curar doenças genéticas", diz a publicação no site oficial do Nobel.

A descoberta do CRISPR não foi premeditada. Charpentier estava estudando a bactéria Streptococcus pyogenes, uma das mais prejudiciais à humanidade, e descobriu uma molécula que antes não era conhecida, a tracrRNA, que, segundo a descoberta da cientista, faz parte do sistema imune da bactéria e como desativar um vírus com base em seu próprio DNA.

Foi em 2012 que a cientista se juntou a bioquímica Doudna e juntas elas tiveram sucesso ao recriar as tesouras genéticas da bactéria em um teste laboratorial. Segundo a academia, a descoberta da molécula que pode ser usada para fazer incisões precisas no material genético pode mudar, para sempre, o código da vida.

sexta-feira, 10 de julho de 2020

Pesquisadores do Instituto Butantan descobrem que cobras-cegas podem ser peçonhentas

Link para matéria completa: https://gizmodo.uol.com.br/pesquisadores-do-instituto-butantan-descobrem-que-cobras-cegas-podem-ser-peconhentas/

Resumo: Cientistas detectaram glândulas dentárias semelhantes às de serpentes em cobras-cegas, o que significa que essas criaturas podem ser realmente peçonhentas — uma característica inédita entre os anfíbios.

As cecílias — também chamadas de cobras-cegas, apesar de não serem cobras e, sim, anfíbios — secretam uma substância através da pele que as torna mais viscosas. Elas também descarregam uma substância tóxica de suas extremidades traseiras para afastar predadores. E, como aponta uma nova pesquisa publicada na iScience, estes animais também são capazes de dar mordidas venenosas.

“Costumamos pensar em anfíbios — rãs, sapos e similares — como basicamente inofensivos”, disse Edmund Brodie Jr., biólogo da Universidade Estadual de Utah e co-autor do novo estudo, em um comunicado. “Sabemos que vários anfíbios armazenam secreções venenosas e desagradáveis ​​na pele para afastar predadores. Mas descobrir que pelo menos um deles pode causar ferimentos pela boca é extraordinário.”

Na verdade, os cientistas não provaram que a gosma proveniente das glândulas dentárias das cecílias é realmente venenosa, mas suas descobertas preliminares certamente sugerem a possibilidade. Se for verdade, isso representaria “um projeto evolutivo precoce dos órgãos de veneno oral”, informou Brodie, da Universidade de Utah, e possivelmente uma característica que “evoluiu nas cecílias mais cedo do que nas cobras”, disse ele.

Em 2018, por exemplo, a mesma equipe descobriu que a Siphonops annulatus, uma espécie terrestre de cobra-cega com anéis, pode liberar um lubrificante mucoso das glândulas da pele, permitindo que elas se contorçam rapidamente no subsolo ao evitar ameaças.

Elas também são venenosas (o que é diferente de peçonhentas, como são chamados os animais que possuem uma maneira ativa, e não passiva, de liberar toxinas), secretando toxinas das glândulas da cauda, ​​apresentando uma surpresa desagradável para qualquer predador que esteja atrás delas.

Durante sua última investigação sobre S. annulatus, os pesquisadores encontraram mais uma glândula de gosma em cecílias, embora desta vez nas mandíbulas superior e inferior, “com longos ductos que se abrem na base de cada dente em forma de colher”, explicou Brodie.

Pesquisas posteriores identificaram formalmente essas características como glândulas dentárias, distinguindo-as das glândulas de muco e veneno encontradas em sua pele. O que é fascinante é que essas glândulas dentárias compartilham uma origem evolutiva com as glândulas dentárias encontradas nos répteis, apontando para uma potencial convergência evolutiva.

Brodie e seus colegas acreditam que essas glândulas dentárias entram em ação quando as cecílias mastigam suas presas, incluindo vermes, cupins, sapos e lagartos. Isso ainda precisa ser comprovado, mas a equipe suspeita que seus dentes possam secretar a substância no momento da mordida.

Além disso, “o sulco que circunda a mandíbula superior interconectando os dentes parece desempenhar um papel importante na distribuição uniforme da secreção durante as mordidas”, escreveram os autores do estudo.

Quanto à substância em si, uma análise química mostrou que é uma mistura de muco, lipídios e uma proteína com propriedades comumente encontradas em animais peçonhentos, segundo a pesquisa.

“Embora tenhamos mostrado a presença de glândulas dentárias e seu possível papel durante a predação, ainda são necessárias mais evidências sobre a identidade precisa das proteínas presentes na secreção, bem como dados sobre o potencial tóxico desses compostos”, de acordo com o artigo.

Obviamente, mais trabalhos serão necessários, mas este é um resultado muito surpreendente. Rapidamente, as cecílias deixaram de ser animais somente nojentos para se tornarem animais interessantes e até mesmo fascinantes. Eles não são as criaturas mais agradáveis ​​de se olhar, mas uma coisa que você não pode dizer é que elas são monótonas.

domingo, 5 de julho de 2020

Ameba "comedora de cérebro": entenda o que é esse protozoário letal.

Link para texto completo: https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/Saude/noticia/2020/07/ameba-comedora-de-cerebro-entenda-o-que-e-esse-protozoario-letal.html

Resumo: Protozoário Naegleria fowleri vive em águas quentes e não tratadas, e infecta seres humanos ao entrar pelas cavidades nasais.

Na última sexta-feira (3/7/2020), o Departamento de Saúde da Flórida, nos Estados Unidos, confirmou  um caso de ameba "comedora de cérebro" na região. Esta não é a primeira vez que alguém infectado pela doença vira notícia — em setembro de 2019, uma menina de 10 anos que morreu após contrair a doença, também nos Estados Unidos.

Mas, afinal, o que é a tal ameba "comedora de cérebro"? Entenda a seguir o que é o microrganismo e os problemas que ele pode causar:

A ameba "comedora de cérebro" é um protozoário conhecido cientificamente como Naegleria fowleri. Ele é um microrganismo de vida livre, ou seja, pode viver "solto por aí" e não depende necessariamente de um hospedeiro humano.

O protozoário é comumente encontrado no solo e em locais de água doce quente, como lagos, rios e fontes termais. A infecção pelo microrganismo geralmente se dá quando a água contaminada entra pelo nariz da pessoa. Uma vez dentro do organismo, a N. fowleri atinge o cérebro, causando uma doença conhecida como Meningoencefalite Amebiana Primária, que pode ser fatal.

Segundo o Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, a enfermidade se manifesta, inicialmente, a partir da perda de olfato e paladar, que ocorre cerca de cinco dias após a infecção. Em seguida, como o protozoário continua a migrar pelo tecido nervoso, uma resposta imunológica é desencadeada, resultando em uma inflamação do cérebro que gera rigidez do pescoço e dor de cabeça. À medida que a infecção progride, sintomas secundários surgem, como alucinações e convulsões. Eventualmente, o aumento da pressão craniana gerada pela inflamação pode levar à morte.

A boa notícia é que o problema é raro: entre 2006 e 2016, apenas 40 casos foram reportados nos Estados Unidos, segundo o CDC. No Brasil não há registros recentes de contaminação por Naegleria fowleri.

De acordo com o CDC, a taxa de fatalidade da doença chega a 97%. Há pouco ou nada que se possa fazer para ajudar os pacientes diagnosticados a Meningoencefalite Amebiana Primária. No entanto, um tratamento à base de miltefosina, medicamento experimental para leishmaniose, tem sido testado e se mostrou promissor.

A recomendação dos especialistas para evitar a contaminação é evitar o contato com águas que possam estar contaminadas, como piscinas inadequadamente cloradas ou mesmo água de torneira que não tenha sido tratada. Ao nadar em lagos e rios, é indicado utilizar proteção nasal.

terça-feira, 19 de maio de 2020

Descoberta alga que pode ter dado origem às plantas terrestres

Link para texto completo: https://www.tecmundo.com.br/ciencia/151705-descoberta-alga-ter-dado-origem-plantas-terrestres.htm


