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sexta-feira, 31 de março de 2023
Gripe aviária: vírus H5N1 preocupa cientistas e pode causar nova pandemia
sexta-feira, 24 de março de 2023
Justiça cobra Eletronuclear por deixar de informar vazamento de material radioativo em Angra dos Reis
Link para matéria completa: https://g1.globo.com/rj/sul-do-rio-costa-verde/noticia/2023/03/23/justica-cobra-eletronuclear-por-deixar-de-informar-vazamento-de-material-radioativo-em-angra-dos-reis.ghtml?utm_source=share-universal&utm_medium=share-bar-app&utm_campaign=materias
Resumo: Episódio aconteceu em setembro de 2022, na Baía de Itaorna, onde fica localizada a usina nuclear de Angra 1. Ibama constatou que não houve dano à vida, mas já autuou a empresa em cerca de R$ 2 milhões. Eletronuclear se justifica. Prefeitura acompanha o caso.
A Eletronuclear deixou de avisar a autoridades responsáveis sobre um vazamento de material radioativo no mar de Angra dos Reis (RJ). O episódio aconteceu em setembro de 2022, na Baía de Itaorna, onde fica localizada a usina nuclear de Angra 1.
A pedido do Ministério Público Federal, a Justiça Federal determinou que a empresa realize uma avaliação completa dos possíveis danos causados ao meio ambiente, como contaminação de água, solo e ar, além de eventuais impactos na saúde humana e na vida das pessoas. A liminar foi divulgada nesta quinta-feira (23).
A Eletronuclear também deverá divulgar informações objetivas sobre o acidente e sobre os impactos, além de seguir as normas e licenças estabelecidas pelos órgãos regulatórios. O prazo para o cumprimento é de 30 dias.
Segundo o MPF, a postura da empresa "aponta evidências de que teria havido tentativa de esconder o vazamento, atuação que levanta dúvidas sobre a transparência e a seriedade com que a Eletronuclear trata a questão da segurança e a comunicação de incidentes".
Na liminar, a Justiça Federal também determinou que a empresa evite a realização de qualquer atividade que possa agravar a contaminação da água, solo e ar na área afetada pelo acidente, incluindo o descarte inadequado de resíduos radioativos e a utilização de equipamentos e sistemas que apresentem riscos à segurança e à saúde humana.
Ibama autua Eletronuclear em cerca de R$ 2 milhões
Procurado pelo g1, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) disse que foi informado do vazamento ainda em setembro, mas através de uma denúncia anônima, e não da Eletronuclear. Logo após tomar conhecimento, o Ibama designou uma equipe para inspecionar o local e apurar a veracidade das informações.
Na ocasião, a vistoria realizada não confirmou o vazamento, mas agentes ambientais cobraram a Eletronuclear a respeito de informações. Os documentos apresentados confirmaram o vazamento, que teria sido provocado por "degradação (corrosão) do sistema de contenção de vazamentos".
No fim de fevereiro, logo após a conclusão da análise dos relatórios apresentados pela empresa e pela CNEN, o Ibama autuou a Eletronuclear em cerca de R$ 2 milhões por descarte irregular de substância radioativa, além de R$ 101 mil por descumprimento de condicionante, estabelecida na Licença de Operação que autoriza o funcionamento da empresa.
Ainda de acordo com o Ibama, relatórios de fiscalização elaborados pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) apontam que "as ações da proteção radiológica para controle de espalhamento de contaminação foram adequadas em relação à técnica e ao tempo após e detecção do evento" e que "pode-se afirmar que nenhum limite de controle radiológico foi violado".
Ou seja, os documentos indicam que o derramamento de líquido radiologicamente contaminado não causou dano à saúde da população no entorno da usina. Para este relatório, foram realizadas análises e contabilizações radiológicas, além de coletas de água do mar e sedimento marinho.
No entanto, o Ibama constatou que a empresa descumpriu a condicionante ambiental 1.4 da Licença de Operação (LO) Nº 1217/2014, que determina que "os acidentes ambientais deverão ser comunicados via Sistema Nacional de Emergências Ambientais (SIEMA) imediatamente após o ocorrido".
O Ibama também informou ao g1 que estuda medidas adicionais para evitar que episódios semelhantes voltem a ocorrer.
O que diz a Eletronuclear
"A Eletronuclear informa que, no dia 16/09/22, a usina Angra 1 fez uma liberação não programada de um pequeno volume de água contendo substâncias de baixo teor de radioatividade. Como os valores da liberação se encontravam abaixo dos limites da legislação que caracterizam a ocorrência de um acidente, a empresa tratou o evento como incidente operacional e informou o assunto nos relatórios regulares previstos.
Inicialmente, por conta própria e depois sob demanda do Ibama, a empresa intensificou a monitoração radiológica no local de despejo das águas fluviais sem encontrar nenhum resultado significativo.
Na semana passada, a Eletronuclear recebeu do Ministério do Meio Ambiente os relatórios de fiscalização e autos de infração provenientes referentes ao assunto. A empresa respeita a avaliação dos técnicos do Ibama, mas destaca que pretende recorrer junto ao órgão, uma vez que entende ter cumprido o que determina a legislação.
domingo, 8 de janeiro de 2023
O mamífero que não envelhece e pode ser a chave para humanos vencerem o câncer
Link para matéria completa: https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2023/01/o-mamifero-que-nao-envelhece-e-pode-ser-a-chave-para-humanos-vencerem-o-cancer.shtml?utm_source=whatsapp&utm_medium=social&utm_campaign=compwa
Resumo: O rato-toupeira-pelado parece desafiar o envelhecimento e ser imune ao câncer. Os cientistas estão estudando essas estranhas criaturas nativas da África para entender como os seres humanos podem ter uma vida mais longa e saudável.
Não é segredo para ninguém que o rato-toupeira-pelado —aquele roedor enrugado e quase sem pelos, com longos dentes salientes— não é o animal mais atraente do planeta.
segunda-feira, 3 de outubro de 2022
Nobel de Medicina 2022 vai para Svante Pääbo por descobertas sobre o genoma de ancestrais humanos extintos
Link para texto completo: https://g1.globo.com/ciencia/noticia/2022/10/03/nobel-de-medicina-2022-vai-para-svante-paabo.ghtml
Resumo: O sueco Svante Pääbo é o ganhador do Prêmio Nobel 2022 em Medicina, anunciou a Assembleia do Nobel no Instituto Karolinska, da Suécia, nesta segunda-feira (03/10/2022). Pääbo levou o prêmio, que totaliza 10 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 4,8 milhões), por suas descobertas sobre os genomas de hominídeos extintos e a evolução humana. Em 1982, o pai do cientista, Sune Bergstrom, também ganhou o Nobel de Medicina.
