segunda-feira, 8 de novembro de 2021

Por que degelo do permafrost é uma das maiores ameaças ao planeta

Link para matéria completa: https://www.bbc.com/portuguese/geral-59179808

Resumo: Um dos maiores desafios que a humanidade enfrenta hoje é como reduzir a produção de gases que estão superaquecendo nossa atmosfera. O excesso dos chamados gases de efeito estufa está gerando mudanças climáticas que produzem um número maior de fenômenos meteorológicos extremos, como secas e inundações.
Descobrir como podemos reduzir nossas emissões de dióxido de carbono (CO2) e outros gases nocivos é um dos objetivos da COP26, a conferência das Nações Unidas sobre clima, que acontece na cidade escocesa de Glasgow.
Mas enquanto políticos e cientistas debatem como reduzir a queima de combustíveis fósseis e outras atividades poluentes, pouco se fala sobre outra grande fonte de gases de efeito estufa que é potencialmente muito mais perigosa para a nossa atmosfera. Trata-se do permafrost, uma das maiores reservas de carbono do planeta.
Os cientistas estimam que cerca de 1,5 trilhão de toneladas de carbono estão armazenados no permafrost. Ou seja, o dobro do que há atualmente na atmosfera. E a má notícia é que esse carbono está sendo liberado na atmosfera, na forma de CO2 e metano, a uma velocidade nunca vista antes na história da humanidade.
Na verdade, especialistas que estudam o permafrost afirmam que hoje ele emite mais carbono do que absorve, passando de reservatório de carbono a fonte de poluição. E isso faz dele uma das maiores ameaças à nossa atmosfera.

O que é o permafrost
É uma camada do subsolo da crosta terrestre que está permanentemente congelada — daí seu nome — em algumas das regiões mais frias do mundo.
Fica debaixo de uma camada mais fina de vegetação e terra, que os especialistas chamam de "camada ativa", que congela quando a neve ou o gelo estão no topo e derrete quando está mais quente. Esta camada protege o permafrost, que é composto de terra, rochas, areia e matéria orgânica (restos de plantas e animais), unidos por gelo. É nesses restos orgânicos que é capturado o carbono que, congelado no subsolo, é inofensivo, mas se liberado em grandes quantidades pode se tornar uma das principais fontes de poluição do planeta.
Julian Murton, professor de Ciência do Permafrost na Universidade de Sussex, explicou à BBC News Mundo (serviço de notícias em espanhol da BBC), que — dependendo das condições da superfície — o carbono pode ser liberado como CO2 ou como metano, que é "30 vezes mais poderoso como gás de efeito estufa".
Embora qualquer camada de subsolo que permaneça congelada por pelo menos dois anos já seja tecnicamente considerada permafrost, Murton observa que "grandes extensões foram criadas durante as eras glaciais."
Este permafrost mais antigo, que tem centenas de milhares de anos, é o mais espesso e profundo, podendo se estender por até 1,5 mil metros abaixo da superfície. Em contrapartida, o permafrost mais recente costuma ter apenas alguns centímetros de profundidade.

Localização
A maior parte está localizada no hemisfério norte, onde estima-se que quase um quarto dos solos tenham permafrost. 
Ele se concentra principalmente na região do Ártico, sobretudo em partes da Rússia (Sibéria), Estados Unidos (Alasca), Canadá e Dinamarca (Groenlândia).
Além do Ártico, ele também é encontrado no planalto tibetano e em regiões de grande altitude, como as Montanhas Rochosas. No hemisfério sul, há muito menos permafrost do que no norte, porque há mais oceano e menos terra.
Embora os cientistas suspeitem que deve haver terra congelada debaixo da enorme camada de gelo da Antártida, ela é profunda demais para se comprovar. Sabe-se que há permafrost nas pequenas partes do continente branco onde há solo descoberto.
Também existe nas regiões austrais mais altas, como os Andes, na América do Sul, e os Alpes do Sul, na Nova Zelândia.
Um estudo publicado pelo Departamento de Geografia da Universidade de Zurique, na Suíça, estimou em 2012 que, se todas as áreas de permafrost do mundo fossem somadas, elas somariam cerca de 22 milhões de quilômetros quadrados.