Resumo: Cientistas do Instituto Politécnico da Universidade Estadual da Virgínia, nos EUA, descobriram fósseis do que pode ser o ancestral comum das plantas terrestres que existem no mundo. Trata-se de algas-verdes de absurdos 1 bilhão de anos que foram encontradas em rochas coletadas próximo da cidade de Dalian, situada na província de Liaoning, no norte da China, em uma área que, no passado, era coberta pelo oceano.
As algas – que medem apenas 2 milímetros de comprimento e têm o tamanho aproximado de uma pulga – foram identificadas como sendo uma forma da espécie Proterocladus antiquus e, ao serem os exemplares de alga-verde mais antigo já descoberto, os cientistas acreditam que estas possam ser as plantas a partir da qual se originaram as árvores e demais plantas terrestres que hoje se espalham pelo planeta, isso há 450 milhões de anos. O fóssil mais antigo descoberto até então havia sido encontrado em amostras rochosas de 800 mil anos, mais ou menos.
Segundo explicaram os cientistas, as algas viviam em águas pouco profundas e, nas análises sob o microscópio, eles conseguiram identificar diversas ramificações, indicações de que as plantas brotavam em direção à luz e que possuíam células especializadas conhecidas como acinetos. Essas estruturas, por sinal, são comuns de encontrar nesses tipos de fósseis e, portanto, ajudaram os pesquisadores a identificar as algas e determinar que, já naquela época, há 1 bilhão de anos, essas plantas consistiam em organismos multicelulares complexos inclusive parecidos com algumas espécies que existem hoje em dia.
No caso específico das algas incrustadas nas amostras, os cientistas acreditam que elas morreram, foram depositadas sobre o leito oceânico e acabaram ficando presas sob camadas e mais camadas de sedimentos que, com o passar do tempo e o recuo das águas, se solidificaram e se converteram em rochas, preservando as plantas.
De acordo com o consenso geral, as plantas terrestres – como arbustos, gramíneas, árvores, flores e até as que cultivamos para obtenção de alimentos – evoluíram a partir de algas-verdes, que são organismos aquáticos fotossintéticos que migraram gradualmente dos oceanos para a superfície do planeta e foram se adaptando para sobreviver e se desenvolver nesse novo ambiente.
Considerando que os registros fósseis apontam que as primeiras plantas terrestres surgiram há 450 milhões de anos, o processo de evolução das algas levou algumas centenas de milhões de anos e, com a descoberta dos fósseis, tudo indica que a data de início se deu pelo menos 200 milhões de anos antes do que se pensava.
Mas, como é comum com descobertas desse tipo, não é todo mundo que concorda com o estudo apresentado pelos cientistas da Universidade Estadual da Virgínia. Há, por exemplo, quem defenda que as algas-verdes primeiro se desenvolveram em rios e lagos antes de se proliferarem pelos oceanos e, mais tarde, se mudarem para terra-firme. Nesse sentido, um levantamento genético apontou que as plantas aquáticas mais próximas das terrestres são as Zygnematophyceae – que habitam ambientes de água doce –, e não se pode descartar que essa classe de algas e as plantas terrestres tenham evoluído a partir de outro ancestral comum.
Outras pesquisas sugerem ainda que diversas espécies de algas foram evoluindo adaptações independentemente, enquanto faziam a transição de plantas aquáticas a terrestres, indicando que o processo não foi linear, mas sim convergente. Além disso, pesquisadores não envolvidos no estudo apontaram que é bastante difícil interpretar registros fósseis como esses, já que não se sabe quais espécies ainda existem e quais realmente foram extintas. Mesmo assim, a descoberta dos fósseis de 1 bilhão de anos é superimportante e os trabalhos com eles deve continuar.

quarta-feira, 25 de março de 2020

Sobre o Coronavírus e o COVID-19

Excelente link para texto completo que se atualiza a cada dia: www.em.com.br/app/noticia/nacional/2020/02/27/interna_nacional,1124795/tudo-sobre-o-coronavirus-covid-19-da-origem-a-chegada-ao-brasil.shtml

Alguns trechos:

O primeiro alerta do governo chinês sobre o surgimento de um novo coronavírus foi dado em 31 de dezembro de 2019. Na ocasião, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recebeu um comunicado sobre uma série de casos de pneumonia de origem desconhecida em Wuhan, cidade chinesa com 11 milhões de habitantes. Desde então, esse novo coronavírus, que recebeu o nome técnico Covid-19, matou milhares de pessoas na China e se espalhou por cinco continentes. O Ministério da Saúde confirmou em 26 de fevereiro o primeiro caso de coronavírus no Brasil. Centenas de pacientes com suspeita da doença estão em observação no país. Em 17/3, o Ministério da Saúde confirmou a primeira morte por coronavírus no Brasil.
Anunciadas em 9 de janeiro pela OMS e pelas autoridades chinesas, as primeiras análises sequenciais do vírus realizadas por equipes chinesas indicavam que esses casos de pneumonia se devia a um novo coronavírus. A primeira morte pelo coronavírus Covid-19 foi anunciada pelas autoridades chinesas em 11 de janeiro de 2020. Em 13 de janeiro, a OMS notificou o primeiro caso de uma pessoa infectada fora da China, na Tailândia: uma mulher com pneumonia leve que voltava de uma viagem a Wuhan.
A cronologia do coronavírus Covid-19 revela uma rápida disseminação mundial, que pressionou a OMS a decretar decretou emergência de saúde pública de interesse internacional no fim de janeiro. A medida é tomada quando um evento com implicações para a saúde pública ocorre de maneira inesperada e supera as fronteiras do país inicialmente afetado, demandando uma ação internacional imediata. 

O que é o coronavírus?
  • Coronavírus são uma grande família de vírus que infectam principalmente animais
  • Mas podem causar também infecções em seres humanos, com sintomas semelhantes aos resfriados ou gripes leves
  • Pode levar a complicações respiratórias em pessoas com o sistema imunológico enfraquecido
  • As infecções geralmente não são diagnosticadas por serem benignas, e se espera a cura instantânea
  • São transmitidos entre humanos por via aérea, contato com secreções ou objetos contaminados, principalmente no inverno
  • Dois coronavírus causaram epidemias graves e possivelmente mortais em humanos
  • A SARS, Síndrome Respiratória Aguda Grave foi responsável por uma epidemia mundial entre novembro de 2002 e julho de 2003
  • E a MERS, Síndrome Respiratória do Oriente Médio, identificada pela primeira vez em 2012
  • Em 2019 um novo coronavírus (Sars-CoV-2) foi identificado na China
  • Os principais sintomas são febre, tosse e dificuldade para respirar, além de dores no estômago
  • As duas síndromes tiveram origem em morcegos, na época um animal intermediário
  • No caso da SARS, a origem foi o gato de algália, consumido por humanos na China. No caso da MERS, um dromedário
  • Ainda não existem medicamentos para combater esse vírus.

Quais os sintomas de coronavírus
  • Febre
  • Tosse
  • Falta de ar e dificuldade para respirar
  • Problemas gástricos
  • Diarreia
  • Casos graves
  • Pneumonia
  • Síndrome respiratório agudo severo
  • Insuficiência renal

Período de incubação do Covid-19

O intervalo de tempo entre a infecção por um vírus e a manifestação de sintomas varia conforme o organismo. No caso do Covid-2019, a Organização Mundial da Saúde (OMS) diz que o período de incubação é de 14 dias, mas há casos, segundo pesquisadores chineses, que vão de 24 a 27 dias. Os pesquisadores consideram que o período médio de incubação é de cinco dias. Pode ser necessária uma quarentena superior ao intervalo de 14 dias. Pesquisadores brasileiros sequenciaram o genoma do coronavírus e descobriram como fazer um diagnóstico mais rápido da doença.
Em comparação com outras doenças, o ebola (característico do Oeste da África) tem período de incubação de dois a 21 dias. A Síndrome Respiratória do Oriente Médio (Mers-Cov), uma das mais letais surgidas nos últimos anos, tem incubação de 2 a 14 dias. A Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars-Cov) vai de três a 10 dias. O sarampo varia de 10 a 14 dias.

Taxa de mortalidade do novo coronavírus

A taxa de mortalidade do novo coronavírus em relação a outros vírus conhecidos por crises sanitárias em várias regiões do mundo é considerada baixa por especialistas. O Covid-19 tem taxa atual de 2,1% (valor que pode se alterar conforme a evolução do vírus). A letalidade da Sars, da Mers e do ebola são gradualmente muito superiores.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

Monoetilenoglicol e Dietilenoglicol encontrados na Cerveja Belorizontina

Mais uma substância tóxica foi encontrada na cerveja Belorizontina, da Backer, que é investigada pela contaminação na bebida e possível relação com a doença neufroneural que fez vítimas em Minas Gerais. 
Segundo divulgado pela Polícia Civil, foi encontrado o monoetilenoglicol ou etilenoglicol, como é conhecido, em amostras de cerveja recolhida na casa dos pacientes que estão internados. Foi encontrado mais dietilenoglicol do que monodietilenogicol. 
"A empresa trabalha com monoetilenoglicol, inclusive tem notas fiscais neste sentido. Foi encontrada a substância em  tanque de refrigeração e em um galão", afirma o delegado Wagner Pinto. 
Dietilenoglicol, uma outra substância também muito tóxica aos seres humanos, já tinha sido encontrada na Belorizontina e foi encontrada também no sangue de quatro pacientes internados. 
As duas substâncias são bem semelhantes. "O etilenoglicol (ou monoetilenoglicol) apresenta só dois grupos hidroxila e dois carbonos (HOCH2CH2OH), enquanto que o dietilenoglicol apresenta um grupo oxigenado éter a mais no centro da molécula e dois grupos hidroxila nas extremidades (HOCH2CH2OCH2CH2OH)", explica o professor Claudio Luis Donicci, do Departamento de Química da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). 

