sexta-feira, 22 de dezembro de 2023

Descoberta nova espécie de réptil marinho gigante

Link para matéria completa: https://oglobo.globo.com/saude/ciencia/descoberta-nova-especie-de-reptil-marinho-gigante-6509085

Resumo: Batizado de Pliosaurus funkei, o animal percorria os mares há cerca de 150 milhões de anos.
É oficial: um réptil marinho gigante que percorria os mares há cerca de 150 milhões de anos é a nova espécie descoberta por pesquisadores. O animal, que recebeu o nome de Pliosaurus funkei, tinha um crânio de aproximadamente 6,5 metros e sua mordida era quatro vezes mais poderosa do que a de um Tyrannosaurus rex.


— Eles eram os principais predadores do mar. Os dentes deles fariam os Tyrannosaurus rex chorarem — disse Patrick Druckenmiller, paleontólogo da “University of Alaska Museum” e coautor do estudo, publicado no jornal norueguês “Geology”.
Com outros fósseis encontrados, a nova descoberta do esqueleto do P. funkei pinta um retrato de um oceano Jurássico cheio de predadores gigantes.
Em 2006, cientistas acharam dois esqueletos de dinossauros entre o continente da Noruega e do Pólo Norte. As criaturas gigantes, um dos quais foi apelidado de Predator X, parecia um pouco diferente de outros pliossauros — répteis marinhos que rondavam os mares há cerca de 160-145 milhões de anos — descobertos na Inglaterra e na França durante o século passado. Agora, depois de anos de análise minuciosa da mandíbula, vértebras e membros anteriores, os pesquisadores determinaram que o Predator X é uma nova espécie, e deram que receberam o nome de Bjorn and May-Liss Funke, em homenagem aos voluntários que descobriram os fósseis.
Segundo Druckenmiller, o P. funkei apresentava características diferentes dos outros pliossauros. Eles tinham longas patas dianteiras, grandes vértebras e diferente espaçamento entre os dentes.
— Não encontramos apenas uma nova espécie; estamos descobrindo todo um ecossistema — disse Druckenmiller.

Nova fase de estudo com células CAR-T no combate à leucemia e linfoma recebe investimento de R$ 100 milhões

Link para matéria completa: https://jornal.usp.br/campus-ribeirao-preto/nova-fase-de-estudo-com-celulas-car-t-no-combate-a-leucemia-e-linfoma-recebe-investimento-de-r-100-milhoes/

Resumo: No início do próximo ano começa uma nova fase do estudo clínico para o tratamento de leucemia e linfoma utilizando células CAR-T. Esta pesquisa é uma iniciativa do Hemocentro de Ribeirão Preto, vinculado ao Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina (HC-FMRP) da USP, em parceria com a Fundação Butantan. “Essa nova fase do estudo só foi possível com a liberação de R$ 100 milhões pelo Ministério da Saúde, dentro do Novo Programa de Aceleração ao Crescimento (PAC-Saúde)”, conta o médico hematologista Gil De Santis, diretor médico do Laboratório de Terapia Celular do Hemocentro do HC-FMRP e um dos pesquisadores responsáveis pelo estudo.
Segundo o médico, esses recursos serão aplicados principalmente na manufatura dos produtos celulares, que envolve a compra de insumos e de reagentes, e financiarão os gastos hospitalares decorrentes do tratamento. “Nessa fase, avaliaremos a segurança e a eficácia do novo produto, para, ao final, solicitar a sua aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), depois do que, o produto poderá ser oferecido aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).”


Alvo específico
O estudo vai incluir 81 pacientes com leucemia linfoide aguda de células B e linfoma não Hodgkin de células B, que não obtiveram resposta ao tratamento convencional inicial, composto de quimioterapia e transplante de medula óssea. “Esta fase do estudo é direcionada para casos que não responderam ou apresentaram o retorno da doença após a primeira linha de tratamento convencional, com o uso da quimioterapia, e o transplante de medula óssea”, explica De Santis.
Serão selecionados pacientes que atenderem às informações do hematologista. O contato deve ser realizado pelo médico que atende o paciente interessado em participar do estudo, pelo e-mail: terapia@hemocentro.fmrp.usp.br, anexando o relatório de saúde do candidato. As informações serão avaliadas pela equipe médica das instituições participantes e, caso se enquadre no estudo clínico, o médico responsável pelo paciente será avisado.
O CAR-T desenvolvido no Hemocentro de Ribeirão Preto é “treinado” para atingir um alvo específico que se chama CD19, presente somente na leucemia linfoide aguda de células B e no linfoma não Hodgkin de células B. Por isso, esta imunoterapia não possui efetividade em outros tipos de cânceres sólidos.
O nome CAR-T vem da união de dois conceitos: CAR é a sigla em inglês para receptor quimérico de antígeno (chimeric antigen receptor) e T vem de linfócitos T, células do organismo responsáveis por sua defesa. Na terapia celular, o linfócito T é alterado para exibir em sua superfície os receptores CAR e se tornar ainda mais potente no combate ao câncer – ele deixa de ser uma célula T para se transformar em uma célula CAR-T. Considerado um dos tratamentos mais revolucionários da medicina, tem altíssima complexidade e é personalizado, pois usa as células de defesa do próprio paciente para combater a doença.
A terapia com células CAR-T surgiu no início de 2010 nos Estados Unidos e começou a ser aplicada experimentalmente em pacientes de câncer terminal. Os resultados positivos levaram a Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos a aprovar, em 2017, o uso da terapia CAR-T para o combate ao câncer. No ano seguinte, em 2018, o tratamento rendeu aos seus descobridores, James P. Allison e Tasuku Honjo, o Prêmio Nobel de Medicina.
No Brasil, a terapia com células CAR-T foi desenvolvida pioneiramente no Centro de Terapia Celular (CTC) da USP, sediado no Hemocentro de Ribeirão Preto. O primeiro voluntário brasileiro, que recebeu o tratamento experimental em 2019, alcançou a remissão total de um linfoma em estágio terminal. Outros pacientes que optaram pelo tratamento também tiveram remissão. Até hoje, a terapia celular se mostrou altamente eficaz contra casos de leucemia linfoide aguda de células B e linfoma não Hodgkin de células B, dois tipos de cânceres de sangue.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2023

Após anos, Brasil registra alta em vacinação e inclui novas vacinas no PNI

Link para matéria completa: https://veja.abril.com.br/saude/apos-anos-brasil-registra-alta-em-vacinacao-e-inclui-novas-vacinas-no-pni/

Resumo: Após sete anos de queda nas coberturas vacinais, o Brasil reverteu o cenário e registrou alta para a cobertura de oito vacinas do calendário infantil em 2023, em todo o país. É o que indica um balanço preliminar do Ministério da Saúde, que analisou os índices de janeiro a outubro de 2023, comparando com todo o ano de 2022. 

Entre os imunizantes que indicaram crescimento, estão as vacinas contra hepatite A, poliomielite, pneumocócica, meningocócica, DTP (difteria, tétano e coqueluche) e tríplice viral 1a dose e 2a dose (sarampo, caxumba e rubéola), todas para crianças de até 1 ano de idade. Além delas, houve aumento na procura pelas vacinas contra a febre amarela, indicada aos nove meses. 

Segundo a pasta, o avanço é resultado do planejamento multiestratégico adotado pelo novo governo que lançou o Movimento Nacional pela Vacinação, além de um microplanejamento que repassou mais de R$ 151 milhões para ações regionais nos estados e municípios, levando à melhora dos índices vacinais para a DTP, que protege contra a difteria, tétano e coqueluche; poliomielite e a primeira dose de tríplice viral. 

O Ministério também credita o aumento ao programa Saúde com Ciência, lançado para promover o fortalecimento das políticas públicas de saúde e a valorização da ciência. "Estamos trabalhando para reverter esse cenário de diminuição das coberturas e 2023 já dá sinais de aumento para quase todas as vacinas em quase todas as regiões do país. O grande desafio, porém, não é só incorporar novas vacinas, mas conseguir garantir altas coberturas para todas elas", diz Renato de Ávila Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm). 

Desafios continuam 

De acordo com o infectologista, o sucesso de um programa de vacinação para manter a alta das coberturas vacinais depende de alguns fatores importantes como a disponibilidade, armazenamento adequado e distribuição homogênea dos imunizantes, além da capacitação de profissionais da saúde e um registro rigoroso das doses aplicadas. "Em municípios menores, onde nascem poucas crianças, por exemplo, nós temos frascos que são desperdiçados porque uma vez abertos tem que ser usados em 6, 24 ou 48 horas", diz o médico, que acrescenta. "Sobre os profissionais de saúde, precisam entender um calendário cada vez mais complexo, cheio de vacinas, com intervalos do que pode ser feito junto, separado, como aplica, como dilui. É um desafio enorme."

Kfouri também ressalta o acesso e a comunicação, com o combate às fake news, como fundamentais para a melhora dos índices de cobertura vacinal no  país. "Não adianta ter a vacina disponível, o profissional treinado para aplicar a vacina, o computador funcionando e a internet para enviar os dados, se não tem a pessoa para se vacinar. Então a comunicação é fundamental. E, obviamente, as pessoas têm que ter acesso, precisam chegar à unidade de saúde, com condições, dispensa do trabalho, meios de transporte ou vacinação em domicílio e na escola", pontua o médico, que também é presidente do Departamento de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). 