Ao explicar as diferenças genéticas que distinguem todos nós seres humanos vivos desses ancestrais já extintos, o trabalho de Svante Pääbo deu origem a um campo científico totalmente novo: a paleogenética. "Suas descobertas fornecem a base para explorar o que nos torna exclusivamente humanos", afirmou o comitê.
As descobertas
O comitê do Nobel afirmou que o cientista sueco levou o prêmio porque realizou algo aparentemente impossível: sequenciou o genoma do Homem de Neandertal, um parente extinto dos seres humanos de hoje em dia. Fora isso, um hominídeo anteriormente desconhecido, o Denisova, também foi descoberto por Svante Pääb.
A evolução humana e a disseminação dos humanos pelo mundo foram temas exploradas ao longo dos anos pelo trabalho do cientista sueco. Pääbo também descobriu que a transferência de genes ocorreu desses hominídeos agora extintos para o Homo sapiens (a espécie à qual pertencemos) após a saída migratória humana da África há cerca de 70.000 anos, uma informação importante que ajuda a entender como o mundo era povoado nessa época.
Como o DNA (a molécula de de informação genética de um organismo) se modifica quimicamente e se degrada em pequenos fragmentos ao longo do tempo, identificar o genoma desses ancestrais humanos não foi uma tarefa fácil.
O cientista sueco teve que utilizar métodos genéticos modernos e analisar o DNA de mitocôndrias de neandertais (pequenas estruturas encontradas em células e que são responsáveis pela produção de energia) de um pedaço de osso de 40.000 anos.
Como o genoma mitocondrial contém uma fração da informação genética da célula, Pääbo conseguiu então sequenciar, pela primeira vez, uma região do DNA de um ancestral humano extinto. Esses resultados mostraram que os neandertais têm características distintas que não são encontradas encontradas em humanos modernos e chimpanzés.
Ainda de acordo com o comitê, o cientista levou a láurea de Medicina deste ano porque essas descobertas são fundamentais para o entendimento de como o nosso sistema imunológico reage a infecções. Isso porque a paleogenética revela como a sequências de genes ancestrais de nossos parentes extintos influenciam o funcionamento do corpo humano.
Na população tibetana de hoje em dia, por exemplo, um certo tipo de gene (EPAS1) encontrado entre os hominídeos de Denisova há 50 mil anos confere uma vantagem de sobrevivência em grandes altitudes e é bastante comum entre os tibetanos.
sexta-feira, 23 de setembro de 2022
O vírus que destrói câncer e pode revolucionar tratamento de tumores avançados.
Link para matéria completa: https://g1.globo.com/ciencia/noticia/2022/09/23/o-virus-que-destroi-cancer-e-pode-revolucionar-tratamento-de-tumores-avancados-segundo-cientistas.ghtml
Resumo: Um novo tipo de tratamento contra o câncer que usa um vírus comum para infectar e destruir células nocivas está se mostrando bastante promissor nos primeiros testes em humanos, dizem cientistas do Reino Unido. O câncer de um paciente desapareceu, enquanto outros viram seus tumores encolherem.
A droga é uma forma enfraquecida do vírus da herpes — herpes simplex — que foi modificado para matar tumores. Estudos maiores e mais prolongados são necessários, mas especialistas dizem que a injeção pode, por fim, oferecer uma tábua de salvação para mais pacientes com câncer avançado.
Krzysztof Wojkowski, um construtor de 39 anos do oeste de Londres, é um dos pacientes que participaram da fase 1 do teste de segurança em andamento, administrado pelo Instituto de Pesquisa do Câncer do Royal Marsden NHS Foundation Trust. Ele foi diagnosticado em 2017 com câncer nas glândulas salivares, perto da boca. Apesar da cirurgia e de outros tratamentos na época, seu câncer continuou a crescer. "Me disseram que não havia mais opções para mim, e que eu estava recebendo cuidados de fim de vida. Foi devastador, então foi incrível ter a chance de participar do estudo".
Um curto curso da terapia baseada no vírus — que é uma versão especialmente modificada do vírus da herpes que normalmente causa herpes labial — parece ter eliminado o tumor. "Tomei injeções a cada duas semanas durante cinco semanas que erradicaram completamente meu câncer. Estou livre do câncer há dois anos."
As injeções, aplicadas diretamente no tumor, atacam o câncer de duas maneiras — invadindo as células cancerosas e fazendo-as romper, e ativando o sistema imunológico. Cerca de 40 pacientes tentaram o tratamento como parte do estudo. Alguns tomaram apenas a injeção de vírus, chamada RP2. Outros tomaram ainda outro medicamento contra o câncer — chamado nivolumab. Os resultados, apresentados em uma conferência médica em Paris, na França, mostram que:
- Três em cada nove pacientes que tomaram apenas RP2, incluindo Krzysztof, viram seus tumores encolherem;
- Sete em cada 30 que receberam tratamento combinado também pareceram se beneficiar;
- Os efeitos colaterais, como cansaço, foram leves em geral.
- O principal pesquisador do estudo, Kevin Harrington, disse à BBC que as respostas ao tratamento observadas foram "verdadeiramente impressionantes" em uma variedade de cânceres avançados, incluindo câncer de esôfago e um tipo raro de câncer de olho.
"É raro ver taxas de resposta tão boas no estágio inicial de ensaios clínicos, pois seu objetivo principal é testar a segurança do tratamento, e envolve pacientes com câncer muito avançado para os quais os tratamentos atuais pararam de funcionar", afirmou. "Estou ansioso para ver se vamos continuar a ver benefícios à medida que tratamos um número maior de pacientes".
Não é a primeira vez que cientistas usam um vírus para combater o câncer. O NHS, sistema de saúde público do Reino Unido, aprovou um tratamento baseado no vírus do resfriado, chamado T-Vec, para câncer de pele avançado há alguns anos. Harrington chama o RP2 de uma versão turbinada do T-Vec. "Teve outras modificações no vírus para que, ao entrar nas células cancerígenas, efetivamente assine sua sentença de morte".
Marianne Baker, da organização Cancer Research UK, disse que as descobertas encorajadoras podem mudar o curso do tratamento do câncer. "Os cientistas descobriram que os vírus podem ajudar a tratar o câncer há 100 anos, mas tem sido um desafio aproveitá-los com segurança e eficácia."
"Esta nova terapia viral se mostrou promissora em um teste inicial de pequena escala — agora precisamos de mais estudos para descobrir como funciona."
"A pesquisa sugere que combinar vários tratamentos é uma estratégia poderosa, e terapias de vírus como esta podem se tornar parte do nosso kit de ferramentas para vencer o câncer".
quinta-feira, 15 de setembro de 2022
Robô da Nasa encontra moléculas orgânicas em Marte.