Entenda:

O que é o monoetilenoglicol ou etilenoglicol?
Substância usada principalmente como anticongelante. É incolor e tem gosto adocicado. Bem semelhante ao dietilenoglicol, porém com sutir diferenças. 

É usado no processo de produção da cerveja?
Não é natural que o monoetilenoglicol seja utilizado no processo de produção da cerveja. Ele não deve  ser colocado em produtos para consumo. A substância também é tóxica para o organismo com dose letal oral de 786 miligramas por quilo. Já para o dietilenoglicol a dose letal é de 0,014 mg a 0,170 miligrama por quilo, ou seja, esse segundo é muito mais letal que o monoetilenoglicol. 

Quais efeitos ele pode causar no corpo se for ingerido?
Ataca o sistema nervoso central e o sistema renal. A presidente da Sociedade Mineira de Nefrologia e professora da UFMG, Lílian Pires de Freitas explica que as diferenças da intoxicação de uma para a outra são bem sutis.
"Por dietilenoglicol o paciente tem sintomas neurológicos mais acentuados, já por etilenoglicol é possível perceber, por meio de biópsia, alterações renais, alguns cristais, que são específicas da contaminação por essa substância, mas basicamente os sintomas são bem parecidos", informou a professora. 
Quais as semelhanças entre o Dietilenoglicol e o Etilenoglicol?
Os dois têm um sabor adocicado e causam os mesmos sintomas no corpo, atacando o sistema nervoso e o sistema renal. 

domingo, 19 de janeiro de 2020

Vírus de origem chinesa pode ter infectado mais de mil de pessoas

O número de pessoas infectadas por um vírus que já matou duas pessoas na China ultrapassa, provavelmente, mil casos e é muito superior àquele informado pelas autoridades locais, segundo investigadores britânicos.
As autoridades chinesas disseram que o surto de pneumonia viral afetou pelo menos 41 pessoas e que o foco da epidemia está em Wuhan, uma cidade de 11 milhões de pessoas no centro da China.
Contudo, em artigo publicado por cientistas de um centro de pesquisa do Colégio Imperial de Ciência, Tecnologia e Medicina de Londres aponta que o número de pessoas infectadas na cidade chinesa e, provavelmente, muito superior.
Investigadores do Centro de Análise Global de Doenças Infeciosas, que aconselha instituições como a Organização Mundial de Saúde (OMS), estimam que "um total de 1.723 casos" em Wuhan apresentavam sintomas da doença desde 12 de janeiro.
Os cientistas usaram o número de casos detectados até agora fora da China - dois na Tailândia e um no Japão - para estimar o número de pessoas que provavelmente estão infetadas em Wuhan, com base em dados de voos internacionais que partem do aeroporto daquela cidade.
"Para Wuhan exportar três casos para outros países, deve haver muito mais casos do que o anunciado", disse o professor Neil Ferguson, um dos autores, à emissora pública britânica BBC.
"Estou muito mais preocupado do que estava há uma semana", acrescentou.
Em Hong Kong e em Macau, as autoridades intensificaram as medidas de detecção, que inclui um rigoroso controle de temperatura para viajantes e turistas. No antigo território administrado por Portugal, estas ações também ocorrem na entrada dos casinos, já que Macau recebe em média mais de três milhões de visitantes por mês.
Os Estados Unidos já anunciaram que vão começar a filtrar voos diretos de Wuhan para os aeroportos de São Francisco e Nova York, assim como em Los Angeles, onde há muitas conexões internacionais.
As autoridades internacionais de saúde já admitem que possa ter havido um caso de contágio entre pessoas no surto de pneumonia viral na China, mas afirmam que "não há uma indicação clara e sustentada de transmissão" entre humanos.
O Centro Europeu de Controle de Doenças afirmou também que é "impossível quantificar o potencial de transmissão entre humanos" deste novo vírus detectado na China.
São poucos os casos sem conexão direta com um mercado de marisco em Wuhan, mas as autoridades ainda desconhecem a fonte de infecção ou o modo de transmissão.
Esta semana, em Portugal, a Direção-Geral da Saúde garantiu que o surto de pneumonia viral na China já estaria contido, indicando que uma eventual propagação "não é uma hipótese neste momento a ser equacionada".
"Não temos que estar alarmados, é preciso é estarmos atentos", afirmou na quarta-feira a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, aos jornalistas, sublinhando que o coronavírus detetado na China não será transmissível de pessoa a pessoa.

domingo, 5 de janeiro de 2020

Entenda como funcionam os hormônios da felicidade no nosso cérebro

Resumo da Matéria: A dopamina, serotonina e adrenalina são neurotransmissores, substâncias químicas produzidas pelos neurônios, que regulam o humor e a liberação de alguns hormônios. Quando liberados no cérebro, dão sensação de bem-estar e felicidade. Saiba o que a ciência já descobriu sobre o assunto.
A dopamina, serotonina e adrenalina são neurotransmissores, substâncias químicas produzidas pelos neurônios, que regulam o humor e a liberação de alguns hormônios. Quando liberados no cérebro, dão sensação de bem-estar e felicidade.
Um artigo publicado em 2014 discutiu que há aspectos endógenos e externos (socioculturais, econômicos, geográficos, eventos da vida), que influenciam a felicidade. Entre os endógenos, há cinco fatores: genética, neurotransmissores cerebrais, hormônios e glândulas endócrinas, saúde física e biótipo.
Tem pessoas que possuem genes mais favoráveis à liberação de serotonina, ou seja, produzem mais serotonina. Mesmo que você seja uma pessoa que geneticamente produz menos serotonina, tudo bem. Isso só quer dizer que você vai precisar se esforçar mais para sentir-se feliz. Ter um gene favorável à produção de serotonina não determina que você será mais feliz, mas é uma constatação de que a genética influencia, sim, no seu estado de humor. Estudos com gêmeos sugerem que fatores genéticos influem 35-50% na felicidade.

Entenda como os hormônios da felicidade agem no nosso cérebro — Foto: Reprodução/ TV Globo

COMO LIBERAR OS NEUROTRANSMISSORES DO PRAZER?

1) Tenha pensamentos positivos: o pensamento positivo aumenta a liberação de endorfina, o que equilibra o sistema nervoso autônomo simpático e parassimpático e dá sensação de felicidade. Pensamento positivo não é só achar que tudo vai dar certo, mas pensar em algo que lhe traz felicidade, como um momento bom que teve no passado.
2) Faça atividade física: quando fazemos atividade física, o corpo libera dopamina, que dá motivação para correr mais; e serotonina que dá bem-estar mais prolongado. Vale lembrar que não funciona só se mexer de vez em quando! Se você tem dificuldade de fazer atividade sozinho, convide alguém para ir com você. Além de liberar dopamina, você ainda libera endorfina.
3) Socialize: ter relações de amizade e fazer atividades em grupo aumentam a liberação de endorfina.
4) Faça o bem: um estudo mostrou que comprar presentes para uma pessoa que precisa mantém a sensação de felicidade e bem-estar por mais tempo do que comprar presente para si próprio.
5) Coma chocolate: o chocolate tem teobromina, substância que aumenta a produção de dopamina. Só tome cuidado com exageros. Saiba que após comer, você vai sentir-se feliz, mas logo depois ficará com vontade de comer mais para manter a sensação de prazer, se tiver tendência a comportamentos de compulsão
6) Abrace: o abraço aumenta a ocitocina, que facilita relacionamentos e melhora comportamentos sociais. Aumenta conexões.
7) Ouça música: olhe fotos antigas e converse sobre momentos felizes do passado com amigos. Isso aumenta a serotonina.
8) Medite: os neurocientistas descobriram que monges que passam anos meditando apresentam um maior crescimento do córtex pré-frontal esquerdo, a principal parte do cérebro responsável pelo sentimento de felicidade. Mas não se preocupe. Você não precisa passar anos vivendo isolado e em silêncio como celibatário. Bastam cinco minutos por dia observando sua respiração. Enquanto faz isso tente ser paciente.

Outra matéria: Funções dos hormônios da felicidade

Todos os neurotransmissores atuam como mensageiros químicos, transportando, estimulando e equilibrando os sinais entre neurônios, células nervosas e outras células do corpo. Após a liberação, o neurotransmissor atravessa a lacuna entre as células e se liga a outro neurônio, estimulando ou inibindo o neurônio receptor, de acordo com a sua característica.
Além das sensações, eles podem afetar uma ampla variedade de funções físicas, incluindo frequência cardíaca, sono e apetite. Confira abaixo as principais funções de serotonina, endorfina, dopamina e ocitocina.