Novas Vacinas contra Covid e Dengue no PNI 

A Pfizer também conseguiu aprovação da Anvisa para a vacina monovalente contra a Covid-19 para a variante XBB 1.5. Trata-se da ComiRNAty monovalente adaptada à sublinhagem da ômicron, uma das cepas em maior circulação no Brasil e no mundo. Indicada para toda população elegível acima de 6 meses, o imunizante mRNA também já foi autorizada pelos órgãos internacionais e será incorporada no Programa Nacional de Imunizações (PNI). 

"A vacina monovalente adaptada à variante XBB.1.5 da Ômicron se mostrou eficaz na proteção contra as principais cepas que estão mundialmente em circulação, mas as vacinas Bivalente e Monovalente Original, que estão disponíveis nos postos de saúde do país, continuam tendo importante papel na redução de hospitalizações e mortes pelo vírus, por isso, é imprescindível que a população brasileira elegível mantenha sua vacinação contra Covid-19 em dia", completa Adriana. 

Outra vacina que vai ser incluída no PNI, do Ministério da Saúde, é a Qdenga contra a dengue, da empresa japonesa Takeda Pharma. Recomendada pela Comissão Nacional de Incorporações de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), terá 50 milhões de doses fornecidas em 5 anos, com previsão de entrega de 8,5 milhões em 2024. As estratégias de vacinação por faixa etária e regiões ainda serão definidas pela pasta. 

terça-feira, 19 de dezembro de 2023

Seis insetos do tipo barbeiro são encontrados na USP

Link para matéria completa: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2023/12/19/seis-insetos-do-tipo-barbeiro-sao-encontrados-na-usp.ghtml?utm_source=share-universal&utm_medium=share-bar-app&utm_campaign=materias

Resumo: Seis insetos do tipo barbeiro foram encontrados na Cidade Universitária, no Butantã, na Zona Oeste de São Paulo. Eles estavam perto dos institutos de Química e de Biologia e um deles estava contaminado com o protozoário que provoca a doença de Chagas.

No Instituto de Química havia quatro barbeiros. O primeiro deles, achado no dia 26 de novembro, foi enviado à Divisão de Vigilância de Zoonoses que identificou a contaminação pelo Trypanossoma cruzi, um protozoário que pode causar a Doença de Chagas em caso de picada.

Outros dois foram localizados no Instituto de Biologia. Todos foram enviados para análise, mas os resultados ainda não estão foram divulgados.


A prefeita da Cidade Universitária, Raquel Rolnik, disse que uma vistoria foi feita no último dia 15 sem que outros insetos tenham sido encontrados e que estão trabalhando para evitar que o problema se repita.

A universidade distribuiu um comunicado no campus avisando sobre os cuidados no caso de encontrar um barbeiro. Um deles é: em caso de ser picado pelo inseto, não se deve coçar o local, que deve ser lavado com água e sabão.

A explicação para o surgimento dos insetos no campus é o desmatamento em áreas próximas.

O que é a doença de Chagas?

Considerada uma doença tropical, ela pode afetar o coração e o sistema digestivo.

A transmissão pode ocorrer no contato com as fezes contaminadas do barbeiro, por via oral (com a ingestão de alimentos contaminados), de forma vertical (em que a mãe passa para o filho durante a gestação ou parto), transfusional ou até mesmo acidental.

Segundo o Ministério da Saúde (MS), a doença de Chagas pode se manifestar de em duas fases, sendo a aguda com apresentação de sintomas ou não e crônica, que se torna mais crítica.

Na fase aguda, os sintomas que podem aparecer são:

  • febre prolongada
  • dor de cabeça
  • fraqueza e mal-estar
  • inchaço no rosto e nas pernas

Na fase crítica, a doença pode apresentar problemas cardíacos e digestivos.

Para evitar o contato com o inseto barbeiro, vetor da doença de Chagas para os seres humanos, as autoridades de saúde alertam que a população fique atenta com os cuidados dentro de casa. Caso encontre o barbeiro, não o esmague ou manipule com as mãos. A orientação do MS é acionar equipes técnicas da Vigilância de Saúde locais para eliminar o inseto ou possíveis colônias.

O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece o tratamento para a doença.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2023

O que é o hidrogênio verde?

Link para matéria completa:
https://www.wwf.org.br/nossosconteudos/educacaoambiental/conceitos/hidrogenio_verde_/

Resumo: O hidrogênio é encontrado principalmente em sua forma gasosa H2, estando presente em hidrocarbonetos e na molécula de água. O hidrogênio verde (H2V) é produzido a partir da eletrólise da água por meio de fontes renováveis como eólica e solar, um processo de separação da molécula de água (H2O) em hidrogênio (H2) e oxigênio (O2) por meio da passagem de uma corrente elétrica na solução aquosa.


Ele pode ser utilizado ainda na composição de outros combustíveis, sintetizados a partir dele, que se beneficiarão das características da cadeia 100% livre (com menor emissão de CO2) Hoje, os países líderes na produção de H2V são Alemanha, Japão e China.
O hidrogênio pode ser utilizado não somente como combustível no setor de transportes, mas também como matéria-prima para produtos em outros setores como na indústria de aço e metais e a farmacêutica, o hidrogênio também pode ser utilizado como fonte de energia quando combinado as células a combustível, o que irá influenciar diretamente na redução de emissões de GEE (gases de efeito estufa) se produzido a partir de fontes renováveis.
Atualmente a produção de hidrogênio por meio da reforma a vapor do gás natural é responsável por 6% do uso global deste vetor que combinada à produção a partir do carvão mineral somaram juntas, em 2020, emissões equivalentes a 900 milhões de toneladas de CO2, valor que deve ser reduzido significativamente com a produção de hidrogênio a partir das fontes renováveis.

Como as células combustíveis de hidrogênio verde geram energia?
As células combustíveis são uma das formas de utilização do hidrogênio em veículos elétricos, nos quais a reação química entre o hidrogênio e oxigênio gera energia elétrica que alimenta a bateria proporcionando o funcionamento do motor elétrico. Essa reação pode acontecer de forma contínua, enquanto a célula estiver sendo alimentada com o combustível, o que destaca o uso da célula a combustível se comparada as tecnologias aplicadas em baterias atuais se diferindo da vida útil das baterias atuais. Outra grande vantagem do uso do hidrogênio verde está na ausência de poluentes: a reação tem como único produto a água (H2O), desde que aconteça na presença de hidrogênio e oxigênio puro.
O hidrogênio verde também é uma opção de substituição dos combustíveis fósseis no setor de transportes coletivos, além de servir como indutor de eletrificação nos veículos em geral. O uso dele nesse contexto reduziria o impacto na atmosfera e ajudaria gestores públicos a alcançarem os compromissos de redução de emissões GEE.

Qual é o potencial do hidrogênio verde para o Brasil?
O Brasil tem potencial para geração e utilização de fontes renováveis de energia na escala exigida pelas mudanças climáticas para termos um futuro possível. O país tem uma matriz elétrica diversificada e potencial de expansão para inovação nas energias limpas. Uma dessas fontes é o hidrogênio verde (H2V).
O tema é tratado no documento Hidrogênio: cenário e potencial deste combustível no Brasil, elaborado pelo WWF-Brasil aponta que combustíveis renováveis e limpos ganham espaço e importância - como é o caso do hidrogênio combinado com células combustíveis.
A despeito do Brasil ter batido o seu recorde de emplacamento de veículos elétricos em 2021 com um aumento de 77% em relação aos emplacamentos de 2020, os veículos elétricos, que compreendem veículos híbridos, plug-in e 100% a bateria, ainda correspondem a menos de 0,2% da frota de veículos leves, e menos de 0,1% de todos os veículos registrados no Brasil.
O Brasil tem histórico na transformação do hidrogênio por meio de projetos com veículos elétricos que utilizam célula a combustível, além de ter potencial para produzi-lo na escala necessária para atender as demandas de mitigação da crise climática, mas o que nos falta é justamente escalar a produção. Para o hidrogênio verde ganhar escala é preciso:

1- Fomentar a pesquisa sobre o hidrogênio verde
2- Estimular a oferta de H2V para uso no Brasil e no exterior.
3- Incorporar os custos das emissões de gases de efeito estufa nos setores que utilizam hidrogênio.
4- Adotar projetos-piloto para utilização de veículos a hidrogênio no Brasil.

terça-feira, 12 de dezembro de 2023

Extinção de megafauna há 10 mil anos reorganizou ecossistemas, diz estudo

Link para matéria completa: https://revistagalileu.globo.com/google/amp/ciencia/noticia/2023/12/extincao-de-megafauna-ha-10-mil-anos-reorganizou-ecossistemas-terrestres.ghtml

Resumo: Pesquisa da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) indica que a extinção de mamutes, preguiças-gigantes e outros grandes mamíferos no Pleistoceno causou a perda de muitas interações entre espécies.