Link para matéria completa: https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/ansa/2022/09/15/robo-da-nasa-encontra-moleculas-organicas-em-marte.htm
sábado, 10 de setembro de 2022
Paleontólogos brasileiros e britânicos identificam no RS o mais antigo mamífero da Terra
Link para matéria completa: https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2022/09/10/paleontologos-brasileiros-e-britanicos-identificam-no-rs-o-mais-antigo-mamifero-da-terra.ghtml
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terça-feira, 6 de setembro de 2022
Saúde prorroga campanha de vacinação contra pólio por baixa adesão
Link para matéria completa: https://www.tecmundo.com.br/ciencia/246244-saude-prorroga-campanha-vacinacao-polio-baixa-adesao.htm
Resumo: Devido à baixa adesão, o Ministério da Saúde decidiu na segunda-feira (05/09/2022) prorrogar a Campanha Nacional de Vacinação contra a poliomielite, que seria encerrada na próxima sexta-feira, para o dia 30 de setembro. O foco da campanha é não apenas vacinar crianças de 1 a 4 anos com as primeiras doses, mas também incentivar a aplicação da dose de reforço em crianças mais velhas.
A quatro dias do final do esforço nacional de imunização, somente 34,4% das crianças entre seis meses e 4 anos 11 meses e 29 dias de idade haviam se vacinado até a segunda-feira (5), segundo a Agência Brasil. O número representa apenas 3,9 milhões de doses, mostrando que uma multidão de 7,5 milhões de crianças ainda não foram vacinadas contra a paralisia infantil no país.
Com a medida, o Ministério prorrogou igualmente a campanha de multivacinação, que acontece de forma concomitante à da pólio, e que tem como objetivo recuperar a cobertura vacinal de crianças e adolescentes que deixaram de tomar, durante o período da pandemia, os imunizantes previstos no calendário nacional de vacinação.
Embora a poliomielite tenha certificado de erradicação no Brasil desde 1994, a baixa cobertura vacinal dos últimos anos fez com que a doença contagiosa aguda continue sendo prioritária na campanha de vacinação. Atualmente, a prefeitura de Rorainópolis, em Roraima, está investigando um caso suspeito da doença que, em formas graves, leva à paralisia dos membros inferiores.
Além da Vacina Inativada Poliomielite (VIP), mais 17 imunizantes estão disponíveis para que crianças e adolescentes de até 15 anos atualizem suas cadernetas de vacinação.
sábado, 3 de setembro de 2022
Vazamento de Hidrogênio: NASA suspende novamente o lançamento da missão à Lua
Link para matéria completa: https://canaltech.com.br/espaco/artemis-i-nasa-suspende-novamente-o-lancamento-da-missao-a-lua-224607/
sexta-feira, 2 de setembro de 2022
Amazônia perdeu o equivalente a dez vezes o estado do Rio de Janeiro em 37 anos, aponta MapBiomas
Link para matéria completa: https://g1.globo.com/meio-ambiente/noticia/2022/09/03/amazonia-perdeu-o-equivalente-a-dez-vezes-o-estado-do-rio-de-janeiro-em-37-anos-aponta-mapbiomas.ghtml
Resumo: A Amazônia perdeu o equivalente a 12% de florestas nos últimos 37 anos, de acordo com o levantamento do MapBiomas, divulgado nesta sexta-feira (02/09/2022). A atualização dos dados sobre uso e cobertura da terra de 1985 a 2021 demonstrou que 44 milhões de hectares foram perdidos. O desmatamento é o equivalente a dez vezes a área de todo o estado do Rio de Janeiro.
Durante esses anos, 44,5 milhões de hectares foram convertidos para agropecuária, atividade que representa o principal vetor de desmatamento da região. Em 2021, a agropecuária ocupava 15% do bioma.
“O atual modelo de desenvolvimento econômico, baseado na conversão descontrolada de áreas de vegetação natural, coloca o Brasil frente a graves problemas no atual cenário de mudanças do clima”, explica Tasso Azevedo, coordenador do MapBiomas.
Dentre todos os estados que compõem a Amazônia Legal, o Pará foi o mais desmatado, com 35,2% das florestas convertidas em áreas de agricultura ou pastagem. O estado também tem uma estrada ilegal que atravessa áreas protegidas.
Perda de água e avanço do garimpo
Ainda de acordo com o levantamento, a Amazônia perdeu 14,5% de água, sendo Roraima o estado mais afetado. Em 25 anos houve uma redução de 53%.
Outro ponto de atenção é o avanço do garimpo. Em 2021, a atividade respondeu por três em cada quatro hectares (74%) mapeados como mineração na Amazônia. Dos pouco mais de 217 mil ha de área minerada no bioma, 64% foram mapeados no estado do Pará. Esse estado é também o que registrou maior expansão urbana nos últimos 37 anos.
Pouco mais da metade (54,3%) das áreas florestais remanescentes estão em áreas legalmente protegidas, como Terras Indígenas e Unidades de Conservação (exceto APA) – percentual semelhante ao das formações campestres que estão dentro de áreas protegidas (58,7%).
"Os recentes recordes de desmatamento e de queimadas comprovam que a Amazônia não está protegida. É importante ressaltar que não se trata apenas de desmatamento: parte da floresta remanescente está degradada. Esse processo coloca a floresta mais perto do ponto de inflexão a partir do qual ela entra em colapso", alerta Luis Oliveira Jr., que integra a equipe Amazônia do MapBiomas
Em julho deste ano, a divulgação do segundo o Relatório Anual de Desmatamento no Brasil (RAD), do MapBiomas demonstrou que só nos últimos três anos (2019-2021) o Brasil perdeu quase um Estado do Rio de Janeiro de vegetação nativa.
quinta-feira, 1 de setembro de 2022
Como se formam os 'rastros de nuvem' que aviões deixam no céu?
Link para matéria completa: https://www.bbc.com/portuguese/vert-fut-62753292
Resumo: Após as primeiras observações no início do século 20, a causa exata dos rastros de nuvens deixados pelos aviões foi motivo de debate por décadas, segundo Ulrich Schumann, professor de física atmosférica do Centro Aeroespacial Alemão (DLR, na sigla em alemão).
As primeiras teorias propuseram que os rastros seriam vibrações do motor do avião ou efeitos de cargas elétricas. Outros imaginaram se elas ocorreriam devido ao vapor d'água supersaturado, mas isso foi descartado porque se acreditava que a quantidade de vapor emitida seria insuficiente.
Descobrir as causas dos rastros dos aviões não foi uma grande preocupação até a Segunda Guerra Mundial, quando eles foram considerados um problema pela primeira vez.
"Eles [os rastros] revelam a posição das aeronaves. Você pode ver o rastro de um avião durante o voo", afirma Schumann. "Por isso, durante a Segunda Guerra Mundial, os militares tentaram evitar os rastros de nuvens porque queriam impedir a visibilidade das suas aeronaves."
As primeiras explicações corretas sobre a formação dessas nuvens foram elaboradas no início dos anos 1940 e 50. Foi quando surgiu o que agora é conhecido como critério de Schmidt-Appleman, que demonstra que as condições para formação dependem da pressão ambiente, da umidade e da relação entre a água e o calor liberados pelo avião.