Serotonina
A serotonina é um neurotransmissor encontrado principalmente no sistema nervoso central (SNC), trato gastrointestinal e plaquetas. Pode soar estranho, mas a maior parte da serotonina utilizada pelo nosso corpo é produzida no intestino (saiba mais sobre a ligação entre intestino e funções cerebrais). A serotonina ajuda a equilibrar o humor e dá um impulso benéfico para a vida sexual, apetite, sono, memória, aprendizagem e temperatura. Além disso, media funções fisiológicas importantes, como os movimentos peristálticos, a manutenção da circulação sanguínea e a integridade cardiovascular.

Dopamina
A dopamina é mais conhecida por sua participação no ciclo de recompensa, estimulando nosso cérebro a completar tarefas. E é exatamente por causar sensação de prazer que sua liberação é estimulada por algumas drogas viciantes. Além disso, a dopamina atua no controle de movimentos, aprendizado, cognição e memória.

Endorfina
A endorfina atua como um poderoso analgésico, sendo liberada pelo organismo em situações de dor e estresse. Ao atuar nas células nervosas específicas, nos faz sentir menos desconforto. Além disso, ela ajuda a controlar a resposta do corpo ao estresse. Pesquisas apontam ainda potencial para inibir o crescimento de células cancerígenas e equilibrar a produção de outros hormônios.

Ocitocina
A ocitocina tem ligação com reduções de ansiedade e sentimentos de calma e segurança, o que a fez ser classificada como o “hormônio do amor”. Muitas pesquisas também indicam a ligação entre a ocitocina e a saúde sexual, potencializando o desejo sexual feminino e o orgasmo masculino. Ela também está presente na hora do parto, estimulando as contrações do útero e a liberação do primeiro leite. Outros estudos apontam poder de diminuir a memória de experiências ruins e melhorar o processamento de informações sociais.

Links para as matérias completas:





quinta-feira, 4 de julho de 2019

ORIENTAÇÕES ERRADAS: IMPRESSIONANTE A IGNORÂNCIA (ou será má-fé?).

É impressionante como grandes cursinhos e até grandes jornais cometem o erro absurdo de sugerir que temas desses últimos dias (ou do último ano) possam estar presentes em peso na prova do ENEM. É desconhecer que as questões são elaboradas em um ano, pré-testadas em outro (com alunos do Segundo Ano do Ensino Médio e calouros das universidades) e então PODEM ser aplicadas dois anos depois (para não favorecer os alunos que participaram do pré-teste). 
A lógica é essa e se consolidou depois da fraude envolvendo o Colégio Christus, de Fortaleza (quando a prova de pré-teste foi xerocada e utilizada em um simulado... 14 questões caíram na prova).
Tire a prova do que estamos falando e verifique as provas dos últimos ENEMs. Observe que as referências bibliográficas citadas nas questões geralmente são anteriores a 3 anos!!! 
Óbvio que sempre há a possibilidade de haver uma questão pré-testada no acervo ou banco de questões sobre impactos ambientais de mineradoras e esta questão "associar-se" ao Caso de Brumadinho, por exemplo, ou a necessidade de acordo entre Mercosul/União Europeia ou aproximação EUA/Coreia do Norte. Mas do jeito como a coisa é exposta, e no momento que é colocada (veja AQUI um texto de 2 de julho de 2019 com este grave defeito), parece que se o aluno começar a assistir noticiário hoje (em que a prova já está pronta!) ele vai se dar bem com o "temas quentes" que vai ver a partir desta data! Lamentável esse desserviço.
Para criar um repositório de temas prováveis (especialmente de Ciências da Natureza) é que existe este blog, uma coletânea de notícias ano após ano... notícias que poderão aparecer nas provas do ENEM pois inspiraram elaboração de questões no prazo acima considerado.
Melhor sugerir que os estudantes comecem a se interessar por noticiários no oitavo ou nono anos do Ensino Fundamental e, a partir daí, construírem suas posições e considerações a respeito dos temas que surgem ano a ano no noticiário.

Ramon Lamar de Oliveira Junior
www.nucleopv.blogspot.com

Governo deverá promover feiras de ciência nas escolas todos os anos

O governo federal deverá promover todos os anos, em parceria com os governos estaduais, feiras de ciência e tecnologia envolvendo as escolas públicas de ensino médio e fundamental. É o que determina relatório do senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) ao PLS 360/2017, aprovado nesta terça-feira (2) na Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE). A análise do projeto já pode seguir para a Câmara dos Deputados, a menos que haja recurso pedindo análise no Plenário do Senado.
O projeto original, da senadora Maria do Carmo Alves (DEM-SE), propunha a promoção das feiras de ciências no ensino médio. O relator, porém, alterou o texto para estender o incentivo também ao ensino fundamental.
— É preciso dinamizar o ensino de ciências no Brasil e aproveitar os espaços didático-pedagógicos para desenvolver nos estudantes não somente o gosto pelo método científico, mas também competências fundamentais para o trabalho, ligadas à inovação e ao senso crítico. E as feiras de ciência e tecnologia são instrumentos preciosos, pois atuam em duas frentes: ao mesmo tempo em que contribuem para a formação dos estudantes, também oferecem espaço para a disseminação da produção de iniciação à educação científica, promovendo pesquisa e inovação — afirmou o senador na leitura de seu relatório na comissão, em 4 de junho.
Alessandro ainda mencionou que o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) já lança editais visando conceder recursos para a realização de feiras científicas, tanto em nível médio como fundamental.

Fenômeno nos EUA
A autora do projeto lembrou que as feiras educacionais de ciência e tecnologia são um fenômeno de grande popularidade nos Estados Unidos.
“Nos EUA, a Intel ISEF (International Science and Engineering Fair), mostra de trabalhos científicos do ensino médio, ocorre desde 1950. O evento tem o objetivo de incentivar a pesquisa científica entre estudantes pré-universitários. Todos os anos, milhares de estudantes dos 50 estados americanos e de outros 75 países têm a oportunidade de expor trabalhos científicos e concorrer a US$ 4 milhões em prêmios. Já no Brasil, infelizmente, as feiras científicas e tecnológicas ainda constituem um fenômeno pouco comum no cotidiano escolar”, lamentou Maria do Carmo na justificativa da proposta.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

sábado, 29 de junho de 2019

Ranking aponta que Brasil usa menos agrotóxico que a Europa

Resumo: Classificação da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), coloca o Brasil como o 44º maior usuário global de agrotóxicos, atrás de países da Europa, como Bélgica, Itália, Irlanda, Portugal e Suíça. Os dados do serviço estatístico da FAO, divulgados pelo Ministério da Agricultura, apontam uma aplicação média de 4,31 quilos por hectare em 2016, ano usado como referência.
O ranking reúne informações de 245 países com base em dados coletados desde 1961. Atrás do Brasil, estão Alemanha, França e Espanha. Considerando o critério de consumo pela produção, o Brasil está em 58º lugar, com um índice de 0,28 quilo por tonelada de produtos agrícolas. De acordo com o Ministério da Agricultura, nessa classificação, o Brasil aparece à frente de países como Portugal, Itália, Eslovênia, Espanha e França.
“O consumo de defensivos no Brasil é influenciado pela ocorrência de duas ou três safras ao ano (cultivos de inverno e safrinha). Por causa disso, aqui é preciso usar defensivos para o controle de pragas mesmo em safras de inverno e na safrinha, pois não há quebra do ciclo de reprodução, em função das condições tropicais da agricultura brasileira, enquanto que em regiões de clima temperado as pragas são inativadas nos períodos de frio”, diz a nota do Ministério.