A extinção em escala global de grandes mamíferos como mamutes e preguiças-gigantes, entre 50 e 10 mil anos atrás, deixou vestígios na evolução de espécies de plantas e animais e no funcionamento dos ecossistemas. As sementes de plantas e animais carnívoros reduziram de tamanho para se adaptar a um mundo sem essa megafauna, responsável pela dispersão de sementes e alimentação de grandes predadores. Além disso, muitas plantas, antes consumidas por enormes herbívoros, passaram a ser controladas somente pelo fogo. É o que sugere pesquisa da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) publicada na terça (12) na revista científica Annual Review of Earth and Planetary Sciences.
As conclusões são resultado de uma revisão na literatura mais recente disponível sobre o tema, para explicar o impacto direto e indireto das extinções do período do Pleistoceno em plantas e animais. Os eventos causaram o desaparecimento de mais de 70% dos animais da megafauna no mundo todo, e suas consequências podem ir muito além da redução na riqueza de espécies, segundo Mathias Mistretta Pires, pesquisador da Unicamp e autor do estudo. “Os mamíferos que chamamos de megafauna podem atingir mais de 1000 quilos, consomem muito alimento, espalham nutrientes através das fezes e têm capacidade de se deslocar por grandes distâncias. As extinções causaram a perda desses processos”, explica.
A redução no tamanho das sementes de plantas após a extinção da megafauna pode ter acontecido em resposta à ausência de grandes animais que se alimentam de frutas, uma vez que as espécies sobreviventes não tinham estrutura corporal suficiente para consumir e dispersar sementes de grande porte. “A partir do momento em que a megafauna sumiu, as sementes grandes não tinham mais capacidade de serem dispersas para longe da planta, o que diminuiu suas chances de germinação”, conta Pires.
O pesquisador também destaca que a falta dos grandes mamíferos pode ter guiado parte da evolução das espécies vegetais. Para ele, “aos poucos, o tamanho das sementes foi diminuindo, porque animais menores selecionaram sementes menores”.
As relações entre plantas e herbívoros não foram as únicas afetadas. A extinção dos animais de grande porte que se alimentavam de plantas impactou também a sobrevivência de seus predadores carnívoros, caso dos felinos com dentes de sabre e dos leões-das-cavernas. Eles se extinguiram, enquanto as espécies que sobreviveram, como a onça-pintada e onça-parda, precisaram incorporar presas de tamanho menor como prato principal em sua nova dieta.
A pesquisa também sugere que as modificações nas relações entre plantas, animais e o ambiente após a extinção da megafauna foram cruciais para determinar a estrutura e o funcionamento dos ambientes atuais. “Desde a extinção do Pleistoceno, a posição das espécies e a importância delas nas redes ecológicas se modificou”, diz Pires. Com menos herbívoros de grande porte, espécies vegetais com grandes frutos foram sendo afastadas do centro das redes de interações no ecossistema, e sobraram espécies menores como predominantes nas paisagens atuais. “Já os grandes predadores que sobreviveram se tornaram mais centrais, pois há uma quantidade bem menor de espécies atualmente do que antes”, explica.
Para o pesquisador, é importante entender o passado e criar estratégias para lidar com novos eventos de extinção, pois as extinções da megafauna modificaram inúmeras interações e processos ecológicos. “A integração de áreas da paleoecologia e da biologia da conservação pode nos ajudar a criar estratégias para restaurar funções exercidas pela megafauna, como a dispersão de nutrientes e sementes e a regulação das populações naturais”, destaca Pires.

segunda-feira, 23 de outubro de 2023

CONTROLE BIOLÓGICO DE PRAGAS: Piaba vira arma secreta no combate à dengue

Link para matéria completa: 

https://www.em.com.br/app/noticia/agropecuario/2023/10/23/interna_agropecuario,1580432/piaba-vira-arma-secreta-no-combate-a-dengue.shtml

Resumo: Colocados em reservatórios usados pelos moradores da localidade, são os responsáveis pelo controle biológico do transmissor da dengue, da zika, da chikungunya e da febre amarela, já que eles se alimentam das larvas depositadas na água pelo vetor dos vírus.

A ação é uma parceria da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) com o setor de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde de Três Marias. Liderando os trabalhos na unidade da Codevasf no município, Julimar Santos, chefe do Centro Integrado de Recursos Pesqueiros e Aquicultura, conta que, além do atendimento à comunidade, as cidades de Curvelo e Felixlândia manifestaram recentemente interesse pela utilização da piaba para eliminar larvas que dão origem aos mosquitos que disseminam doenças. Os pedidos, no entanto, ainda estão em análise.

Em Andrequicé, o índice de eliminação das larvas dos mosquitos já chega a 96,4% nos reservatórios residenciais onde os peixes são colocados, segundo dados da Codevasf. Consequentemente, isso gerou drástica redução nas notificações de dengue na comunidade nos últimos anos.

A guerreira

A espécie Astyanax bimaculatus, popularmente conhecida como piaba do rabo amarelo, é nativa da América do Sul, muito comum em córregos, riachos, rios, lagoas e reservatórios de todo o Brasil. Apresenta pequeno porte e pode chegar a 13 cm de comprimento. São onívoras e se alimentam de frutos, vegetais, invertebrados aquáticos, ovos, larvas de mosquitos e de outros peixes e outras matérias orgânicas.

“Antes de 2018, Andrequicé era o distrito do município que estava entre aqueles com mais casos da doença. Os reservatórios nas casas, em sua maioria tambores, ficavam expostos a céu aberto, sem qualquer proteção, o que facilitava a contaminação ao se tornarem criadouros do mosquito”, explica Julimar, que também é técnico em agropecuária.

Reservatórios de água

Por meio do programa, os moradores locais vêm recebendo de um a dois exemplares da piaba para serem inseridos nos reservatórios de água usados para garantir o suprimento da família, relacionado ao consumo humano, cultivo agrícola e à higiene e limpeza.

Durante a visita de entrega, há orientações sobre a manutenção dos peixes. Entre elas estão não oferecer a eles ração ou outros alimentos; colocá-los momentaneamente em outro recipiente durante a limpeza do reservatório; e, no caso de morte, fazer a comunicação para que seja providenciada a reposição.

As piabas são produzidas nos tanques e viveiros do Centro Integrado de Recursos Pesqueiros e Aquicultura de Três Marias. Após período de aclimatação em tanques circulares de metal, elas são preparadas para transporte, distribuição, acondicionadas em sacos plásticos contendo água e injeção de oxigênio. Tudo isso, conforme Julimar, resulta em um processo de baixo custo com alta performance na eliminação de focos do mosquito.

“Essa espécie se reproduz naturalmente em nosso sistema, e nos dedicamos à produção, geralmente, de outubro a dezembro. Às vezes, seguimos até janeiro. No restante do ano, a gente trabalha com os alevinos (peixes recém-eclodidos dos ovos) para estimular o crescimento deles e, deste modo, estarem aptos à soltura em vários reservatórios, rios e córregos, que são afluentes da bacia ou de microbacias pertencentes à grande bacia do Rio São Francisco. A liberação dos peixes acontece entre março e abril e, depois, de outubro a novembro”, completa.

Técnica é usada em outros estados

A técnica de combate à dengue com o uso de peixes também é empregada em outras regiões do país. O pesquisador da Embrapa Cocais (MA) Luiz Carlos Guilherme iniciou o Projeto Dengoso na Universidade Federal de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, em 2001, enquanto cursava seu doutorado.

Seu projeto tem como objetivo principal o combate à larva do Aedes aegypti por meio do controle biológico usando o peixe da família Poecilidae, conhecido por barrigudinho, lebiste, guaru ou guppy. A iniciativa segue em curso em Uberlândia, em lagoas de tratamento e estabilização de efluentes de algumas indústrias, além de outros pontos suscetíveis à reprodução do mosquito.

Reconhecimento e premiação

Em 2009, o projeto foi implementado no município de Parnaíba, no Piauí. A ação também está presente em Campo Maior, no mesmo estado, além de Tobias Barreto, em Sergipe. Em 2013, a iniciativa foi premiada pela Fundação Banco do Brasil, em decorrência da eficiência na eliminação dos criadouros.

No ano seguinte, a ação passou a ser coordenada pela professora Alessandra Ribeiro Torres, da Universidade Estadual do Piauí (UESPI), em parceria com a Embrapa Meio-Norte, quando o pesquisador Luiz Carlos estava lotado na unidade. À época, o Centro de Controle de Zoonoses de Parnaíba foi aprovado. A produção do peixe e sua distribuição para utilização em focos do mosquito da dengue, tais como recipientes de grande porte (cacimbões, bebedouros de animais, piscinas desativadas, cascatas e outros ambientes semelhantes), além de terrenos alagados, ganharam mais fôlego.

Segundo dados da Embrapa, o uso de peixes como estratégia de combate aos mosquitos tem se mostrado eficaz. Em Uberlândia, por exemplo, o número de casos de dengue na população passou de 9,5 mil, em 2006, para 50 até abril de 2008. As autoridades sanitárias, nesse período, deixaram de aplicar quase 30 toneladas de pesticidas no município para combate ao Aedes aegypti.

domingo, 22 de outubro de 2023

ChatGPT sugere leituras e outras ações para produzir uma boa #Redação no #Enem.