Em resumo, os rastros dos aviões — chamados em inglês de contrails, abreviação de "trilhas de condensação" — são nuvens de partículas de gelo em formato linear que se formam depois da passagem das aeronaves. Eles podem ter de 100 metros a vários quilômetros de comprimento.
Três coisas são necessárias para que os rastros se formem: vapor d'água, ar frio e partículas sobre as quais o vapor d'água possa condensar-se.
O vapor d'água é produzido pelos aviões quando o hidrogênio do combustível reage com o oxigênio do ar. Em condições frias (tipicamente, abaixo de cerca de -40 °C), ele pode condensar-se, normalmente sobre as partículas de fuligem também emitidas pelos motores das aeronaves, em uma nuvem de gotículas que se congelam para formar partículas de gelo.
De forma geral, o processo relembra o congelamento da respiração em um dia frio de inverno, segundo Schumann.
Nem todas as aeronaves produzem rastros de nuvens. Estima-se que eles ocorram em cerca de 18% dos voos. É preciso que o ar esteja suficientemente frio para que a água congele e, por isso, eles normalmente aparecem apenas acima de certas altitudes — tipicamente, 6 km, ou 20 mil pés.
E a quantidade de voos que produz os rastros de nuvens mais persistentes é ainda menor. Quando o ar é limpo e sem nuvens, os rastros desaparecem rapidamente, pois o ar seco ambiente causa a sublimação das partículas de gelo (elas passam do estado sólido diretamente para o gasoso).
Mas se a atmosfera estiver úmida, as partículas de gelo não conseguem sublimar-se e os rastros podem durar por muito mais tempo.
"Os rastros podem durar apenas alguns minutos se o ar à sua volta for seco, mas, quando for úmido, eles podem persistir e espalhar-se para aumentar a formação de cirros", afirma Tim Johnson, diretor da organização sem fins lucrativos Aviation Environment Federation (AEF), com sede no Reino Unido.
Ele acrescenta que isso é importante porque os rastros de nuvens e o aumento da captura do calor irradiado pela Terra nas nuvens contribuem com o aquecimento do nosso planeta. E esse aquecimento é somado ao outro importante impacto climático da aviação — o CO2 lançado em imensas quantidades pelo escapamento dos aviões, que representa cerca de 2,5% das emissões globais de gás carbônico.
Mas o impacto climático dos rastros dos aviões é muito mais complicado que o das emissões de CO2.
O efeito sobre o aquecimento global
Nos anos 1960, começaram a surgir os primeiros estudos observando que os rastros dos aviões poderiam ter um efeito sobre a Terra, mas de resfriamento, segundo Schumann.
Isso ocorre porque o tom de branco das nuvens induzidas pelos rastros dos aviões reflete a luz solar para longe da superfície da Terra durante o dia, de forma similar aos cirros, que são nuvens naturais também compostas de cristais de gelo.
Mas os cientistas logo perceberam que os rastros de nuvens dos aviões também podem ter efeito de aquecimento da Terra, por meio de um efeito "estufa" de captura da luz infravermelha. "Eles capturam o calor emitido pela superfície da Terra e emitem parte dele de volta para a superfície", afirma Schumann. Este processo é similar à forma como os céus nublados produzem nuvens mais quentes.
Dependendo das condições exatas, um desses efeitos opostos pode sair vencedor. Rastros de nuvens formados sobre um cenário coberto de neve, por exemplo, não aumentam o resfriamento com a reflexão da luz solar, pois a superfície já é branca e refletora. Os rastros dos aviões também aquecem mais à noite, pois não há luz solar para ser refletida por eles. Por isso, o único efeito que ocorre é o de aquecimento.
Tudo isso, aliado à dificuldade de compreensão das condições atmosféricas exatas que formam os rastros dos aviões e sua diferenciação dos cirros naturais depois que eles se espalham pelo céu, faz com que a definição de números exatos sobre o impacto climático dos rastros de nuvens dos aviões seja algo complicado.
Mas a compreensão atual é de que "em média, em todos os países do mundo, ao longo de um ano, os rastros dos aviões aquecem", segundo Schumann.
O último estudo importante sobre o impacto climático dos rastros de nuvens, publicado em 2020, estimou que os impactos da aviação não relacionados ao CO2 — basicamente, os rastros de nuvens — triplicam a "promoção radiativa" das emissões de CO2 isoladamente.
De certa forma, esta é uma comparação capciosa, já que os efeitos de aquecimento dos rastros dos aviões e do CO2 ocorrem em horizontes temporais muito diferentes. "Os rastros de nuvens têm um esforço promotor muito forte, muito mais forte que o CO2. Mas os rastros têm vida curta e desaparecem após cerca de uma hora. Já o CO2 permanece por muito tempo — ele pode permanecer por 100 anos", explica Schumann.
A solução
Ainda assim, os cientistas alertaram que o efeito de captura de calor dos rastros de nuvens poderá triplicar até 2050, se nenhuma medida for tomada. A boa notícia é que esta pode ser, na verdade, uma ação razoavelmente simples. Pesquisadores demonstraram que apenas 2,2% dos voos contribuem com 80% dessa promoção e ajustes relativamente pequenos das altitudes desses voos — com baixo custo de combustível — poderão reduzir enormemente o efeito de aquecimento dos rastros de nuvens.
Pesquisas indicaram ainda que a formação de rastros de nuvens pode também ser reduzida diminuindo-se a quantidade de partículas de fuligem emitidas pelos voos, pois elas fornecem os núcleos onde se formam os cristais de gelo.
Evitar voar através de ar muito úmido, onde podem formar-se rastros de nuvens persistentes, é a medida mais importante neste processo, segundo Schumann, passando-se a voar acima, abaixo ou em volta dessas regiões. Mas ele afirma que são necessárias melhores previsões do tempo para possibilitar esta medida. "As previsões meteorológicas que temos hoje em dia não são suficientemente precisas para este propósito", segundo ele.
Em carta à revista Nature em 2021, dois pesquisadores argumentaram que o ajuste das altitudes de voo para minimizar a formação de rastros de nuvens poderá ser uma das medidas climáticas mais econômicas que podem ser tomadas.
Eles calculam que evitar os rastros de nuvens mais prejudiciais custaria US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,1 bilhões) por ano, com benefício de mais de mil vezes este valor. "Não conhecemos nenhum investimento climático comparável com probabilidade tão alta de sucesso", escreveram eles.
Mas, embora os governos reconheçam os desafios climáticos impostos pelos rastros dos aviões, poucas ações políticas foram tomadas até agora, segundo Tim Johnson. "Todos os objetivos climáticos definidos para o setor pela indústria, pelos países e pelas Nações Unidas referem-se apenas ao CO2", explica ele. "O debate sobre a incerteza científica e medições apropriadas é frequentemente mencionado como razão para dedicar maiores pesquisas em vez de ações."