Link para texto completo: 

sábado, 22 de junho de 2019

Projeto simula clima da Amazônia em 2100 e futuro de peixes, plantas e insetos

Resumo: Peixes que precisam comer mais para manter sua taxa de crescimento e outros que correm risco de extinção, mosquitos que se reproduzem mais rapidamente e plantas que capturam menos dióxido de carbono (CO2).
Esses são alguns dos resultados do projeto Adaptações da Biota Aquática da Amazônia (Adapta), do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (Inpa), que criou microcosmos em quatro salas com 25 metros cúbicos simulando as condições climáticas do ano de 2100 seguindo as previsões do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) para temperatura, concentração de CO2 e umidade relativa do ar.
Essas previsões do IPCC antecipam um aumento nas temperaturas de 1,5°C a 7°C em algumas regiões amazônicas durante o século 21.
São mudanças que podem interromper os padrões atuais de distribuição de organismos, como peixes, mosquitos e plantas. Foi para tentar prever como isso poderá ocorrer com algumas espécies que foram criados os microcosmos do projeto Adapta.
A primeira sala serve de controle e reproduz o clima atual da Floresta Amazônica. "A segunda simula o ambiente brando do IPCC, com uma concentração de 250 partes por milhão (ppm) de CO2 mais alta que a de hoje e 1ºC mais quente", explica o pesquisador Alberto Luís Val, do Inpa, coordenador do projeto.
"Na sala 3 (intermediária) há mais CO2 e mais 2,5°C de temperatura. Por fim, na quarta, o ambiente é drástico, com 850 ppm de dióxido de carbono acima dos níveis atuais e de 4°C a 4,5°C mais quente. Em todas, a umidade relativa do ar é mantida entre 80% e 90%."
Nas simulações, esses dados (temperatura, CO2 e umidade) são coletados em tempo real por sensores em uma torre instalada em uma reserva florestal próxima ao Inpa, em Manaus. Eles são enviados, a cada dois minutos, para os computadores do instituto, que acionam máquinas em cada microcosmo para simular as condições climáticas previstas para 2100.
Nas salas, existem aquários com peixes, gaiolas com mosquitos transmissores de doenças, como malária e dengue, por exemplo, e plantas que permanecem no ambiente por períodos variáveis, podendo chegar a seis meses, dependendo do experimento.

sexta-feira, 21 de junho de 2019

Cientistas dizem que uso de celular pode criar protuberância no crânio

Uma pesquisa de uma dupla de cientistas australianos aponta que jovens que ficam muito tempo com a cabeça dobrada para baixo, em uma posição comum para olhar a tela do celular, podem desenvolver uma protuberância na parte de trás do crânio.  O crescimento é comparável a um calo, e fica na parte de trás, na junção entre o crânio e o pescoço.
Os pesquisadores são David Shahar e Mark Sayers, da Universidade de Sunshine Coast, em Queensland, na Austrália. Na mídia da Austrália, a pesquisa tem sido noticiada como o desenvolvimento de um chifre na parte de trás do crânio desenvolvido por causa do celular.
Shahar e Sayers afirmam que a prevalência dessa protuberância em jovens adultos aponta para uma mudança na postura das pessoas que foi causada pelo uso de tecnologia.
Smartphones e outros aparelho estão contorcendo a forma humana, de acordo com eles, porque os usuários precisam curvar a cabeça para a frente.
Os cientistas disseram que a descoberta marca a primeira documentação física de adaptação à presença de tecnologia no cotidiano.

Reportagem contesta anúncio de descoberta
A conclusão da pesquisa foi contestada em um texto do “New York Times”. Um dos autores é profissional de quiropraxia, e o outro, professor de biomecânica.Especialistas consultados pelo jornal apontam algumas questões sobre o estudo: ele usa raios-x antigos, não tem um grupo de controle e não provou causa e efeito e, além disso, tem como base pacientes que já tinham problemas (e, por isso, procuraram um profissional de quiropraxia).
Ficar com a cabeça dobrada pode, em teoria, formar uma saliência, de acordo com um pesquisador entrevistado pelo “New York Times”.

A mãe que perdeu 2 filhos para o sarampo por acreditar em 'fake news' sobre vacinas

Resumo: As Filipinas vivem um surto de sarampo. Mais de 35 mil pessoas foram infectadas e quase 500 morreram desde o começo do ano.
Arlyn B. Calos perdeu dois filhos por causa da doença, no intervalo de uma semana, no ano passado. Ela conta que não vacinou as crianças porque havia lido notícias falsas dizendo que a vacina fazia muito mal. "Sinto raiva, porque eu não deveria ter dado ouvidos à TV e ao Facebook." "Deveria ter protegido meus filhos, assim eles não teriam pegado sarampo", desabafa.
Há uma vacina segura e efetiva disponível. Mas controvérsias a respeito de uma nova vacina contra a dengue, chamada Dengvaxia, espalharam informações incorretas e sensacionalistas. "Nas notícias e até no Facebook diziam que muitas crianças morreram. Por isso, eu tinha medo de vaciná-los." Embora haja investigações em curso sobre a Dengxavia, não foi comprovada a relação entre a vacina e mortes de crianças.

domingo, 16 de junho de 2019

O que é antimatéria e por que é o material mais caro do mundo?

Link para texto completo: https://noticias.uol.com.br/ciencia/ultimas-noticias/redacao/2019/06/16/o-que-e-antimateria-e-por-que-e-o-material-mais-caro-do-mundo.htm

Resumo: O primeiro passo para entender a antimatéria é saber que nós e tudo que nos rodeia (plantas, estrelas, planetas e os nossos órgãos, por exemplo) é constituído por matéria. A astrônoma Angela Cristina Krabbe, professora da Universidade do Vale do Paraíba, explica que a matéria é formada por átomos, que, por sua vez, são compostos de elétrons (de carga negativa), prótons (positiva) e nêutrons (neutra). 
Isso era o que os cientistas acreditavam até 1928, quando o físico britânico Paul Dirac demonstrou a existência de algo oposto à matéria: a antimatéria. A descoberta foi tão significativa que Dirac acabou levando o Nobel de Física por isso. Isso significa que "toda partícula tem uma espécie de gêmea correspondente na natureza", explica Eduardo Sato, doutorando no Instituto de Física da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Nesse sentido, os "gêmeos" dos elétrons são os anti-elétrons, partículas que se comportam de forma parecida e têm carga oposta. Eles são chamados de pósitrons e, mesmo que a gente não veja, já topamos com algum deles por aí. Quer um exemplo? Uma banana emite, em média, um pósitron a cada 75 minutos, diz Sato. Rapidamente, ele encontra um elétron, o que leva à aniquilação dos dois. 

sexta-feira, 14 de junho de 2019

Cura da AIDS por transplante de medula óssea

Resumo: Uma doença quase 100% fatal. Assim era a Aids, quando a epidemia surgiu, no começo dos anos 80. Um diagnóstico positivo para o vírus HIV era quase uma sentença de morte. Agora, quase 40 anos depois, as notícias são bem melhores.
Nesta semana (março de 2019), numa das revistas científicas mais importantes do mundo e num congresso em Seattle, nos Estados Unidos, foi anunciada a cura de um paciente com o HIV. É apenas a segunda vez na história em que um paciente fica livre do HIV. A primeira foi há 12 anos.
No caso anunciado esta semana, o câncer hematológico, ou seja, câncer do sangue, era um linfoma, num paciente que também tinha o HIV. O que se fez foi um transplante de medula óssea - para curar o linfoma e que acabou curando a Aids também. No transplante, os médicos primeiro retiram a medula óssea de um doador. Depois, num procedimento muito agressivo, destroem o sistema imune do receptor.

Outros links sobre o tema:


terça-feira, 14 de maio de 2019

Minifígado e mini-intestino poderão reduzir testes em animais


Resumo: Os camundongos podem começar a comemorar, porque cientistas brasileiros conseguiram testar os efeitos de uma droga em um miniorganismo que reproduz o funcionamento de órgãos humanos. A longo prazo, isso pode levar à redução nos testes com animais.
O dispositivo possui um mini-intestino e um minifígado e simula suas interações. Também há uma espécie de circulação sanguínea, com parâmetros semelhantes à do corpo humano, como o controle de oxigenação e temperatura. 
"Construímos o sistema em forma de esferas e deixamos as células livres para se auto-organizarem", diz Talita Marin, cientista do Cnpem (Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais) responsável pela pesquisa. Os órgãos são chamados de organoides, basicamente um tecido humano tridimensional que exerce a função principal de um determinado órgão. 

segunda-feira, 6 de maio de 2019

Mais de 1 milhão de espécies estão em risco de extinção, diz ONU

Link para texto completo: www1.folha.uol.com.br/ambiente/2019/05/extincao-acelera-e-1-milhao-de-especies-estao-ameacadas-diz-onu.shtml

Resumo: Os seres humanos estão alterando as paisagens naturais da Terra de forma tão dramática que agora há pelo menos 1 milhão de espécies de animais e plantas em risco de extinção, o que representa grave ameaça a ecossistemas de que povos de todo o mundo dependem para sua sobrevivência, de acordo com um novo e abrangente panorama publicado pelas Nações Unidas. 
O relatório de 1.500 mil páginas, compilado por importantes especialistas internacionais e baseado em milhares de estudos científicos, representa a observação mais abrangente até o momento quanto ao declínio da biodiversidade em todo o planeta e o risco que isso acarreta para a civilização humana. 
Um sumário das constatações, aprovadas por representantes dos Estados Unidos e 131 outros países, foi divulgado na segunda-feira em Paris. O relatório completo deve ser lançado neste ano. 
As conclusões são sombrias. Na maior parte dos habitats terrestres, das savanas da África às florestas tropicais da América do Sul, a abundância média de vida animal e vegetal caiu em 20% ou mais nos últimos cem anos. Com a população humana ultrapassando os sete bilhões, atividades como a agricultura, exploração madeireira, caça clandestina, pesca e mineração estão alterando o mundo natural "em ritmo sem precedentes na história humana". 
Ao mesmo tempo, uma nova ameaça está emergindo. O aquecimento global se se tornou grande propulsor do declínio na vida natural, constatou a avaliação, ao mudar os climas naturais nos quais muitos mamíferos, aves, insetos, peixes e plantas evoluíram e aprenderam a sobreviver. 

terça-feira, 16 de abril de 2019

Entenda como foi feita a primeira imagem de um buraco negro

Resumo: Duzentos e sete pesquisadores ao redor do mundo trabalharam no projeto. Brasileira de 28 anos desenvolveu simulações do que poderia ser a imagem final.