Preparar-se para a redação do ENEM requer uma base sólida de conhecimento, compreensão de diversos tópicos e habilidades de escrita. Aqui estão algumas sugestões de leituras que podem ser interessantes para quem vai fazer a redação do ENEM:
  • Jornais e Revistas Atuais: Ler jornais e revistas, tanto impressos quanto online, é uma ótima maneira de se manter atualizado sobre eventos e questões atuais que podem ser abordados nas redações.
  • Livros de Literatura Brasileira e Mundial: A leitura de clássicos da literatura brasileira e mundial pode enriquecer seu vocabulário e sua compreensão de diferentes estilos de escrita.
  • Obras de Sociologia e Filosofia: Leituras sobre sociologia e filosofia podem ajudar a desenvolver sua capacidade de análise crítica e a compreender questões sociais e éticas.
  • Textos Acadêmicos: A leitura de artigos acadêmicos em áreas relevantes para os temas do ENEM pode ajudar a aprofundar sua compreensão e embasar seus argumentos.
  • Discursos Políticos e Econômicos: Analisar discursos de líderes políticos e economistas pode ajudar a entender melhor as questões econômicas e políticas do Brasil e do mundo.
  • História do Brasil e do Mundo: Conhecer a história do Brasil e do mundo é essencial para entender o contexto de muitos problemas atuais.
  • Livros e Documentários sobre Temas Sociais: Livros e documentários que abordam questões sociais, econômicas e ambientais são úteis para ampliar sua visão sobre problemas e soluções.
  • Manual de Redação: Livros e guias de redação podem fornecer dicas práticas sobre como escrever uma redação eficaz.
  • Exemplos de Redações Anteriores do ENEM: Ler redações nota 1000 de anos anteriores pode ajudar a entender o que é esperado e a se familiarizar com o estilo de escrita exigido.
  • Gramática e Estilo: Livros que tratam de gramática, estilo e técnicas de escrita podem aprimorar suas habilidades linguísticas.
  • Partes da Constituição Federal: Estudar partes da Constituição Federal do Brasil pode ser fundamental para compreender a estrutura e os princípios fundamentais do país.
Lembrando que a Constituição Federal é uma leitura densa, mas fundamental para entender o funcionamento do sistema legal e político do Brasil. Portanto, é importante selecionar as partes que se relacionam diretamente com os temas que você está estudando para a redação do ENEM.

Além da leitura, filmes e documentários também podem ser ferramentas valiosas para a preparação da redação do ENEM. Eles oferecem uma maneira visual e envolvente de aprender sobre diversos tópicos e questões, além de enriquecerem sua compreensão sobre os problemas brasileiros. Aqui estão algumas maneiras de usar filmes e documentários para se preparar:
  • Ampliar a compreensão de tópicos: Filmes e documentários podem fornecer informações visuais e histórias pessoais que aprofundam sua compreensão sobre os problemas brasileiros. Eles podem ajudá-lo a ver e entender as questões de diferentes perspectivas.
  • Inspiração para tópicos de redação: Assistir a documentários sobre questões sociais, ambientais, políticas ou econômicas pode inspirá-lo a escolher tópicos de redação que estejam alinhados com seus interesses e conhecimentos.
  • Análise crítica: Ao assistir filmes e documentários, você pode praticar a análise crítica, avaliando as informações apresentadas, identificando pontos fortes e fracos dos argumentos e considerando diferentes opiniões sobre um assunto.
  • Enriquecer exemplos: Filmes e documentários podem fornecer exemplos concretos e casos reais que você pode usar para ilustrar seus argumentos nas redações.
  • Melhorar a expressão oral: Além de melhorar a escrita, assistir a filmes e documentários pode ajudar a desenvolver suas habilidades de expressão oral, o que é útil para a prova de redação e para a defesa de argumentos.
Aqui estão alguns exemplos de filmes e documentários relacionados a questões brasileiras:
  • "Cidade de Deus": Um filme que aborda a violência e a criminalidade nas favelas do Rio de Janeiro.
  • "A Lei da Água": Um documentário que discute a questão da água no Brasil.
  • "Central do Brasil": Um filme que trata de questões sociais no Brasil, especialmente relacionadas à educação e desigualdade.
Lembrando que, assim como nas leituras, é importante abordar filmes e documentários com um olhar crítico e questionador. Analisar o conteúdo, identificar os argumentos apresentados e considerar diferentes perspectivas é fundamental para sua preparação.

ChatGPT lista 10 possíveis temas para #Redação do #ENEM.

Aqui estão 10 temas possíveis de redação para o ENEM relacionados a problemas brasileiros:
  • Desigualdade social no Brasil: Causas, impactos e possíveis soluções.
  • A questão da educação pública no Brasil: Desafios e propostas de melhoria.
  • O combate à corrupção como um desafio constante na política brasileira.
  • O desmatamento na Amazônia e suas consequências para o meio ambiente e a sociedade.
  • A violência urbana no Brasil: Raízes, efeitos e estratégias de redução.
  • A falta de acesso à saúde de qualidade no país e as possíveis alternativas para enfrentar esse problema.
  • A questão indígena no Brasil: Conflitos, direitos e perspectivas de conciliação.
  • Os desafios da mobilidade urbana nas grandes cidades brasileiras.
  • A crise hídrica no Brasil e as medidas para garantir o abastecimento de água no futuro.
  • A discriminação racial no Brasil: Avanços e desafios para a construção de uma sociedade mais igualitária.
Lembre-se de que esses são apenas exemplos, e os temas da redação do ENEM podem variar a cada ano. É importante estar preparado para abordar uma ampla gama de questões relacionadas aos problemas brasileiros e propor soluções embasadas em argumentos sólidos.

sábado, 21 de outubro de 2023

Tilápia se adaptou ao mar e está se espalhando pela costa brasileira, diz estudo

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Resumo: Espécie de origem africana já foi encontrada do litoral do Maranhão à Santa Catarina e pode ameaçar ecossistemas marinhos. Falta de controle nas aquiculturas é apontada como um agravante.


Ao entrar em um restaurante, em qualquer região no Brasil, muito provavelmente você vai encontrar no cardápio a opção filé de tilápia. Difícil achar alguém que nunca ouviu falar sobre o peixe mais consumido no país mas, se mesmo assim surgir alguma dúvida sobre o prato, é só perguntar ao garçom que prontamente vai responder: "é um saboroso peixe de água doce!”.
No entanto, a tilápia não é um peixe nativo do Brasil, o que não é novidade também. A novidade nessa história é que esses peixes, de origem africana, estão invadindo os mares daqui.
Pesquisadores brasileiros de onze instituições publicaram um estudo pioneiro que traz evidências de que uma espécie invasora de água doce está conseguindo se adaptar a ambientes salobros. O trabalho, publicado na revista científica Aquatic Ecology, reúne uma série de registros sobre o assunto.
“Surgiram vídeos na internet feitos na região de Arraial do Cabo, no Rio de Janeiro, que mostravam a presença de cardumes de tilápias no mar. Essa é uma região de água muito fria e salina, que sofre a influência de uma corrente oceânica que é profunda e que aflora na costa”, explica a ecóloga que liderou a pesquisa, Ana Clara Sampaio Franco, da Universidade de Girona na Espanha.
Os primeiros vídeos registrados no litoral fluminense foram somente a ponta dessa investigação que durou mais de um ano. “Nós temos registros que vão desde o Maranhão, até Santa Catarina. Passando por Espírito Santo, São Paulo e pelo Rio de Janeiro. Detectamos que esses casos não eram isolados, o que consideramos preocupante”, explica Ana Clara.

Como as tilápia foram parar no mar?
Uma pista para essa pergunta pode estar no número de registros da espécie mais encontrada na costa brasileira, a tilápia-do-nilo (Oreochromis niloticus). Por crescer rapidamente, esse é um dos peixes mais cultivados no país.
“As estruturas de criação não são imunes a falhas, por isso acontecem escapes. Há também descartes de aquicultores equivocados, que soltam essa espécie exótica invasora nos rios. O Brasil, apesar de deter uma das maiores biodiversidades do mundo, compra pacotes tecnológicos para aquicultura de espécies que não são daqui. Em vez de explorar nosso potencial”, afirma Ana Clara.
A invasão de tilápias em água doce no Brasil já é conhecida na ciência. Por isso, os pesquisadores fizeram um amplo cruzamento de informações para saber se as espécies chegaram ao ambiente marinho pelos rios que desaguam no mar. “A gente consegue ver que na costa do Norte e do Nordeste nós não temos essa correspondência”, comenta a pesquisadora.
O mistério, neste caso, está ligado à falta de informações sobre a criação de peixes. “Chegamos à conclusão que não existe no Brasil uma base boa, unificada e atualizada de dados sobre as estruturas de aquicultura, as espécies que são cultivadas e onde são cultivadas em pequena e média escala. A ausência desse levantamento não nos permite traçar com exatidão as possibilidades de ocorrência da tilápia”, explica Ana Clara.