No Reino Unido, os consultores governamentais sobre mudanças climáticas afirmaram que efeitos não relativos ao CO2, como os dos rastros de nuvens dos aviões, precisam ser objeto de maior atenção.
Observar esses efeitos agora é essencial, especialmente considerando como as tecnologias do futuro, como o hidrogênio, podem reduzir as emissões do setor, segundo Johnson.
segunda-feira, 29 de agosto de 2022
Pesquisa da UFU revela eficácia das formigas para o controle de pragas em lavouras
Link para matéria completa: https://g1.globo.com/mg/triangulo-mineiro/noticia/2022/08/28/pesquisa-da-ufu-revela-eficacia-das-formigas-para-o-controle-de-pragas-em-lavouras.ghtml
Resumo: Um grupo de pesquisadores da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) constatou que as formigas podem diminuir a abundância de alguns grupos de pragas e aumentar a produtividade das colheitas. A descoberta, publicada no jornal britânico The Guardian, indica que o uso desses animais nas lavouras pode ser mais eficaz que a aplicação de pesticidas.
A pesquisa foi liderada pelo aluno do Programa de Pós-Graduação em Ecologia, Conservação e Biodiversidade (PPGECO), Diego Anjos, com o apoio de professores da UFU e de universidades de São Paulo e do exterior. "Já estamos investigando as formigas como protetoras das plantas há um tempo. Porém, sempre em ambientes naturais. Como esses ambientes têm sido transformados em plantações, nosso estudo buscou sintetizar o papel das formigas em plantações”, explicou Anjos em entrevista ao portal Comunica UFU.
Para a pesquisa, foram analisadas 26 espécies de formigas. Segundo o pesquisador, embora as formigas também possam ter efeitos negativos, como a diminuição de inimigos naturais das pragas, os serviços e os benefícios delas superam os efeitos negativos, o que faz com que sejam uma solução mais sustentável do que o uso de pesticidas.
“Em geral, com um manejo adequado, as formigas podem ser úteis no controle de pragas e aumentar a produtividade das colheitas ao longo do tempo. Algumas espécies têm eficácia semelhante ou maior do que os pesticidas. Além disso, elas podem ser usadas juntamente com o manejo integrado de pragas: quando as formigas sozinhas não são suficientes”, complementou.
Ainda segundo o estudo, foi constatado que a proteção vegetal proporcionada pelas formigas é impulsionada mais nas agroflorestas do que nas monoculturas.
Com isso, essa técnica pode estimular os agricultores a utilizarem práticas mais sustentáveis, como o controle biológico, e práticas agroflorestais, como uma forma de promover naturalmente as formigas nos sistemas de cultivo.
terça-feira, 9 de agosto de 2022
Buraco gigante no deserto do Chile não para de crescer e intriga cientistas
Link para matéria completa: https://www.em.com.br/app/noticia/ciencia/2022/08/09/interna_ciencia,1385521/buraco-gigante-no-deserto-do-chile-nao-para-de-crescer-e-intriga-cientistas.shtml
Resumo: Os moradores vizinhos não conseguiam acreditar no que estavam vendo em uma estrada em Tierra Amarilla, cidade de cerca de 15 mil habitantes na região do Atacama, no norte do Chile. Uma enorme cratera circular de 32 metros de largura e 64 metros de profundidade surgiu no meio de uma estrada que atravessa um terreno de propriedade de uma mineradora.
Uma semana depois, o buraco aumentou: seu diâmetro agora é de 36,5 metros, de acordo com as últimas medições de satélite.
Como surgiu
Geólogos consultados pela BBC News Mundo, serviço de notícias em espanhol da BBC, explicaram que há vários eventos naturais ou resultado da atividade humana que podem causar um sumidouro deste tipo. Mas consideraram principalmente dois: o primeiro estaria relacionado às chuvas intensas que caíram na região no mês de julho. "Você tem várias camadas no solo, e há várias maneiras pelas quais a água pode erodir", afirma o geofísico chileno Cristian Farías, diretor de construção civil e geologia da Universidade Católica de Temuco, no Chile.
Ele explicou que "quando cai muita água da chuva em solos com alto teor de gesso, a água percola e corrói toda a parte inferior por vários dias, o que tira a sustentabilidade da parte superior e acaba gerando um colapso".
A segunda hipótese aponta para a influência da atividade mineradora na área. A companhia de mineração Candelaria explora uma jazida de cobre em Tierra Amarilla, e as galerias de sua mina penetram no subsolo, tanto no entorno do buraco quanto abaixo dele a uma profundidade muito maior. "As informações preliminares que circulam apontam para a intervenção da mineradora que realizou uma exploração excessiva de minerais naquela área", afirma Cristóbal Muñoz, diretor da ONG informativa Red Geocientífica de Chile.
Ele destaca que a empresa "tinha uma projeção prevista para extrair 38 mil toneladas de minério, mas extraiu cerca de 138 mil toneladas, mais que o triplo" naquela jazida. A intervenção da mineração pode ter desestabilizado o solo, segundo ele, desviando as águas subterrâneas do seu curso natural e esvaziando os aquíferos, gerando espaços que favorecem o terreno a ceder e cair devido ao seu próprio peso, formando a cratera. A Candelaria reconhece, por sua vez, a superexploração de minerais, mas garante que foi totalmente legal. "Em relação à extração excessiva, isso foi informado pela própria empresa às autoridades", declarou o gerente de relações públicas da empresa, Edwin Hidalgo.
Uma fonte do setor explicou à BBC News Mundo que é comum que mineradoras de cobre extraiam mais material do que o estimado devido à detonação de explosivos, entre outros motivos. O representante da empresa alegou que é cedo para tirar conclusões e destacou que "estão sendo investigados os diferentes fatos que podem ter causado o sumidouro, entre os quais se destaca a precipitação registrada no mês de julho".
Os moradores de Tierra Amarilla organizaram um protesto no domingo, e o prefeito, Cristóbal Zúñiga, pediu à mineradora que assuma sua responsabilidade, embora não a tenha apontado diretamente como culpada, enquanto aguarda as conclusões da investigação.
A ministra de Minas do Chile, Marcela Hernando, prometeu, por sua vez, ir "até as últimas consequências" para punir os responsáveis uma vez que forem identificados.
Quanto mais o buraco vai aumentar
Os deslizamentos de terra nas paredes do sumidouro têm sido constantes nos últimos dias, a ponto de aumentar seu diâmetro em 450 cm até os atuais 36,5 metros. "Primeiro começou a alargar na parte de baixo; depois começou a criar uma forma assimétrica, e o que está em cima não tem suporte, então começa a cair e vai se alargando de forma lenta mas dramaticamente até chegar à forma de cilindro", observou Farías, autor do livro Volcanes y terremotos ("Vulcões e terremotos", em tradução literal).