Link para a matéria e vídeo do site do FANTÁSTICO: 

Outros links sobre o assunto:

Primeira foto de um buraco negro é revelada nesta quarta-feira.

1ª foto de buraco negro confirma teoria da relatividade.

terça-feira, 9 de abril de 2019

Baleia é encontrada morta com feto e 22 quilos de lixo no estômago na Itália

Link para texto completo:  https://ultimosegundo.ig.com.br/ciencia/meioambiente/2019-04-08/baleia-e-encontrada-morta-com-feto-e-22-quilos-de-lixo-no-estomago-na-italia.html

Resumo: Biólogos italianos estão intrigados depois de que uma baleia foi encontrada morta em uma praia de Sardenha, no litoral da Itália, na última semana. Na análise do corpo do animal foi encontrado um feto em estado de decomposição e cerca de 22 quilos de lixo dentro do estômago.
O caso está sendo acompanhado pela SeaMe, uma organização sem fins lucrativos que trabalha apenas na preservação e atenção às espécies da vida marinha. Biólogos da ONG foram deslocados até Sardenha para fazer registros da baleia após relatos de frequentadores da praia.

sábado, 23 de fevereiro de 2019

Carbono visto em ligação com seis outros átomos pela primeira vez

Link para matéria completa: http://socientifica.com.br/2017/01/carbono-visto-em-ligacao-com-seis-outros-atomos-pela-primeira-vez/?fbclid=IwAR1OHkjsx-lLQWXs8fS0J6V2ImvsM2L0rNxiXQEA4BmQnTZrlayo3EgVUs0

Resumo: Os químicos sempre estão fascinados em encontrar exceções a regras clássicas como a tetravalência do carbono. Uma molécula de carbono em forma de pirâmide que contradiz uma das lições básicas de química que aprendemos na escola foi estudada pela primeira vez. Ela contém um átomo de carbono que se liga a seis outros átomos em vez dos quatro que nos foi dito para os quais o carbono está limitado.
O cátion hexametilbenzeno, preparado pela primeira vez em 1973, era forte candidato a possuir um átomo de carbono hexacoordenado, com o anel não planar como no caso do benzeno. Pela primeira vez cientistas verificaram uma estrutura cristalina indiscutível contendo o dicátion (carga +2) do hexametilbenzeno, confirmando que essa espécie possui uma estrutura não-clássica, com um átomo de carbono fazendo seis ligações.
Tipicamente, este composto se assemelha a um timão, consistindo de seis átomos de carbono dispostos em um anel hexagonal, com braços de átomo de carbono extra projetando-se da borda externa do anel. Em um experimento em 1973, químicos alemães retiraram dois dos elétrons do composto, e esse experimento sugeriu, então, que a versão carregada positivamente entrou em colapso sobre si mesma e deu forma a uma pirâmide. “Nesta disposição, há seis elétrons disponíveis para conectar o topo da pirâmide para os cinco carbonos no resto do anel e o braço extra”, Malischewski diz. Mas ninguém havia verificou a forma da molécula, até agora.
O pentagrama piramidal do dicátion hexametilbenzeno tem um arranjo incomum, instável, que existe somente em baixas temperaturas dentro de líquidos extremamente ácidos. Assim, Malischewski passou seis meses mexendo com um ácido potente para produzir o composto e obter alguns miligramas de cristais que poderiam então ser vistos usando raios-X. Foi aí que padrão de difração de raios X mostrou a inconfundível forma piramidal de cinco lados.

sábado, 22 de dezembro de 2018

Rio: 20 mil toneladas de peixes mortos são retiradas da Lagoa Rodrigo de Freitas

Link para o texto completo: https://ultimosegundo.ig.com.br/ciencia/meioambiente/2018-12-21/lagoa-rodrigo-de-freitas-peixes-mortos-sao-retirados.html

Resumo: A grande quantidade de peixes mortos boiando chamou a atenção de quem estava passando pelo local. Para tentar melhorar a qualidade da água, a Prefeitura do Rio, que está monitorado a situação, abriu as comportas d’água da Lagoa Rodrigo de Freitas .
De acordo com o biólogo Mario Moscatelli, que estuda as lagoas do Rio, as mortes dos peixes podem ter sido causadas por um conjunto de fatores, mas o forte calor na cidade foi um importante contribuinte para a tragédia ambiental .
Moscatelli relatou que os peixes mortos na lagoa pareciam que estavam em “banho-maria”. “A água estava quente, extremamente quente, e água quente não é muito bom, porque ela reduz a concentração de oxigênio”, explicou. Além disso, o lançamento de esgoto no rio e o assoreamento do canal do Jardim de Alah impede que aconteça a troca de água.
Segundo o último boletim de gestão ambiental da Lagoa Rodrigo de Freitas , o nível de oxigênio no local é crítico, chegando a quase zero.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Estudo de químicos de Harvard ajuda a explicar a origem da vida

Link para matéria completa: https://exame.com/ciencia/estudo-de-quimicos-de-harvard-ajuda-a-explicar-a-origem-da-vida/

Resumo: Ainda falta muito para a ciência entender, de fato, como se originou a vida no planeta Terra. Em se tratando de algo tão importante, cada passo dado em direção a uma descoberta concreta é relevante. No último mês de outubro, químicos da Universidade de Harvard publicaram um artigo em que dizem estar mais próximos de saber de onde viemos.

No campo científico, várias teorias já foram elaboradas para explicar como a vida surgiu. A mais popular é conhecida como hipótese do Mundo de RNA, que afirma que, em um certo momento, os elementos químicos se combinaram para formar filamentos de RNA, que se replicaram e foram se tornando mais complexos até formarem a primeira membrana celular.

A ambição dos químicos que estudam a área é conseguir replicar as quatro bases nitrogenadas que compõem o RNA - adenina, guanina, citosina e uracila - em condições semelhante às do planeta há quatro bilhões de anos. Segundo os pesquisadores de Harvard, um progresso considerável já foi feito com a síntese de citosina e uracila, como informa o site de divulgação científica IFLScience.

Porém, adenina e guanina apresentam uma complexidade maior para serem produzidas, o que cria uma lacuna na teoria adotada até agora. Para explicar o surgimento do RNA, os cientistas partiram para a hipótese de que as formas originais de RNA não eram compostas pelas quatro bases, tendo começado com algo mais simples.

Estudo sugere participação de uma molécula mais simples

As moléculas usadas no estudo pertencem a uma classe chamada 8-oxo-purinas, semelhantes às encontradas no RNA, mas mais fáceis de serem produzidas. Assim, uma molécula chamada inosina serviu como substituta da guanosina (um composto de guanina), comportando-se bem quanto à capacidade de replicar o RNA com a precisão necessária.