Ancestrais marinhos
Você pode estar se perguntando: de que forma um peixe de água doce resiste à água salgada? A explicação está na evolução da espécie. As tilápias pertencem à família dos ciclídeos, a mesma do famoso tucunaré da Amazônia, e um dos últimos grupos marinhos que migraram para água doce.
“Os ancestrais da tilápia vieram do mar, por isso, a espécie tem capacidade de tolerar algum grau de salinidade”, explica o coordenador da pesquisa, Jean Vitule, do Laboratório de Ecologia e Conservação da Universidade Federal do Paraná.
Há possibilidade das tilápias usarem os rios de água salobra como um corredor ecológico entre o mar e os ambientes de água doce, já que a salinidade da água não seria uma barreira, deixando um rastro de impactos ambientais.
“A tilápia é uma invasora que pode transferir patógenos e elevar as taxas de eutrofização - surgimento excessivo de organismos como algas e cianobactérias. Ela também compete com espécies nativas por recursos, por alimentos e espaço. A tilápia é um bicho territorialista. Ela pode predar vários organismos, desde peixinhos até camarões, crustáceos e corais. Em último estágio, ela pode causar até a extinção de algumas espécies”, alerta Vitule.
Outra preocupação apontada pelo estudo é a criação de tilápias em água salobra em alguns lugares do mundo. “A gente pode ter uma seleção de linhagem, uma seleção artificial feita pelo homem criando tilápias cada vez mais adaptadas a esses ambientes salinos. O que coloca em risco, além dos ambientes de água doce, os ecossistemas marinhos”, comenta o pesquisador.
O estudo também faz um alerta sobre a necessidade de um controle mais rigoroso sobre a criação de peixes no Brasil. “Tilápia não é galinha, não fica confinada de fato. Você não vê galinha em uma unidade de conservação vivendo solta no meio do mato. Mas a tilápia você vê em unidades de conservação, o que é um problema. Não há confinamento adequado na maioria das aquiculturas e há tantos escapes que ela acaba chegando até o mar, deixando um rastro de impactos”, conclui.

sexta-feira, 20 de outubro de 2023

Mudanças climáticas podem levar à perda de 90% da fauna e da flora da caatinga

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Resumo: Dois estudos recentes apontaram um cenário alarmante para a caatinga, lançando um alerta sobre a fragilidade deste bioma, exclusivo do Brasil. As pesquisas, conduzidas por cientistas brasileiros, indicam que as mudanças climáticas podem levar à perda de espécies da fauna e da flora em 90% da caatinga até 2060.
Na última terça-feira (17/10/2023), um trabalho publicado na revista Global Change Biology destacou que 85% dos mamíferos perderão seus habitats no bioma, prevendo-se que um quarto de todas as espécies de animais ficará sem ambientes adequados para viver na caatinga até 2060.
"As zonas áridas estão particularmente em risco, com projeções sugerindo que se tornarão mais quentes, mais secas e menos adequadas para uma parte significativa das suas espécies, levando potencialmente à defaunação [extinção ou queda no número de exemplares] dos mamíferos", alerta o estudo.



A alteração no clima levará, ainda, a um processo de simplificação e homogeneização das espécies que, no caso dos mamíferos, pode atingir até 70% do bioma.
"Embora as respostas específicas das espécies possam variar em relação à dispersão, ao comportamento e às necessidades energéticas, as nossas descobertas indicam que as alterações climáticas podem levar as populações de mamíferos à homogeneização e à perda de espécies", aponta a pesquisa.
O trabalho previu que 93% do bioma experimentará uma mudança de composição, com a substituição de plantas arbóreas por espécies de gramíneas, herbáceas e suculentas. "O futuro aumento da aridez mudará os padrões das comunidades de plantas da floresta tropical seca, diminuindo a diversidade e a complexidade da vegetação", frisa a publicação.

quarta-feira, 4 de outubro de 2023

Platelminto: Verme encontrado em quintal de casa, na Grande BH, preocupa moradores

Link para matéria completa: https://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2023/10/03/interna_gerais,1571128/verme-encontrado-em-quintal-de-casa-na-grande-bh-preocupa-moradores.shtml

Resumo: Identificado por especialistas como verme cabeça de martelo, espécie pode causar irritação na pele e demanda atenção com crianças e animais de estimação.
Moradores de Pedro Leopoldo, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, encontraram, na última quinta-feira (28/09/2023), um verme exótico no quintal de casa.
A presença do bicho deixou os moradores do bairro Teotônio Batista de Freitas apreensivos, já que o animal pode causar irritação na pele e até consequências mais graves, caso seja ingerido.
O verme, segundo especialistas ouvidos pelo Estado de Minas, se trata de uma planária conhecida como 'cabeça de martelo', espécie nunca antes vista em Minas Gerais e que só apareceu no Brasil há 24 anos, em uma área de floresta.
O bicho foi recolhido anteontem (2/10) por uma equipe da Prefeitura de Pedro Leopoldo e irá passar por análise para confirmar a toxicidade.
O verme, que se parece com uma lesma, tem a cabeça arredondada semelhante a um martelo, como diz seu nome popular, e pode chegar a até 60 cm de comprimento.
Não à toa, a escritora Kátia Oliveira Medina, de 45 anos, ficou assustada ao se deparar com o ser vivo pela primeira vez em seu quintal. "Vimos que era um bicho diferente, não era daqui. Desde o primeiro contato, mexi só com o pauzinho. O medo tomou conta, porque cada vez que a gente achava um, aparecia outro. Encontramos embaixo de um tapete e tocos de árvore", relata.
Ela mora na casa, que era da sua mãe, com os dois filhos, uma criança especial e outro de apenas quatro anos. "Medo maior é que temos uma criança pequena aqui. Estamos ficando mais dentro de casa para evitar ficar circulando pelo quintal", conta. Os vermes também teriam sido encontrados no rodapé da casa de um vizinho de Kátia. Depois disso, o bairro precisou ser isolado.
Habitats quentes, úmidos e escuros são exatamente os locais onde esse tipo de verme prefere viver, especialmente embaixo de folhas e de pedras de regiões de mata.
Naturais da Ásia, os vermes cabeça de martelo são mais comuns nos Estados Unidos e na Europa. No Brasil, foram vistos pela última vez em 1999, segundo a bióloga e mestre em sustentabilidade Fernanda Raggi.
"Ele foi trazido de forma não intencional para cá. Acredito que se desenvolveram e ficaram quietos, principalmente, nas áreas de (formações) botânicas e cavernas. Mas, as mudanças climáticas acabaram forçando eles a subir para a superficie", conta Fernanda.
Conhecidos pelo nome científico Bipalium kewense, os vermes cabeça de martelo são platelmintos, predadores de animais do solo, principalmente as minhocas. O muco de locomoção desses bichos contém tetrodotoxina, uma neurotoxina que interrompe a sinalização dos neurônios para os músculos, substância usada por eles, inclusive, para matar suas presas.

Bipalium kewense de 22 cm de comprimento.

O principal perigo é, na verdade, para a própria horta, já que as minhocas desempenham um papel fundamental para o desenvolvimento das plantas. Mas, a população deve ficar atenta com os animais de estimação e crianças.

Riscos à saúde de crianças e animais

A bióloga atesta que o invertebrado pode ser nocivo à saúde. "Ele oferece o risco, sim, se ingerido por animais domésticos e por crianças. Se os animais de estimação comerem os vermes, podem adoecer, levando à insuficiência cardíaca e respiratória. Se a toxina entra no organismo humano, os efeitos podem ser mais graves, apesar de ainda desconhecidos, afetando de forma mais intensa bebês e crianças", aponta.
Apesar da toxina no muco, tocar no animal não traz grandes riscos. O máximo que pode acontecer é uma irritação na pele, diz a especialista. Para eliminar os vermes de seus quintais, a bióloga sugere colocar sal no solo e fazer uma limpeza da casa com água sanitária. O procedimento é recomendado ser feito usando luvas para evitar o contato direto com o animal.
Procurada pela reportagem do Estado de Minas, a Prefeitura de Pedro Leopoldo criticou a geração de "pânico sem que haja confirmação" de risco para os moradores e disse ter recebido análises não formais, tranquilizando, momentaneamente, a população.
Por meio de nota, o Executivo municipal disse que o verme foi recolhido anteontem (2/10) e passará por análises.

sábado, 26 de agosto de 2023

Neste ano, 51 pessoas já morreram em MG por picada de animais peçonhentos

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https://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2023/08/25/interna_gerais,1551887/neste-ano-51-pessoas-ja-morreram-em-mg-por-picada-de-animais-peconhentos.shtml

Resumo: Nos últimos três anos, 195 pessoas morreram no estado por causa de picada de animal. Morte por picada de escorpião lidera ranking.


Até o começo de agosto, 51 pessoas morreram em Minas Gerais em decorrência de picada de animais peçonhentos. Este é um levantamento feito pela Secretaria Estadual de Saúde (SES) a pedido do Estado de Minas.