Por que está liberando carbono
Basicamente porque o aquecimento global está aumentando as temperaturas em todo o planeta, mas ainda mais na área do Ártico, que está esquentando cerca de três vezes mais rápido do que o resto da Terra. O aquecimento global também está tornando o clima do Ártico mais úmido, explica o professor Murton.
Quando o permafrost está em seu estado natural, ele atua como o refrigerador da Terra, mantendo os resíduos de carbono orgânico congelados e secos. Assim não geram nenhum dano ao meio ambiente.
Mas, da mesma forma que os alimentos começam a apodrecer quando tiramos do freezer, à medida que o calor e as chuvas derretem essa camada congelada de terra, os micróbios começam a decompor os restos orgânicos, liberando dióxido de carbono e metano na atmosfera. Mas o dano não termina por aí.
Os gases de efeito estufa liberados fazem com que as temperaturas aumentem ainda mais, o que, por sua vez, gera mais derretimento. É o que os cientistas chamam de "ciclo de feedback" e isso está amplificando os danos do degelo.
Mas apesar da grande ameaça potencial representada pelo derretimento do permafrost — mesmo que apenas parte do CO2 e metano retidos fosse liberada, ainda assim isso poderia ser catastrófico —, o fato é que as projeções sobre as mudanças climáticas não levam esse fenômeno em consideração.
O motivo, explica Murton, é que é muito difícil projetar como o aquecimento global impactará essa camada subterrânea.
"O aquecimento do clima está acontecendo na atmosfera, e o permafrost é subterrâneo. Ambos são separados por uma camada complexa, que alguns chamam de amortecedor, formada por vegetação — por exemplo, tundra — neve, matéria orgânica e água", explica.
"Essa camada amortecedora muda constantemente, dia a dia, mês a mês e ano a ano. Com as mudanças climáticas, vai mudando a vegetação, a quantidade de neve... O vínculo entre o ar e a terra é muito complexo e mutável", completa.
Além disso, o fato de que o permafrost está localizado em algumas das partes mais remotas e frias do mundo complica seu estudo.
Nesse sentido, muitas das medições realizadas utilizam imagens de satélite que podem detectar mudanças na temperatura da superfície.
"Estamos vendo evidências de um degelo extenso do permafrost próximo à superfície", diz o especialista britânico, embora deixe claro que a variabilidade constante torne difícil medir esta redução.
Um estudo liderado pela cientista britânica Sarah Chadburn em 2017 determinou que se a temperatura da atmosfera aumentar 2 °C em comparação com a era pré-industrial — hoje está quase 1,2 °C mais quente — 6,5 milhões de km2 de permafrost irão desaparecer, ou seja 30% do total.
Se o mundo não chegar a um acordo para deixar de liberar gases de efeito estufa, e a temperatura continuar subindo no ritmo atual, perderíamos 70%, diz a projeção.
Ainda assim, Murton se mostra otimista.
"Não sou um cientista especialista em carbono, mas estudei o descongelamento do permafrost como geólogo por 30 anos, e se há algo que acho óbvio nesse processo é que ele é reversível", diz ele. "Quando o permafrost descongela, muitas vezes se formam depressões, e o permafrost cai por uma encosta e é soterrado por sedimentos. É muito comum que essas depressões se estabilizem depois de um tempo e a vegetação cresça em cima, fazendo com que o permafrost não fique mais exposto". "Não acho que o ciclo de feedback seja inevitável", acrescenta.
O especialista também destaca que o permafrost mais antigo e profundo da Terra já sobreviveu a períodos ainda mais quentes do que o atual. "Esse permafrost espesso, velho e congelado continuará ali em 100 anos, em 500 anos e certamente mais além", prevê.

domingo, 7 de novembro de 2021

Os aditivos químicos presentes em 4 de cada 5 alimentos vendidos nos mercados do Brasil

Link para matéria completa: https://www.bbc.com/portuguese/geral-59082513

Resumo: A nutricionista Vanessa Montera investigou em seu estudo como esses aditivos são usados pela indústria no Brasil.
Esse trabalho foi sua tese de doutorado pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e  foi publicado no periódico Food and Function, da Sociedade Real de Química, do Reino Unido.
A nutricionista analisou uma base de dados elaborada pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor a partir da visita a dez lojas das cinco maiores redes de supermercado do país em duas cidades, Salvador e São Paulo.
Todos os produtos embalados tiveram seus rótulos fotografados. De cerca de 14 mil itens, foram excluídos os que estavam duplicados, as águas engarrafadas e aqueles que não tinham informações nutricionais nas embalagens. Restaram 9.856 alimentos, que foram divididos em 25 categorias.
Em seguida, foram verificados os ingredientes de cada um deles. A cientista concluiu que 79,4% tinham ao menos um aditivo.
Mas isso conta apenas uma parte da história, porque a minoria (11,6%) tinha um aditivo só, enquanto 19,8% tinham dois ou três, 23,2% tinham quatro ou cinco e 24,8% — a maior parcela do total — tinham seis ou mais.
Os produtos com mais aditivos foram as bebidas de fruta saborizadas (com teor de suco abaixo de 30% e pós e concentrados para preparo de refrescos). Nesses produtos, em média, os aditivos representavam 79,7% do número total de ingredientes listados.
Também se destacaram refrigerantes (74,5%), outras bebidas (57,3%) — tais como aquelas à base de soja, chás prontos para consumo, bebidas para desportistas, leite de coco —, produtos lácteos não adoçados (51,1%), néctares (49,7%), produtos lácteos adoçados (45,6%) e doces e sobremesas (45,4%).
Bebidas de fruta, refrigerantes e outros produtos semelhantes são o que têm mais aditivos, de acordo com o estudo
Entre os cinco aditivos mais usados, quatro eram do tipo cosmético — a exceção foram os conservadores, que fazem com que os alimentos durem mais tempo.
Os aromatizantes, que dão cheiro a um produto, foram de longe o aditivo mais comum. Estavam em 47,1% dos produtos.
Depois, vieram os conservadores (28,9%), os corantes (27,8%; conferem cor à comida), os estabilizantes (27,6%; mantêm a dispersão de componentes) e os emulsificantes (19,4%; mantêm uma mistura).
"Os conservadores têm um propósito, porque a indústria precisa fazer com que esses produtos possam ficar mais tempo na prateleira, mas os aditivos cosméticos só servem para deixar o pão mais fofinho, fazer o iogurte ficar rosa, deixar o creme de leite mais branco. Seu único propósito é tornar o produto mais atraente para o consumidor e, por isso, não são estritamente necessários", avalia Montera.
A nutricionista argumenta que sua pesquisa mostra que a indústria de alimentos está pesando a mão no uso desses ingredientes.
"Tinha um produto que tinha um umectante [que previne a perda de umidade] e um antiumectante [que impede a absorção de umidade]. Qual é o sentido disso?", questiona.