Os pesquisadores informam no estudo que ainda não conseguiram produzir a inosina de maneira não-biológica, o que poderia nos tornar ainda mais próximos de uma versão definitiva para a origem da vida. Mesmo assim, os resultados são animadores para a comunidade científica. O próximo passo é investigar a formação da adenina, tida como um meio possível de origem da inosina.

segunda-feira, 2 de julho de 2018

No Brasil, áreas com mais picadas de cobra têm acesso difícil a soro


Trecho: O antídoto para veneno de cobras produzido no Brasil, distribuído por órgãos do Ministério da Saúde, é líquido e precisa ser preservado em baixas temperaturas. Em todas as áreas onde não há energia elétrica para manter um refrigerador, o soro antiofídico não está disponível. 
E esse é o caso da maioria das comunidades amazônicas, onde ocorrem 35% de todos os chamados acidentes ofídicos, as picadas de cobra. Outros países da região, como Colômbia, México e Costa Rica, produzem soro em pó, que o Brasil não importa. 
O problema não acomete só índios e nem é exclusividade brasileira. No ano passado, a Organização Mundial de Saúde declarou as picadas de cobra doença tropical negligenciada, definição para problemas sanitários que poderiam ser resolvidos, mas que não recebem a atenção devida.
A resolução da OMS, ratificada pela Assembleia Mundial de Saúde no último dia 24 de maio, em Genebra (Suíça), teve apoio do governo brasileiro que, no entanto, é acusado internamente de negligenciar o tratamento do problema. 
As estatísticas oficiais apontam que, a cada ano, 30 mil brasileiros são vítimas de picadas de cobra, 10,5 mil na Amazônia. Das vítimas, cerca de 2 mil têm reações graves e 300 morrem. A pequena proporção de óbitos esconde um elevado número de amputações e paralisias provocadas pelo envenenamento, frequentemente pela dificuldade para administrar o soro. 
No mundo, são 2,5 milhões de casos anuais de envenenamentos por mordidas de serpentes, que causam 125 mil mortes e deixam outras 400 mil pessoas com sequelas físicas ou psicológicas, informou à Folha o pesquisador José María Gutierrez, representante da Costa Rica que foi um dos principais responsáveis pelos documentos que levaram à resolução da OMS. (...)
O soro antiofídico disponibilizado no Brasil pelo Programa Nacional de Imunização (PNI) do Ministério da Saúde é comprado de três laboratórios públicos, sendo o maior deles o paulista Butantan, responsável por metade da produção nacional. O Instituto Vital Brazil (Niterói, RI) e a Fundação Ezequiel Dias (Belo Horizonte, MG) são responsáveis pelos outros 50%. 


sexta-feira, 20 de abril de 2018

A enzima comedora de plástico que pode revolucionar processo de reciclagem

Link para texto completo: www.bbc.com/portuguese/geral-43804460

Trecho: Cientistas britânicos aperfeiçoaram uma enzima natural que pode digerir alguns dos plásticos mais poluentes do mundo. O tipo PET, mais comum em garrafas plásticas, leva centenas de anos para se decompor no meio ambiente. A enzima modificada, conhecida como PETase, pode começar a desintegrar o mesmo material em apenas alguns dias. 
Isso poderia revolucionar o processo de reciclagem, permitindo que os plásticos sejam reutilizados de forma mais eficaz. O Reino Unido usa cerca de 13 bilhões de garrafas plásticas por ano, das quais três bilhões não são recicladas.
Originalmente descoberta no Japão, a enzima é produzida por uma bactéria que "come" o PET. A Ideonella sakaiensis usa o plástico como sua principal fonte de energia.Pesquisadores relataram em 2016 que encontraram a cepa vivendo em sedimentos em um local de reciclagem de garrafas na cidade portuária de Sakai, no sul do Japão.
“O PET passou a existir em grandes quantidades nos últimos 50 anos, então não se trata de uma escala de tempo muito longa para uma bactéria evoluir para comer algo criado pelo homem”, diz o professor John McGeehan, da Universidade de Portsmouth, no Reino Unido, que participou do estudo.
Poliésteres, o grupo de plásticos a que o PET (também chamado polietileno tereftalato) pertence, existem na natureza. "Eles protegem as folhas das plantas", explica McGeehan. "As bactérias estão evoluindo há milhões de anos para comê-los".

sábado, 14 de abril de 2018

Pesquisadores da UFMG descobrem o maior vírus do mundo

Link para notícia completa: www.g1.globo.com/mg/minas-gerais/noticia/pesquisadores-da-ufmg-descobrem-o-maior-virus-do-mundo.ghtml

Trecho da notícia e comentários em vermelho: O maior vírus do mundo foi descoberto por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Chamado de tupanvirus, ele não faz mal a seres humanos e pode, no futuro, ajudar a diagnosticar várias doenças.
Amostras de sedimentos da Bacia de Campos, no Rio de Janeiro e de lagoas salinas no Pantanal, em Mato Grosso do Sul, foram analisadas em laboratório. “A gente nunca imaginava que pudesse ser tão diferente, que pudesse ser tão grandioso o vírus que a gente conseguiu isolar. Então, assim, foi sensacional ver pela primeira vez aquele vírus todo diferente, com uma cauda, que nunca tinha sido descrito, daquele tamanho”, disse a pesquisadora Thalita Arantes.
Os supervírus são os maiores já encontrados no planeta. São dois muito semelhantes e que parecem microfones peludos. A descoberta foi publicada na revista científica britânica Nature Communications. “Quando nós fizemos o sequenciamento completo, nós percebemos que, além da estrutura, que já era fantástica, o genoma era fantástico. Codificava genes (proteínas, né?) nunca vistos antes no planeta. E cerca de 30% dos genes eram completamente novos”, disse o professor Jônatas Abrahão, professor pesquisador da UFMG.
Segundo os pesquisadores, os novos vírus chegam a ser 50 vezes maiores que os comuns. Os da dengue, zika e febre amarela são pequenininhos como uma cabeça de alfinete (Péssima frase. Os vírus são muito muito muito menores que uma cabeça de alfinete. Só são visíveis ao Microscópio Eletrônico.). Depois de três anos de estudo, a equipe descobriu que esses gigantes têm carga genética complexa, o que é de grande interesse científico (Carga genética é um termo incorreto. O correto seria dizer informação ou conteúdo genético. Carga genética se refere ao conjunto de genes "ruins" ou deletérios presentes em um organismo.).
Os supervírus são capazes de produzir proteínas, elementos biológicos bastante usados na identificação de doenças. (Ops... capazes de produzir proteínas durante o ato de parasitismo, né? Usando a maquinaria de síntese da célula hospedeira. Se produz proteína sozinho, então não seria um vírus.) Esse é o próximo passo da pesquisa do tupan.
“A produção de proteínas é importante pra uma série de testes de diagnóstico pra doenças infecciosas. Então, alguns testes por exemplo pra detecção de anticorpos em pacientes que já tiveram dengue, já tiveram zika ou até mesmo febre amarela muitos são baseados na presença de proteínas”, explicou o professor Jônatas Abrahão.
Os pesquisadores alertam que ninguém precisa ter medo do vírus gigante. Já está comprovado que ele não infecta seres humanos, e é uma grande conquista para a ciência.



TEXTO DO LINK ACIMA (Texto bom para uma prova da Faculdade de Ciências Médicas, por exemplo.)

These Viruses Found in Brazil Are So Huge They're Challenging What We Think a 'Virus' Is
This could change everything.

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Scientists have discovered two new kinds of virus in Brazil that display such size and genetic complexity we may need to rethink exactly what viruses are, scientists say.
The two new strains – dubbed Tupanvirus, after the Brazilian thunder god Tupã in Guaraní mythology – are as prodigious as their namesake, and while they're not a threat to humans, their existence further challenges the scientific boundaries that define what a virus is.
Tupanvirus soda lake and Tupanvirus deep ocean, both named in relation to the extreme aquatic habitats in which they were discovered, aren't just among the largest viruses ever found – they also contain the most protein-making machinery of any virus discovered to date.
The strains, whose optically visible tailed forms can reach lengths of up to 2.3 micrometres, comprise some 1.5 million base pairs of DNA, with enough protein-coding genes to produce up to 1,425 kinds of proteins.
In terms of protein synthesis, this gives them the "largest translational apparatus within the known virosphere", explains a research team led by virologist Bernard La Scola from Aix-Marseille University in France.
This apparatus puts Tupanvirus in the virus family of Mimiviridae, named after Mimivirus, which was identified in 2003 - at the time it was the virus with the largest capsid diameter ever discovered, among other notable attributes.
Before Mimivirus, viruses were largely considered wholly separate from 'living' creatures, with their inability to synthesise proteins (and thus produce their own energy) being one of the reasons scientists excluded them from being classified among cellular life.
But Mimivirus's genetic complexity – and that of other giant viruses that have subsequently been discovered – challenges this theoretical boundary, because they carry genes capable of things like DNA repair, DNA replication, transcription, and translation.
"With the discovery of superviruses, we have seen that these genes may be present in viral genomes," one of the team behind the Tupanvirus study, Jônatas Abrahão, told Brazilian newspaper Estadão in Portuguese.
"This characteristic changes the notion we have of the distinction between viruses and organisms formed by cells."
And the more we learn about giant viruses, the more we learn what they're capable of.
The Tupanvirus strains don't just hold a (nearly) complete set of genes necessary for protein production – about 30 percent of their genome is unknown to science, being as yet undiscovered within the domains of archea, bacteria, and eukarya.
Obviously, there's still a lot to learn about Tupanvirus and giant viruses in general, but the good news is, this new entity – whatever it exactly should be classified as – is no threat to humans, only amoebae.
But if you're an amoeba, we have bad news.
"Like other giant viruses that have been discovered in the past, Tupanvirus infects amoebae," Abrahão says.
"The difference is that it is much more generalist: unlike the others, it is capable of infecting different types of amoebae."
The findings are reported in Nature Communications.