Mortes por picada de animal peçonhento em 2023
Escorpiões: 22
Serpentes: 7
Aranhas: 7
Abelhas: 7
Lagarta: 1
Outros: 4
Animal ignorado: 3
Total: 51

Se os números seguirem nesta proporção, a tendência é que 2023 seja o ano com o maior número de vítimas em comparação com os anteriores. Em 2021 foram 79 vítimas fatais. Já em 2022, foram 65.
Além das mortes, a SES contabilizou mais de 30 mil casos de pessoas picadas por animais peçonhentos em todo o estado, do começo do ano até o início de agosto.

Escorpiões: 19.184
Aranhas: 3.634
Serpentes: 2.089
Lagartas: 1.935
Abelhas: 1.629
Outros: 1.339
Animal ignorado: 363
Total: 30.173

Época é propícia para esses acidentes
Segundo a Secretaria Estadual de Saúde (SES), a tendência é que esses números aumentem, já que o período chuvoso está se aproximando, com a chegada da primavera. “Tendo em vista a proximidade de novo período chuvoso, esperamos incremento em algumas tipologias de acidente, tais como os acidentes causados por escorpiões”, explicou o órgão.
Segundo a Secretaria, as maiores vítimas são os homens, com idades entre 18 e 59. Por isso é preciso tomar algumas medidas de prevenção.

Medidas para prevenir a picada de animais peçonhentos
- Utilizar equipamentos de proteção individual (EPIs), como luvas de raspa de couro e calçados fechados ou botas, durante o trabalho na agricultura, atividades rurais, no transporte de lenhas, na remoção de entulhos, na limpeza de jardins, quintais e terrenos baldios, entre outras atividades.
- Olhar sempre com atenção o local de trabalho e os caminhos a percorrer.
- Não colocar as mãos em tocas ou buracos na terra, em tocos de árvores, cupinzeiros, entre espaços situados em montes de lenha ou entre pedras. Caso seja necessário mexer nesses lugares, use um pedaço de madeira, uma enxada ou uma foice.
- Limpar paióis e terreiros, não deixar lixo acumulado. Fechar buracos de muros e frestas de portas.
- No amanhecer e no entardecer, evitar a aproximação da vegetação muito próxima ao chão, gramados ou até mesmo jardins, pois é nesse momento que serpentes estão em maior atividade.
- Manter berços e camas afastados, no mínimo 10 cm, das paredes e evitar que mosquiteiros e roupas de cama esbarrem no chão. Não pendurar roupas nas paredes.
- Nas casas e apartamentos utilizar soleiras nas portas e janelas, telas em ralos do chão, pias e tanques. 
- Vedar frestas e buracos em paredes, assoalhos e vãos entre o forro e a parede. Consertar rodapés despregados.
- Acondicionar o lixo adequadamente em sacos plásticos e em recipientes que possam ser mantidos fechados
- Manter jardins e quintais limpos.

A SES também informou que em caso de picada é necessário rapidamente lavar o local da mordida com água e sabão e ir imediatamente a uma Unidade de Saúde para receber atendimento médico.

segunda-feira, 3 de julho de 2023

Pesquisadores da Unicamp criam filme biodegradável a partir de casca de laranja e exoesqueleto de crustáceos

Link para texto completo: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2023/07/02/pesquisadores-da-unicamp-criam-filme-biodegradavel-a-partir-de-casca-de-laranja-e-exoesqueleto-de-crustaceos.ghtml

Resumo: Em busca de alternativas sustentáveis às embalagens de plástico, um grupo de pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) desenvolveu um filme biodegradável a partir do limoneno e da quitosana, substâncias presentes na casca da laranja e no exoesqueleto de crustáceos, respectivamente.

A criação também é capaz de preservar as características dos alimentos, como cheiro, cor e sabor, por mais tempo. Segundo o professor Roniérik Pioli Vieira, coordenador da pesquisa, ambos os componentes já são explorados em pesquisas, mas encontram entraves para a produção industrial.

"O grande diferencial no nosso caso que a gente utilizou o poli(limoneno), que é um derivado do limoneno mais estável, não volátil e a ideia é que ele atue como esse aditivo antioxidante, antimicrobiano, e com um potencial maior de eventualmente ser utilizado em larga escala", afirma.

Para criar o "novo" limoneno, mais estável e adequado à indústria, os pesquisadores utilizaram um processo de polimerização, que consiste em unir várias moléculas da substância para criar uma molécula maior, chamada de oligômero.

"A nossa ideia é que o poli(limoneno) seja considerado um aditivo multifuncional, que a gente possa aplicar desde a fabricação de embalagens. Pensamos em utilizar ele como um aditivo bloqueador de luz ultravioleta, antioxidante e antimicrobiano", explica Vieira.

Estágio inicial

O professor ressalta que a pesquisa está em um estágio inicial, mas a ideia é que, futuramente, o poli(limoneno) seja utilizado como aditivo de origem renovável em escala comercial. Para que isso seja possível, os pesquisadores têm testado a compatibilização do componente com materiais diferentes da quitosana.

"A ideia é que a gente prepare os filmes também em uma escala um pouco maior e em processos que simulem o industrial, ou seja, aqueles que envolvem altas temperaturas e taxas de deformação. [...] Com base nos dados preliminares, em termos de não volatilidade e estabilidade, a gente acredita que esse comportamento possa ser favorável no processo industrial", diz.

Em relação à quitosana, Vieira afirma que o uso em larga escala não deve ocorrer tão cedo, já que ela tem um custo mais elevado em relação aos plásticos tradicionais. "A quitosana é muito utilizada na área biomédica, então em materiais que tem um valor agregado um pouco maior, obviamente seria mais fácil, mais rápido desse material ir para a sociedade", ressalta.

Possibilidades

Além do uso em embalagens biodegradáveis, as equipes do Departamento de Engenharia de Materiais e Bioprocessos da Faculdade de Engenharia Química e do Centro de Tecnologia de Embalagem do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital) também estudam outras possibilidades relacionadas ao poli(limoneno).

Há, por exemplo, uma linha de pesquisa que investiga as interações do aditivo com outros materiais biodegradáveis e compostáveis que já são industrialmente competitivos, e outra que explora estratégias para aumentar o rendimento do processo produtivo. Já uma terceira linha de pesquisa analisa aplicações do material na área biomédica.

"Como ele tem características antioxidantes e antimicrobianas, a ideia é incorporar esse aditivo na formulação de, por exemplo, polímeros para curativos, para que a gente possa ter curativos avançados, com características antioxidantes e antimicrobianas, que possam auxiliar no processo de cicatrização de lesões, evitando a proliferação de micro-organismos", afirma Vieira.

quinta-feira, 29 de junho de 2023

ChatGPT responde: Quais moléculas orgânicas de importância biológica já foram identificadas na Via Láctea?

Na nossa galáxia, a Via Láctea, foram identificadas diversas moléculas orgânicas de importância biológica. Essas moléculas são encontradas principalmente em nuvens interestelares, regiões onde ocorre a formação de estrelas e planetas. Alguns exemplos de moléculas orgânicas identificadas na nossa galáxia incluem:
  • Metanol (CH₃OH): É uma molécula simples e uma das mais abundantes na Via Láctea. O metanol é um precursor na formação de moléculas mais complexas, incluindo aminoácidos e açúcares.
  • Formaldeído (H₂CO): O formaldeído é um composto químico importante na química pré-biótica e pode estar envolvido na formação de aminoácidos.
  • Cianeto de hidrogênio (HCN): O HCN é uma molécula composta por carbono, nitrogênio e hidrogênio. É um precursor para a síntese de bases nitrogenadas, componentes dos ácidos nucleicos.
  • Álcool etílico (etanol, C₂H₅OH): O etanol também foi detectado em nuvens moleculares na Via Láctea. É uma molécula que possui uma importância biológica significativa na Terra.
  • Glicolaldeído (CH₂OHCHO): É uma molécula orgânica simples que desempenha um papel fundamental na formação de açúcares, incluindo a ribose, que é um componente dos ácidos nucleicos.
Essas são apenas algumas das moléculas orgânicas identificadas na Via Láctea. A pesquisa astroquímica continua a investigar a presença e a abundância de várias moléculas orgânicas em diferentes regiões da nossa galáxia, fornecendo informações valiosas sobre os processos químicos que podem estar relacionados à formação da vida.

Modificado de ChatGPT em diálogo com Ramon Lamar de Oliveira Junior

quarta-feira, 28 de junho de 2023

Telescópio James Webb faz primeira detecção de “molécula da vida”.

Link para matéria completa: https://www.cnnbrasil.com.br/tecnologia/telescopio-james-webb-faz-primeira-deteccao-de-molecula-da-vida-veja-imagens/#:~:text=vida%E2%80%9C%3B%20veja%20imagens-,Telesc%C3%B3pio%20James%20Webb%20faz%20primeira%20detec%C3%A7%C3%A3o,mol%C3%A9cula%20da%20vida%E2%80%9D%3B%20veja%20imagens&text=Uma%20equipe%20de%20cientistas%20internacionais,no%20espa%C3%A7o%20pela%20primeira%20vez.

Resumo: Uma equipe de cientistas internacionais usou o Telescópio Espacial James Webb da Nasa para detectar um novo composto de carbono no espaço pela primeira vez.