A Ciência ainda é inconclusiva sobre se os aditivos causam ou não prejuízos à saúde.
Há estudos que apontam indícios de que seu consumo por pode estar ligado a distúrbios de comportamento, transtornos mentais, alergias, alterações no metabolismo do corpo, obesidade e câncer.
Existe ainda a preocupação com o fato de os ultraprocessados acostumarem nosso paladar a um excesso de certos ingredientes, como sódio e açúcar, tornando mais difícil adquirir o gosto pelos alimentos in natura, que são fontes de nutrientes.
A indústria de alimentos diz que os aditivos são importantes para garantir a segurança e o valor nutricional dos alimentos e que não há por que se preocupar.
A Associação Brasileira da Indústria e Comércio de Ingredientes e Aditivos para Alimentos disse à BBC News Brasil que o número de aditivos na composição de um produto "não tem nenhuma relação" com o alimento ser saudável ou não.
"A quantidade máxima permitida leva em conta a interação entre os aditivos em todas as categorias de alimentos, bem como a ingestão diária aceitável, com base no perfil alimentar da população brasileira", declarou a entidade.
Por sua vez, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos disse à reportagem que os aditivos são usados em "pouquíssimas quantidades" e controlados rigorosamente.
"Não há evidências que demonstrem que a combinação de aditivos num mesmo alimento possa oferecer riscos à saúde humana", afirmou a associação.
Um dos motivos é que essas pesquisas quase não são feitas, argumenta Daniela Canella.
Indústria de alimentos diz não haver estudos que apontem prejuízos à saúde por causa dos aditivos
"Não há estudos no Brasil e existem pouquíssimos no mundo que analisam os aditivos somados, isso normalmente é feito com cada um deles sozinho. É possível que o efeito cumulativo deles não seja seguro", afirma a nutricionista.
Vanessa Montera aponta outros problemas. De acordo com a pesquisadora, a maioria das pesquisas, que são feitas pela própria indústria, analisam apenas se os aditivos são tóxicos ou causam mutações nas células e não investigam os prejuízos que podem causar ao metabolismo, ou seja, ao funcionamento do corpo.
"Tem alguns estudos que apontam efeitos preocupantes, mas realmente não é nada que nos faça bater o martelo. Mas, ainda assim, deveria ser adotado o princípio da precaução, porque, da mesma forma que não dá pra dizer com 100% de certeza que são prejudiciais, também não dá pra garantir que não são", diz a cientista.
Além disso, os estudos são realizados majoritariamente em animais, explicam os especialistas. Não seria ético fazer pesquisas dos efeitos em humanos, dando aditivos às pessoas para ver o que acontece.
A saída, explica Canella, é fazer os chamados estudos observacionais, em que se acompanha um grupo de pessoas por um tempo e se analisam seus hábitos e estilo de vida e os problemas de saúde para ver se há alguma correlação.
"É difícil fazer estudos assim porque sempre pode ter havido outra influência. Pode ter sido a poluição, e não o aditivo, que causou uma doença, por exemplo. Por isso, o nível de evidências nunca vai ser o ideal, o que é uma maravilha para a indústria, que sempre vai poder dizer que não dá pra estabelecer uma relação de causa e consequência, e é verdade", diz a pesquisadora da USP.