Sendo assim, a previsão é de que o buraco continue a crescer pelo menos até que o diâmetro na superfície se iguale ao do fundo, que é de 48 metros.
Muñoz acredita, no entanto, que pode aumentar ainda mais se houver novas desestabilizações no terreno. "De qualquer forma, não poderia ser mais de 200 ou 300 metros, que é o que importa para nós, porque o povoado mais próximo fica a 600 metros", declarou. Ele não descartou, no entanto, que este fenômeno seja reproduzido em outras áreas da região. "As áreas que seriam mais suscetíveis à ocorrência de outros sumidouros também estão sendo estudadas", afirmou.
Não é a primeira vez que um fenômeno do tipo acontece em Tierra Amarilla. Em novembro de 2013, uma cratera de 20 metros de comprimento e 30 metros de largura com 30 metros de profundidade apareceu após o colapso de uma estrutura subterrânea de uma operação de mineração.
Por que é circular
Também chamou a atenção que a cratera forme um círculo quase perfeito. "A aparência redonda de tal buraco se deve à forma do colapso", afirmou Cristian Farías.
O geofísico explicou que o colapso "começa em um ponto e se vai se estendendo de forma simétrica, ou seja, para todos os lados, radialmente, e isso faz com que tudo que colapsa o faça em círculo e pare em algum momento, quando encontra estabilidade.
"Muitas estruturas de colapsos na natureza ocorrem dessa maneira. Quando os vulcões, por exemplo, desmoronam porque o edifício vulcânico cai devido ao seu próprio peso, ou porque havia fluidos que não estão mais lá, a estrutura que é gerada costuma ser bastante circular; às vezes, um pouco mais oval, mas mais frequentemente circular".
O que vai acontecer com a cratera
Ainda não se sabe também o que o futuro reserva para o inesperado sumidouro de Tierra Amarilla. O buraco será tapado ou ficará à mercê das intempéries? "A capacidade volumétrica que este sumidouro tem é bastante grande. Para ser honesto, não pode ser tapado facilmente, então uma solução seria cercar esse perímetro e colocar barreiras de segurança", avalia o diretor da Red Geocientífica de Chile.
Para Muñoz, é importante "garantir que as pessoas não se aproximem para tirar fotos", pois podem ocorrer acidentes. Ele afirmou ainda que, mesmo que se tentasse tapá-lo, poderia ser em vão devido à própria natureza do buraco. "Tem que pensar que parte da terra que caiu não está mais embaixo, porque tem um fluido que é a água. Quando caiu, foi como por um rio."
O gerente de relações públicas da mineradora assegurou, por sua vez, que grande parte dos sedimentos teria se acumulado no fundo do buraco, reduzindo sua profundidade de 64 para 62 metros, segundo suas últimas medições.
segunda-feira, 8 de agosto de 2022
Cientistas restauram funções de células e órgãos em porcos mortos
Link para matéria completa: https://www.tecmundo.com.br/ciencia/242945-cientistas-restauram-funcoes-celulas-orgaos-porcos-mortos.htm
Resumo: Cientistas da Universidade Yale, nos Estados Unidos, descobriram uma maneira de atrasar a destruição permanente das células e órgãos que ocorre depois da morte. Para isso, eles usaram uma nova tecnologia, chamada OrganEx – um fluido protetor capaz de restaurar a circulação sanguínea e outras funções celulares uma hora após a morte, ao menos em porcos.
A expectativa é que as descobertas possam ajudar a estender a saúde dos órgãos humanos durante cirurgias e expandir a disponibilidade de órgãos para transplante, segundo os autores. A pesquisa foi publicada na revista Nature.
David Andrijevic, pesquisador de neurociência da escola de Medicina da Universidade Yale e autor principal do estudo, explicou, em uma publicação da instituição, que as células não morrem imediatamente, e sim após uma série mais prolongada de eventos. “É um processo no qual você pode intervir, parar e restaurar alguma função celular”, continuou o cientista.
No estudo, os pesquisadores aplicaram o fluido em um porco, via dispositivo de perfusão (mecanismo que bombeia sangue nos pulmões) – semelhante às máquinas coração-pulmão ECMO, que podem fazer o trabalho do coração e dos pulmões durante uma cirurgia –, após uma parada cardíaca induzida no animal anestesiado, por uma hora após a morte.
Seis horas após o tratamento, os cientistas descobriram que certas funções celulares essenciais ainda estavam ativas em muitas áreas do corpo dos porcos – inclusive no coração, fígado e rins – e que algumas funções dos órgãos haviam sido restauradas, inclusive atividade elétrica no coração, que manteve a capacidade de se contrair. A equipe também conseguiu restaurar a circulação sanguínea do animal.
“No microscópio, era difícil dizer a diferença entre um órgão saudável e um que havia sido tratado com a tecnologia OrganEx após a morte”, contou um dos pesquisadores.
Embora a atividade celular de algumas áreas do cérebro tenha sido restaurada, nenhuma atividade elétrica organizada que indicasse a consciência foi detectada durante qualquer parte do experimento.
Para a equipe, a nova tecnologia oferece várias aplicações potenciais, como prolongar a vida útil de órgãos em pacientes humanos e expandir a disponibilidade de órgãos de doadores para transplante, além de ajudar a tratar órgãos ou tecidos danificados por isquemia durante ataques cardíacos ou derrames.
quinta-feira, 28 de julho de 2022
Cães são clonados pela 1ª vez a partir de células editadas por CRISPR
Link para matéria completa: https://www.tecmundo.com.br/ciencia/242453-caes-clonados-1-vez-partir-celulas-editadas-crispr.htm
Resumo: Cientistas da empresa de biotecnologia ToolGen, da Coreia do Sul, conseguiram gerar dois cães da raça beagle através de um processo de clonagem de células da pele editadas geneticamente pela técnica CRISPR. Embora criação de cães a partir dessa técnica já tenha sido realizada por cientistas chineses, esta é a primeira vez que a edição ocorre em células clonadas, em vez de óvulos fertilizados.
O uso da técnica teve como objetivo eliminar mutações genéticas causadoras de doenças normalmente presentes em cães com pedigree, gerados por endogamia. A ideia é que eventuais alterações gênicas presentes na estrutura do DNA dos animais possam ser removidas sem que ocorram alterações em outras características, como ocorreu na edição de genes de óvulos.
Pesquisadora líder do estudo, a médica veterinária Okjae Koo explicou que, entre os problemas gerados pela endogamia, estão spaniels com cérebros maiores que seus crânios e boxers com epilepsia.
Como foi feita a clonagem dos dois beagles?
Para clonar os filhotes de beagle, Okjae e sua equipe usaram a ferramenta CRISPR-Cas9 para editar genes da pele geneticamente modificada, para mutar um gene chamado DJ-1, associado a doenças como o Parkinson. A supressão da proteína foi combinada com a adição de vários genes, entre os quais uma proteína verde fluorescente para facilitar a detecção das células editadas.