Conhecida como cátion metil (CH₃⁺), a molécula é importante porque auxilia na formação de moléculas mais complexas baseadas em carbono. O cátion metil foi detectado em um sistema estelar jovem, com um disco protoplanetário, conhecido como d203-506, localizado a cerca de 1.350 anos-luz de distância na Nebulosa de Orion.

Os compostos de carbono formam as bases de toda a vida conhecida e, como tal, são particularmente interessantes para os cientistas que trabalham para entender como a vida se desenvolveu na Terra e como ela poderia se desenvolver em outras partes do nosso universo. O estudo da química interestelar orgânica (contendo carbono), que Webb está abrindo de novas maneiras, é uma área de grande fascínio para muitos astrônomos.

As capacidades únicas do Webb o tornaram um observatório ideal para procurar por essa molécula crucial. A excelente resolução espacial e espectral de Webb, bem como sua sensibilidade, contribuíram para o sucesso da equipe. Em particular, a detecção de Webb de uma série de linhas de emissão chave do CH₃⁺ cimentou a descoberta.

“Essa detecção não apenas valida a incrível sensibilidade do Webb, mas também confirma a postulada importância central do CH₃⁺ na química interestelar”, disse Marie-Aline Martin-Drumel, da Universidade de Paris-Saclay, na França, membro da equipe científica.

Enquanto a estrela em d203-506 é uma pequena anã vermelha, o sistema é bombardeado por forte luz ultravioleta (UV) de estrelas quentes, jovens e massivas próximas. Os cientistas acreditam que a maioria dos discos de formação de planetas passa por um período de intensa radiação UV, uma vez que as estrelas tendem a se formar em grupos que geralmente incluem estrelas massivas produtoras de UV. Normalmente, espera-se que a radiação UV destrua moléculas orgânicas complexas, caso em que a descoberta de CH₃⁺ pode parecer uma surpresa.

No entanto, a equipe prevê que a radiação UV pode realmente fornecer a fonte de energia necessária para a formação do CH₃⁺ em primeiro lugar. Uma vez formado, promove reações químicas adicionais para construir moléculas de carbono mais complexas.

Em termos gerais, a equipe observa que as moléculas que eles veem em d203-506 são bem diferentes dos discos protoplanetários típicos. Em particular, eles não conseguiram detectar nenhum sinal de água. “Isso mostra claramente que a radiação ultravioleta pode mudar completamente a química de um disco protoplanetário. Na verdade, pode desempenhar um papel crítico nos primeiros estágios químicos das origens da vida”, elaborou Olivier Berné, do Centro Nacional Francês de Pesquisa Científica em Toulouse, principal autor do estudo.

Essas descobertas, que são do programa PDRs4ALL Early Release Science, foram publicadas na revista Nature.

O Telescópio Espacial James Webb é o principal observatório de ciência espacial do mundo. Webb resolverá mistérios em nosso sistema solar, olhará além para mundos distantes ao redor de outras estrelas e investigará as misteriosas estruturas e origens de nosso universo e nosso lugar nele. O Webb é um programa internacional liderado pela Nasa com seus parceiros, a ESA (Agência Espacial Europeia) e a Agência Espacial Canadense.


Observação: O grupo metil (CH₃⁺) não é um grupo complexo. Na verdade é um dos grupos mais simples da química orgânica. Claro que qualquer descoberta de moléculas orgânicas ou radicais livres que possam colaborar para a dinâmica de reações na formação de moléculas mais complexas é importante, longe de mim querer desmerecer a descoberta. Quando vi o título pensei em moléculas intermediárias do metabolismo vital como um aminoácido mais complexo do que a glicina ou um par de bases nitrogenadas. E achei graça de no texto publicado haver uma chave de pronúncia em inglês para cátion, como se esse não fosse um termo conhecido desde o primeiro ano do ensino médio. Veja print abaixo:


Agradeço muito a divulgação científica que as grandes redes noticiosas tentam fazer. Mas acho que não podem se limitar a simples traduções de textos. Em verdadeira defesa da ciência, deveriam ter alguns colaboradores, de diversas áreas, para verificar melhor essas traduções e, às vezes, acrescentar algum grau de interpretação. Lugar de cientista também é na imprensa!

Ramon Lamar de Oliveira Junior

terça-feira, 27 de junho de 2023

Das rochas ao mercado de baterias: conheça todo o potencial do lítio brasileiro!

Link para matéria completa: https://g1.globo.com/especial-publicitario/vale-do-litio-em-mg/noticia/2023/06/26/das-rochas-ao-mercado-de-baterias-conheca-todo-o-potencial-do-litio-brasileiro.ghtml

Resumo: Com a maior reserva comprovada do mineral no Brasil, Minas Gerais está à frente de uma revolução na extração e comercialização de um dos metais mais valorizados do mundo.

Um metal de coloração branco-prateada, denominado lítio, é responsável por muitas facilidades do nosso dia a dia, como o funcionamento de um notebook, um smartphone, uma câmera fotográfica e, até mesmo, de um veículo elétrico.

Mas, antes de virar um componente de uma bateria – que liga, por exemplo, nossos dispositivos portáteis – o lítio é o responsável por provocar uma revolução: está impulsionando localidades do Norte e Nordeste de Minas Gerais e inserindo o estado no mapa internacional da cadeia do metal altamente especializado, usado por setores como tecnologia da informação, automotivo e de energias renováveis.

Uma nova realidade para região

É no Vale do Jequitinhonha e na região Norte do estado que se encontra a maior reserva comprovada de lítio do Brasil, de acordo com a Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM).

Com essa descoberta e a chegada de empresas para a extração do mineral e comercialização para todo o mundo, os municípios de Araçuaí, Capelinha, Coronel Murta, Itaobim, Itinga, Malacacheta, Medina, Minas Novas, Pedra Azul, Rubelita, Salinas, Teófilo Otoni, Turmalina e Virgem da Lapa, vivem uma nova fase e podem virar um vale da tecnologia com foco na produção de baterias.

Coordenado pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede) do Governo de Minas Gerais, o projeto econômico-social Vale do Lítio (Lithium Valley Brazil) prevê uma transformação da realidade local, levando toda cadeia produtiva do lítio para essas regiões.

Além da extração, graças aos cerca de 45 depósitos, segundo estudos realizados pelo Serviço Geológico do Brasil, o projeto construído por meio da Agência de Promoção de Investimento e Comércio Exterior de Minas Gerais (Invest Minas) viabiliza a instalação de empresas para fabricar as baterias que vão abastecer mercados em todo o mundo.


Utilizado em diversas aplicações, de medicamento para estabilizar o humor até a composição de baterias de longa duração, o lítio também tem papel fundamental na transição energética, porque proporciona boa parte do armazenamento da energia nas baterias dos carros elétricos, essenciais para um futuro sustentável da indústria automobilística – que caminha para a substituição dos veículos movidos por combustíveis fósseis.

Benefícios da cadeia mineira do lítio

Para entender melhor todo o potencial do lítio brasileiro e seus diferenciais, listamos abaixo alguns benefícios da produção no Vale do Jequitinhonha e na região Norte de Minas Gerais. Confira:

● O lítio encontrado lá é de alta pureza, com grande potencial no mercado de baterias mais potentes.

● Tem muito valor. Em seu estado bruto, o metal é cotado em até US$ 70 a tonelada, podendo chegar a até US$ 6 mil a tonelada quando processado.

● É mais sustentável, extraído da rocha com uso de menos água que o modelo tradicional e com baixa emissão de CO2.

● Utiliza fonte de energia hidroelétrica da região, gerando menos custos e o consumo de energia limpa em toda produção.

● A região está localizada em rotas de escoamento, com proximidade a aeroportos e portos.

● Conta com a infraestrutura das cidades do entorno e com o conhecimento dos campi universitários.

● A existência de 45 jazidas, com grande potencial econômico, pode aumentar em 20 vezes as reservas comprovadas do mineral na região, garantindo o fornecimento da matéria-prima por um longo prazo.

● A consolidação do Vale do Lítio aumenta a geração de empregos, o PIB local e transforma, direta ou indiretamente, o panorama socioeconômico de mais de 980 mil habitantes em 55 municípios.

A partir de um decreto federal de julho de 2022, os investimentos para extração do lítio no Vale do Jequitinhonha e na região Norte do estado foram facilitados e o comércio exterior de minerais e minérios de lítio e de seus derivados ganharam força.

Já há três companhias atuando na região e, até o fim de 2023, o governo estadual prevê que novos projetos de investimento serão formalizados com empresas estrangeiras.

Observação: Matéria feita pelo Governo de Minas Gerais

segunda-feira, 26 de junho de 2023

Pinguim-de-magalhães desidratado e com ferimentos é resgatado em praia no litoral de SP

Link para texto completo: https://g1.globo.com/sp/santos-regiao/noticia/2023/06/26/pinguim-de-magalhaes-desidratado-e-com-ferimentos-e-resgatado-em-praia-no-litoral-de-sp.ghtml

Resumo: Um pinguim-de-magalhães (Spheniscus magellanicus) foi resgatado na faixa de areia em Praia Grande, no litoral de São Paulo. Segundo apurado, o pinguim estava com ferimentos na cabeça e em uma das patas. Ele foi encaminhado para tratamento no Instituto Gremar.