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Mais de 300 pessoas morreram por febre amarela, diz Ministério da Saúde

Link para matéria completa: http://saude.ig.com.br/2018-04-13/febre-amarela-mortes-brasil.html

Trecho da matéria: 

Último relatório informado pela pasta aponta que desde julho de 2017 foram confirmados 1.127 casos da doença e 331 mortes; vacina é maneira mais eficaz de proteger população contra a doença, ressalta Ministério da Saúde.

Cobertura da vacina contra febre amarela está abaixo do esperado, 
que é de 95%, na Bahia, São Paulo e Rio de Janeiro.

Desde o dia 1º de julho de 2017 até 10 de abril de 2018, o Ministério da Saúde contabilizou 331 mortes por febre amarela. Até o momento, foram 1.127 casos da doença confirmados, com 1.119 casos ainda sendo investigados.
Em comparação com o mesmo período do ano passado, foram 712 casos da doença e 228 óbitos registrados por conta da febre amarela . O que significa um aumento de 58% na incidência da infecção.
Em resposta a essa alta, o Ministério ressalta que “o vírus hoje circula em regiões metropolitanas do país com maior contingente populacional, atingindo 35,6 milhões de pessoas que moram, inclusive, em áreas que nunca tiveram recomendação de vacina . Na sazonalidade passada, por exemplo, o surto atingiu uma população de 11,2 milhões de pessoas”.
Para proteger a população, a pasta reforça que a única maneira de garantir a segurança de todos é por meio da vacina. Postos de vacinação estão à disposição para garantir a imunização nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia.
Entre os estados com maior número de casos, Minas Gerais segue em primeiro lugar, com 480 confirmações da condição. Logo depois vem São Paulo, com 453 casos e, em seguida, Rio de Janeiro com 187 casos.

Campanha de vacinação
Segundo o boletim epidemiológico publicado nesta quarta-feira (11), que traz as informações enviadas pelos gestores locais, os três estados ainda estão com a cobertura bem abaixo da meta, que é 95%.
A cobertura da campanha em curso no Rio de Janeiro está com 40,9%, a Bahia está com 55% e São Paulo com 52,4% da população-alvo vacinada. A vacina está disponível nos postos de saúde. O período de alta da doença segue até maio. Ao todo, a campanha nesses estados busca imunizar 23,8 milhões de pessoas.
As informações competem às 77 cidades que fizeram parte da campanha com estratégia de fracionamento e a ampliação para mais 52 municípios de São Paulo. Esses municípios devem continuar vacinando a população com a dose fracionada, que garante a mesma proteção da dose padrão, e ampliar a cobertura vacinal para prevenir novos casos da febre amarela no país, conforme informou o governo.
A expectativa é que, até 2019, todo o território brasileiro seja considerado área de recomendação para vacinação. A ampliação foi anunciada pelo Ministério da Saúde em março deste ano e deverá acontecer gradualmente até abril do ano que vem.
A medida é preventiva e tem como objetivo antecipar a proteção contra a  febre amarela  para toda população, em caso de um aumento na área de circulação do vírus. Atualmente, alguns estados do Nordeste e parte do Sul e Sudeste não fazem parte das áreas de recomendação de vacina.

quinta-feira, 29 de março de 2018

Interstício, o 'novo órgão' do corpo humano que a ciência acaba de descobrir

Link para matéria completa: www.g1.globo.com/bemestar/noticia/intersticio-o-novo-orgao-do-corpo-humano-que-a-ciencia-acaba-de-descobrir.ghtml

Trecho da matéria: Ele sempre esteve ali, mas foi apenas por meio de uma tecnologia mais avançada que os cientistas finalmente puderam identificá-lo: um espaço repleto de cavidades preenchidas por líquido, presente entre os tecidos do nosso corpo – por isso, chamado de intersticial (entre tecidos). Um grupo de especialistas o classifica como um novo órgão do corpo humano, "uma nova expansão e especificação do conceito de interstício humano".
Paradoxalmente, apesar de ter sido descoberto apenas agora, o interstício pode ser nada menos do que um dos maiores órgãos do corpo humano, assim como a pele. Os cientistas afirmam que essa rede de cavidades de colágeno e elastina, cheia de líquido, reuniria mais de um quinto de todo o fluído do organismo.
A descoberta foi feita por uma equipe de patologistas da Escola de Medicina da Universidade de Nova York (NYU), Estados Unidos. Os resultados foram publicados na revista "Scientific Reports".
Antes, se acreditava que essas camadas intersticiais do corpo humano fossem formadas por um tecido conjuntivo denso e sólido. Mas, na realidade, elas estão interconectadas entre si, através de compartimentos cheios de líquidos.
Estes tecidos ficam localizados debaixo da pele, recobrem o tubo digestivo, os pulmões e o sistema urinário, rodeiam as artérias, veias e fáscia (estrutura fibrosa onde se fixam músculos). Ou seja, são uma estrutura que se estende por todo o corpo.
Os pesquisadores acreditam que esta estrutura anatômica pode ser importante para explicar a metástase do câncer, o edema, a fibrose e o funcionamento mecânico de tecidos e órgãos do corpo humano.

As partes em azul escuro são feixes de colágeno fibrilar. Na imagem à direita, as fibras de elastina são as manchas pretas; as estruturas de colágeno estão em rosa (Foto:  Jill Gregory/Mount Sinai Health System)
A camada de cima é a mucosa; as partes rosas são as estruturas de colágeno que criam as cavidades cheias de fluído (representado pela cor lilás) (Foto: Jill Gregory/Mount Sinai Health System)

Como não havia sido descoberto até agora?
Essas estruturas não são visíveis com nenhum dos métodos padrões de visualização da anatomia humana. Agora, os cientistas puderam identificar esse novo "órgão" graças aos avanços tecnológicos da endomicroscopia ao vivo, que mostra em tempo real a histologia e estrutura dos tecidos.
A camada de cima é a mucosa; as partes rosas são as estruturas de colágeno que criam as cavidades cheias de fluído (representado pela cor lilás) (Foto: Jill Gregory/Mount Sinai Health System)
De qualquer forma, a descoberta foi uma surpresa.
A equipe de investigadores fez, em 2015, uma operação com endomicroscopia a laser – uma tecnologia chamada Confocal Laser Endomicroscopy (pCLE) – para examinar o conduto biliar de um paciente com câncer. Depois de uma injeção de uma substância corante chamada fluoresceína, foi possível ver "um padrão reticular com seios (ocos) cheios de fluoresceína, que não tinham nenhuma correlação anatômica".
Em seguida, os cientistas tentaram examinar mais detalhadamente essa estrutura. Para isso, usaram placas microscópicas de biópsia habitual. Porém, as estruturas haviam desaparecido.
Depois de fazer vários testes, Neil Theise, coautor do estudo, se deu conta de que o processo convencional de fixação de amostras de tecidos em placas drenava o fluído presente na estrutura. Normalmente, os cientistas tratam as amostras com produtos químicos, as cortam em uma camada muito fina e aplicam tinta para realçar suas características chave. Porém, esse procedimento faz colapsar a rede de compartimentos, antes cheios de líquidos. É como se os pisos de um edifício desmoronassem.
Por isso, "durante décadas, a estrutura pareceu como algo sólido nas placas de biópsia", disse Theise, que faz parte do departamento de patologia da Universidade de Nova York.
Ao mudar a técnica de fazer a biópsia, sua equipe conseguiu preservar a anatomia da estrutura, "demonstrando que ela forma parte da submucosa e que é um espaço interticial cheio de fluído não observado anteriormente". Assim, foram identificadas "tiras largas e escuras ramificadas, rodeadas de espaços grandes e poligonais cheios de fluoresceína", descreve o estudo.
Os cientistas confirmaram a existência dessa estrutura em outros 12 pacientes operados.

Qual é sua função?
Até agora a ciência não estudou profundamente nem o fluxo nem o volume do fluído intersticial do corpo humano. Por enquanto, a identificação desse "espaço intersticial" levanta várias hipóteses.
Os especialistas acreditam que essa rede de espaços interconectados, forte e elástica, pode atuar como um amortecedor para evitar que os tecidos do corpo se rasguem com o funcionamento diário – que faz com que os órgãos, músculos e vasos sanguíneos se contraiam e se expandam constantemente.
Além disso, acreditam que essa rede de cavidades é como uma pista expressa para os fluídos. Isso poderia embasar a hipótese de que o câncer, ao atingir o espaço intersticial, possa se expandir pelo corpo muito rapidamente. É a chamada metástase.
Por outro lado, os autores do estudo acreditam que as células que formam o interstício mudam com a idade, podendo contribuir com o enrugamento da pele e com o endurecimento das extremidades, assim como a progressão de doenças fibróticas, escleroides e inflamatórias.