Após editadas, as células foram colocadas ao lado de óvulos com DNA previamente retirado. Em seguida, pulsos curtos de eletricidade foram usados para fundir o material orgânico. Assim, foram criados 68 embriões que, implantados em seis mães diferentes, resultaram em dois filhotes. Com 22 meses de vida, os cães não apresentam nenhuma anomalia, embora doenças ligadas ao DJ-1 surjam em idade mais avançada.
Chamados de Tiangou e Hercules, os dois beagles têm mais massa muscular do que os seus homólogos sem edição genética. A equipe continua usando a técnica para criar mais “irmãos” para a dupla. Embora esses cães estejam sendo criados para pesquisas médicas, algumas empresas norte-americanas, como a ViaGen, oferecem clones de pets falecidos ao preço de R$ 50 mil (R$ 262 mil) por filhote.
Comentário: Ops... chegou a Era do RePET (do filme O Sexto Dia).
quinta-feira, 23 de junho de 2022
COVID-19: Vacinados têm morrido tanto de COVID-19 como os não vacinados? Pode parecer, mas não
Link para matéria completa: https://www.unasus.gov.br/especial/covid19/markdown/548
sexta-feira, 29 de abril de 2022
Jararaca-ilhoa e mais 1,8 mil espécies: estudo de 10 anos mostra que 21% dos répteis estão sob risco de extinção
Link para matéria completa: https://g1.globo.com/ciencia/noticia/2022/04/27/jararaca-ilhoa-e-mais-18-mil-especies-estudo-de-10-anos-mostra-que-21percent-dos-repteis-estao-sob-risco-de-extincao.ghtml
Resumo: Cerca de duas em cada dez espécies de répteis do mundo estão ameaçadas de extinção, aponta um estudo inédito feito com mais de 10 mil espécies e publicado na revista científica "Nature" nesta quarta-feira (27/04/2022).
A pesquisa é uma das primeiras do tipo a avaliar de forma abrangente o risco de extinção para essa classe de animais. Ela foi liderada por pesquisadores da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês) e pela ONG Conservação Internacional.
Nos últimos anos, outros grandes estudos do tipo já tinham sido feitos para aves, anfíbios e mamíferos, mas não para répteis especificamente. "Grande parte do trabalho de conservação de animais era feito com esses (outros) grupos. A gente não tinha uma avaliação global dos répteis. Agora esse trabalho andou e finalmente temos a primeira [pesquisa] mundial", comemora Márcio Roberto Costa Martins, professor do Departamento de Ecologia da USP, que participou da publicação.
A pesquisa durou mais de 10 anos e envolveu 900 cientistas de 24 países (representando os seis continentes). Eles analisaram as necessidades de conservação de répteis como lagartos, cobras, tartarugas e crocodilos. Das 10.196 espécies avaliadas, cerca de 1.829 (21%) estão ameaçadas de extinção (categorizadas como vulneráveis, em perigo ou criticamente em perigo, conforme a lista vermelha da IUCN).
A análise também indicou que as duas espécies mais ameaçadas de répteis são os crocodilos e as tartarugas: cerca de 57,9% e 50,0% dos representantes dessas duas espécies avaliadas estão sob ameaça, respectivamente.
No Brasil, o trabalho foi coordenado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e contou com a participação de dezenas de pesquisadores. E a ciência brasileira ofereceu uma grande contribuição para a pesquisa. Márcio Martins explica que das 10 mil espécies de répteis avaliadas, cerca de 800 ocorrem no país e, por isso, foram estudadas. Além disso, as principais espécies de répteis ameaçadas por aqui, segundo o pesquisador, são a jararaca-ilhoa, a jiboia amarela (Corallus cropanii) e as tartarugas marinhas.
"A jaraca-ilhoa é um caso emblemático porque teve um declínio populacional grande. Metade da população da espécie foi perdida muito provavelmente por exploração ilegal e tráfico de animais", conta Martins. "Já a cobra amarela, que passou por mais de 50 anos sem ser observada no país, começou a reaparecer, em alguns indivíduos, nos últimos anos. O que faz a gente acreditar que esse é um animal muito difícil de ser detectado na natureza". Já as tartarugas marinhas têm as cinco espécies que ocorrem no Brasil ameaçadas de extinção.
De acordo com os pesquisadores, embora os répteis sejam conhecidos por habitarem lugares inóspitos como desertos e vegetações áridas, a maioria das espécies ocorre em habitat florestais e, por isso, sofrem com as crescentes ameaças de exploração madeireira e de desflorestamento causado pela indústria agrícola.
quinta-feira, 28 de abril de 2022
Pesquisadores descobrem maior fóssil de dinossauro da família dos 'megaraptors'
Link para matéria completa: https://g1.globo.com/ciencia/noticia/2022/04/28/pesquisadores-descobrem-maior-fossil-de-dinossauro-da-familia-dos-megaraptors.ghtml
Resumo: Paleontólogos argentinos revelaram nesta quarta-feira (27/04/2022) a descoberta dos restos fossilizados do maior dinossauro pertencente à família dos "megaraptors".
O dinossauro, uma nova espécie chamada Maip macrothorax, tinha entre 9 e 10 metros de comprimento, diferentemente da maioria dos outros "megaraptors", que não chegavam a mais de 9 metros.
De acordo com a equipe de pesquisadores, as características desse novo dinossauro são inéditas, pois além da altura singular, ele pesava aproximadamente cinco toneladas e sua coluna era composta de enormes vértebras, interligadas por um complexo sistema de músculos, tendões e ligamentos, que a equipe conseguiu reconstruir a partir de uma série de sulcos e rugosidades em suas regiões articulares.
"Este animal é muito grande em tamanho e conseguimos recuperar muitos pedaços", contou à Reuters um dos responsáveis pela descoberta, o pesquisador Mauro Aranciaga Rolando.
Os fósseis foram descobertos em março de 2019, na província de Santa Cruz, na Patagônia, dias antes da aplicação das restrições sanitárias da pandemia de Covid-19 na Argentina, disse o Conselho Nacional de Pesquisa Científica e Técnica do país, ao qual pertencem os especialistas que encontraram o dinossauro.
Além do grupo, dois cientistas japoneses também participaram do estudo. Devido à pandemia, os paleontólogos inicialmente tiveram que distribuir os fósseis entre eles e analisá-los em casa.
Acredita-se que o dinossauro carnívoro tenha habitado o que hoje é o extremo sul da Argentina há 70 milhões de anos, durante o período Cretáceo.
Megaraptors eram animais com um esqueleto ágil, uma cauda longa que lhes permitia manobrar e se equilibrar, um pescoço comprido e um crânio alongado com mais de 60 dentes pequenos, acrescentou Aranciaga Rolando.