Instituto Biopesca, responsável pelo monitoramento de praias na região, disse que foi acionado por banhistas que passavam pelo local, no último sábado (24/06/23). A ave foi carregada pelas ondas e, por conta dos machucados, não conseguiu nadar.

Após o resgate, o animal foi levado para o Instituto Gremar. A ave está no Centro de Reabilitação e Despetrolização de Animais Marinhos, em Guarujá, onde passou por atendimento veterinário.

Segundo o Instituto Gremar, a equipe constatou que o animal estava magro, desidratado e com hipoglicemia. Além disso, apresentava uma ferida na região da pata e uma profunda na região da cabeça, que foi higienizada e realizada sutura. O animal está sendo mantido em ambiente controlado e recebendo tratamento veterinário e já apresenta evolução clínica.

De acordo com o Instituto Gremar, os pinguins-de-magalhães são uma espécie migratória e extremamente social, portanto para que haja uma soltura de sucesso é essencial que os animais sejam reintegrados à natureza em grupos pois com um maior número de indivíduos saudáveis, maior a chance de sobrevivência do bando e que eles obtenham sucesso neste processo de migração.

O Instituto ressaltou que, durante o inverno do hemisfério sul, os pinguins-de-magalhães migram de suas colônias reprodutivas no sul da Argentina, Patagônia, Chile e Ilhas Malvinas até o litoral brasileiro, em busca de alimento.

domingo, 25 de junho de 2023

Cientistas criam embrião humano 'sintético' sem usar espermatozoide nem óvulo

Link para matéria completa: https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2023/06/cientistas-criam-embriao-humano-sintetico-sem-usar-espermatozoide-nem-ovulo.shtml?

Resumo: Em uma semana movimentada no universo da genética, pelo menos três times diferentes de cientistas anunciaram o desenvolvimento de modelos de embriões humanos "sintéticos" em laboratório. O material foi cultivado por meio da reprogramação de células-troncos, sem a necessidade de utilização de óvulos ou espermatozoides.

Dois grupos afirmam ter conseguido avançar com o crescimento até o que seria equivalente aos 14 dias de um embrião natural, enquanto um terceiro atingiu estágios semelhantes aos vistos na quarta semana pós-fecundação.

A principal aplicação para esse tipo de pesquisa é o estudo e compreensão de doenças e outras condições durante os estágios iniciais do desenvolvimento embrionário. Problemas genéticos ou mesmo abortos espontâneos de repetição poderiam ser investigados com recurso a esse método.

Embora os cientistas enfatizem que o material criado agora em laboratório não poderia ser utilizado para gerar uma vida, as descobertas já provocam controvérsia quanto aos aspectos éticos desse tipo de trabalho.

Até agora, porém, os detalhes sobre o andamento dos trabalhos estão limitados às informações fornecidas pelos próprios autores da pesquisa. As experiências ainda não foram publicadas em revistas científicas nem passaram pela revisão por pares, uma etapa essencial para a verificação das informações e checagem de eventuais inconsistências.

O primeiro anúncio a ganhar atenção mundial foi do grupo liderado pela professora Magdalena Żernicka-Goetz, vinculada à Universidade de Cambridge (Reino Unido) e ao Instituto de Tecnologia da Califórnia (EUA), durante a reunião anual da Sociedade Internacional para a Pesquisa em Células-Tronco, realizada na semana passada em Boston, nos Estados Unidos.

As estruturas do modelo foram criadas a partir de células-tronco embrionárias, que atingiram o princípio da chamada fase de gastrulação, quando começa a diferenciação das células para a formação das diferentes linhagens que formam o corpo humano.

Neste ponto de desenvolvimento, o embrião ainda não tem órgãos ou batimentos cardíacos, mas, de acordo com a pesquisadora, o modelo já tinha a presença de células precursoras de óvulo e espermatozoide.

Em entrevista ao jornal britânico The Guardian, Żernicka-Goetz disse que o feito é inédito. "É lindo e criado inteiramente a partir de células-tronco embrionárias."

No dia seguinte à palestra, a pesquisadora divulgou uma versão de pré-publicação do trabalho em uma plataforma especializada.

Na mesma data, o principal "rival" acadêmico do grupo na corrida pelo desenvolvimento embrionário, um time liderado por Jacob Hanna, do Instituto de Ciência Weizmann, de Israel, também apresentou um artigo de pré-publicação afirmando ter atingido resultados semelhantes. O trabalho dos israelenses utilizou métodos similares aos descritos pelo time liderado por Żernicka-Goetz.

Em artigos anteriores, ambos os grupos já haviam utilizado técnicas semelhantes para estimular células-troncos de camundongos para a formação de estruturas similares a embriões, inclusive com batimentos cardíacos.

Ainda durante a reunião anual da Sociedade Internacional para a Pesquisa em Células-Tronco, um terceiro grupo, comandado por Jitesh Neupane, do Instituto Gurdon da Universidade de Cambridge, afirmou que conseguiu ir além dos demais pesquisadores, criando um modelo de embrião humano replicando parte do estágio da terceira ou quarta semana de gestação.

O material foi cultivado a partir de células-tronco embrionárias e, posteriormente, transferido para um recipiente rotativo que serviu como uma espécie de útero artificial.

As estruturas foram deliberadamente alteradas para não terem os tecidos que compõem o saco vitelino e a placenta dos embriões naturais, o que de início já inviabiliza seu desenvolvimento até um feto. Ainda assim, a descrição apresentada por Neupane indica que o grupo conseguiu chegar ao ponto de identificar batimentos cardíacos e traços de sangue vermelho.

"Gostaria de enfatizar que não são embriões nem estamos tentando fazer embriões, na verdade", disse Jitesh Neupane, citado pelo Guardian. "São apenas modelos que podem ser usados para analisar aspectos específicos do desenvolvimento humano."

Como a pesquisa com embriões humanos acima de 14 dias de desenvolvimento é vetada na maioria dos países —inclusive no Brasil—, os trabalhos têm gerado críticas sobre o cumprimento das regulações.

"Para mim, a grande novidade desses estudos é que eles conseguiram cultivar as células em laboratório por muito mais tempo sem útero", avalia a diretora do Centro de Estudos do Genoma Humano e Células-Tronco da USP, Mayana Zatz.

A geneticista destacou também o que considera alguns pontos fracos das pesquisas, enfatizando as limitações para qualquer avaliação, uma vez que os trabalhos ainda não foram publicados em revistas científicas.

A especialista critica a própria decisão de afirmar que se trata de modelos de embriões sintéticos. "É problemático falar que são sintéticos, porque são cultivados a partir de células-tronco embrionárias", enfatizou Zatz. Especialistas de vários países têm feito ressalvas similares.

"Você tem uma primeira célula que se forma através da união do óvulo com o espermatozoide. Essa célula começa a se dividir e, até um estágio de 8 a 16 células, elas são chamadas de células-tronco embrionárias. Pelo que eu entendi, eles pegaram uma dessas células embrionárias e cultivaram em laboratório. Logo isso começou de algo que já foi fecundado, bem no início da embriogênese", afirmou.

Giuliana Miranda

sábado, 24 de junho de 2023

ChatGPT responde: O que é a técnica CAR-T

A técnica CAR-T (Chimeric Antigen Receptor T-cell Therapy, em inglês) é uma forma inovadora de terapia celular usada no tratamento de certos tipos de câncer, principalmente câncer de sangue, como leucemia e linfoma. É uma forma de imunoterapia que utiliza as células do sistema imunológico do próprio paciente para combater as células cancerígenas.

O processo começa com a coleta de células T (linfócitos T) do paciente por meio de uma aférese, um processo semelhante à doação de sangue. Essas células T são então geneticamente modificadas em laboratório para expressar um receptor quimérico de antígeno (CAR). O CAR é projetado para reconhecer e se ligar a um antígeno específico encontrado nas células cancerígenas.

Uma vez que as células T são modificadas para expressar o CAR, elas são cultivadas em grande quantidade em laboratório e, em seguida, reintroduzidas no paciente por meio de uma infusão intravenosa. Essas células T modificadas são capazes de reconhecer e se ligar às células cancerígenas que expressam o antígeno alvo, ativando o sistema imunológico para atacar e destruir as células cancerígenas.

A terapia com CAR-T tem mostrado resultados promissores no tratamento de certos tipos de câncer refratários ou recidivantes, ou seja, cânceres que não respondem a outros tratamentos convencionais. No entanto, é um tratamento complexo e ainda em desenvolvimento, e pode estar associado a efeitos colaterais significativos, como a síndrome da liberação de citocinas e a neurotoxicidade.

É importante ressaltar que a técnica CAR-T é altamente personalizada e específica para cada paciente, uma vez que as células T utilizadas são derivadas do próprio sistema imunológico do indivíduo. Portanto, seu uso ainda é limitado a centros médicos especializados e está sujeito a critérios de seleção rigorosos.

"O que é a técnica CAR-T?" ChatGPT, 24 de junho de 2023, https://www.openai.com
(Texto revisto por Ramon Lamar de Oliveira Junior)