À agência argentina CTyS o pesquisador contou ainda que o nome da nova espécie vem da mitologia Tehuelche, de uma criatura que vivia nas montanhas e matava usando o frio.
sábado, 11 de dezembro de 2021
Novo Ensino Médio exigirá mudanças nas provas do Enem a partir de 2024
Resumo:
Em meio a pedidos de demissão no Inep, foram apresentadas na segunda-feira (08.12.2021), no Conselho Nacional de Educação (CNE) as recomendações para o novo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que deve ser aplicado a partir de 2024. O Estadão teve acesso ao documento que indica que a prova deve ter duas etapas, uma de conhecimentos gerais e outra dividida em quatro áreas profissionais.
A mudança no Enem é uma exigência da lei porque a partir de 2022 as escolas precisam oferecer o novo Ensino Médio, que dará flexibilidade aos alunos para escolher parte do currículo, de acordo com suas preferências e aspirações de trabalho. A nova prova terá, portanto, de avaliar também essa nova formação.
A proposta do parecer da ex-presidente do CNE Maria Helena Guimarães de Castro é que a segunda etapa do Enem seja dividida em Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática (Stem), classificando alunos para cursos das Engenharias, Química, Computação, entre outros; Ciências Sociais Aplicadas, para cursos de Economia, Administração, Direito; Humanidades, Linguagens e Artes, para cursos de Filosofia, História, Pedagogia, entre outros; e Ciências Biológicas e Saúde, para cursos de Medicina, Enfermagem, Meio Ambiente, entre outros.
O documento entra em consulta pública nesta quarta-feira (10.12.2021) e será votado no conselho em dezembro. Não foi proposta uma prova específica para quem optar por fazer ensino Técnico com o Médio.
Se aprovado, o Inep deve começar a elaborar o exame a partir dessas diretrizes. Com a debandada de mais de 30 servidores que pediram exoneração dos cargos, a preocupação de Maria Helena é "como e quando" isso seria feito.
— O MEC precisa se preparar, contratar consultores, fazer investimento em dinheiro e técnico para ter um novo banco de itens (perguntas da prova) — disse.
O parecer diz ainda que a prova pode ter questões dissertativas e não apenas de múltipla escolha.
Maria Helena ouviu secretarias, entidades, universidades e analisou um estudo de experiências internacionais feito pela consultoria Vozes da Educação com apoio do Itaú Educação e Trabalho. Muitos dos países analisados têm uma prova geral e outra com escolha dos estudantes. A maioria tem questões discursivas e algumas orais, como na França e no Reino Unido. China e Alemanha descentralizam a organização do exame, apesar de ele ser nacional.
quinta-feira, 2 de dezembro de 2021
Irã avança no enriquecimento de urânio em meio a negociações sobre acordo nuclear
Link para texto completo: www.maisgoias.com.br/ira-avanca-no-enriquecimento-de-uranio-em-meio-a-negociacoes-sobre-acordo-nuclear/
Resumo: O Irã começou a enriquecer urânio com centrífugas avançadas mais eficientes na planta de Fordow, afirmou a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) nesta quarta-feira (01/12/2021), prejudicando o acordo nuclear de 2015, cujas negociações com o Ocidente foram retomadas nesta semana.
O anúncio do organismo da ONU responsável por supervisionar as instalações iranianas parece minar as tratativas que têm o objetivo de trazer Washington e Teerã de volta ao pacto —os diálogos foram suspensos durante cinco meses após a eleição do presidente linha-dura Ebrahim Raisi no Irã.
As conversas, que chegaram ao terceiro dia nesta quarta, ocorrem em meio a ceticismo generalizado. A expectativa inicial era salvar o pacto abandonado pelo ex-presidente dos EUA Donald Trump em 2018. Desde então, o Irã passou a violar o tratado —o país afirma querer enriquecer urânio apenas para uso civil.
Diplomatas de Irã, Reino Unido, China, Alemanha, Rússia e França estão presentes, mas os diálogos no fundo são negociações indiretas entre Teerã e Washington, já que o país se recusa a se sentar à mesa com um emissário dos Estados Unidos.
O time de negociações do Irã estabeleceu demandas que americanos e europeus consideram irreais, segundo representantes ocidentais. O país exige a suspensão de todas as sanções impostas pelos EUA e pela União Europeia desde 2017, incluindo as que não têm relação com o programa nuclear iraniano.
A suspensão dessas medidas era algo previsto no acordo de 2015 em troca de limites rígidos ao programa nuclear do país persa. Com a nova produção, os negociadores ocidentais temem que o país persa esteja criando motivos para ganhar vantagem nas conversas. A AIEA divulgou que o Irã começou a enriquecer urânio a 20% com 166 máquinas IR-6 avançadas em Fordow, local incrustado em uma montanha.
O acordo de 2015 não permite que o Irã enriqueça urânio nesta planta, um sinal de quão degradado está o trato. Até o momento, o país havia produzido o material no local com máquinas IR-1 e com algumas IR-6, mas sem armazená-lo. Há ainda 94 máquinas IR-6 instaladas em Fordow que não estão em operação.
Um relatório mais amplo da AIEA distribuído entre Estados-membros da agência e ao qual a agência de notícias Reuters teve acesso apontou que, como resultado dessa movimentação no Irã, a entidade planeja aumentar as inspeções na planta de Fordow, mas os detalhes para isso ainda precisam ser definidos.
Teerã minimizou o relatório como algo de rotina, ainda que a AIEA, que não dá razões claras para a existência de tais documentos, normalmente os publique quando há desdobramentos importantes como novas quebras do acordo. “O recente relatório sobre as atividades nucleares é uma atualização habitual em linha com sua verificação regular no Irã”, escreveu a missão permanente de Teerã na ONU.
Em outro ponto de tensão, o porta-voz do chanceler iraniano acusou nesta quarta Israel de espalhar mentiras para atrapalhar as negociações. Não ficou claro ao que ele se referia, mas um repórter do site americano Axios baseado em Tel Aviv publicou na segunda (29/11/2021) que Israel compartilhou informações de inteligência nas últimas duas semanas com aliados americanos e europeus sugerindo que Teerã se preparava para enriquecer urânio com 90% de pureza, grau necessário para desenvolver armas nucleares.
Nos últimos meses, o Irã enriqueceu urânio a níveis sem precedentes e restringiu atividades de inspetores da AIEA, mas os limites do acordo já vinham sendo ultrapassados desde que os EUA deixaram o pacto.
O diretor da agência da ONU, Rafael Grossi, visitou Teerã na semana passada com a esperança de abordar vários pontos de divergência entre o órgão e o Irã. Após a viagem, ele afirmou que não conseguiu avanços nos temas apresentados. Para não agravar a situação, diplomatas ocidentais decidiram não pressionar por uma resolução crítica ao Irã na semana passada durante reunião do conselho de ministros da AIEA.