Anvisa vai rever regras de aditivos
Os aditivos devem ser listados entre os ingredientes informados nos rótulos
Ter mais aditivos é sinal de pior qualidade porque essas substâncias são usadas muitas vezes para substituir ingredientes naturais.
Em tese, por exemplo, uma empresa poderia usar morangos de verdade para deixar o iogurte rosa, mas morangos são mais caros do que um corante.
Os aditivos também servem para "maquiar" os produtos ultraprocessados, diz Canella, tornando seu aspecto, textura e gosto aceitáveis.
A nutricionista defende que cabe ao governo brasileiro exigir padrões de qualidade melhores das fabricantes de alimentos.
"Os países têm legislações mais e menos rigorosas. Se em um lugar você pode usar matéria-prima de pior qualidade, esse país se torna um refugo da indústria. Se dá pra produzir mais barato e a legislação não barra, por que uma empresa vai ter mais despesa e menos lucro?", questiona Canella.
Também seria bom que os rótulos informassem melhor sobre esses ingredientes, indicando sua quantidade, por exemplo, acrescenta Montera.
O Brasil terá uma oportunidade de aprimorar suas regras para os aditivos. Está prevista na agenda da Anvisa para o período entre 2021 e 2023 a modernização das regras e procedimentos para autorização do uso dos aditivos em alimentos.
Mas, questionada sobre esse assunto, a agência disse à BBC News Brasil que não iria comentar.

quarta-feira, 3 de novembro de 2021

Fonte de proteínas e colágeno, águas-vivas são usadas na alimentação após congelamento em nitrogênio

Link para matéria completa: https://g1.globo.com/ciencia/noticia/2021/11/03/fonte-de-proteinas-e-colageno-aguas-vivas-sao-usadas-na-alimentacao-apos-congelamento-em-nitrogenio.ghtml

Resumo: A repórter Diana Piñeros viajou para o o sul da Itália, perto de Nápoles, para experimentar uma iguaria da região: águas-vivas. Segundo Antonella Leone, biotecnóloga da "Go Jelly", águas-vivas são ricas em proteínas e colágenos. Mas o processo para torná-las comestíveis não é fácil. Primeiro, elas devem ser congeladas em nitrogênio líquido num laboratório para que todas as toxinas sejam removidas. Por isso, ainda é difícil encontrar restaurantes com águas-vivas nos cardápios europeus, mas alguns restaurantes já se dedicam a este nicho.
Confira o vídeo no link acima.

Outra matéria sobre o tema: 

segunda-feira, 1 de novembro de 2021

Elefantes nascem sem presas em Moçambique e mudança é resposta evolutiva à caça ilegal

Links para texto completo:

https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/elefantes-nascem-sem-presas-em-mocambique-e-mudanca-e-resposta-evolutiva-a-caca-ilegal/

https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2021/11/caca-ao-marfim-afeta-evolucao-e-faz-elefante-sem-presa-virar-maioria-em-mocambique.shtml

Resumo: As presas de um elefante estão entre suas características definidoras – ajudam o animal a levantar galhos pesados, derrubar árvores, retirar cascas, lutar e cavar buracos para buscar água e minerais.
Mas uma proporção crescente de elefantes fêmeas no Parque Nacional da Gorongosa, em Moçambique, nasceu sem estas ferramentas cruciais – e os cientistas acreditam que seja uma resposta evolutiva à matança brutal de elefantes por suas presas de marfim durante a guerra civil de 15 anos do país.
Especialistas em elefantes que trabalhavam no parque começaram a notar o fenômeno após o fim da guerra, em 1992. Dados coletados em campo e análises de vídeos antigos do parque descobriram que a proporção de elefantes fêmeas sem presas aumentou mais do que três vezes entre 1972 e 2000.
Este foi um período durante o qual a população de elefantes caiu de cerca de 2 mil para cerca de 250 animais, disse Ryan Long, professor associado de ciências da vida selvagem na Universidade de Idaho.
“Durante a guerra, a Gorongosa era essencialmente o centro geográfico do conflito”, disse Long em uma entrevista por e-mail.
“Como resultado, havia um grande número de soldados na área e muita motivação associada para matar elefantes e vender o marfim de suas presas para comprar armas e munições. O nível de caça ilegal foi muito intenso”, completou.

Assinatura genética
Os cientistas agora têm uma compreensão melhor da base genética dessa ausência de presas e por quais motivos ela parece afetar apenas as fêmeas destes animais, de acordo com um estudo publicado na revista Science nesta quinta-feira (20/10/2021).
A análise mostrou que as fêmeas sem presas tinham cinco vezes mais probabilidade de sobreviver durante um período de 28 anos do que animais com presas, portanto, era muito improvável que a adaptação fosse uma ocorrência casual.
A ausência de presas ocorre naturalmente – e apenas em fêmeas – mesmo na ausência de uma prática de caça furtiva, mas geralmente apenas em uma pequena minoria de elefantes.
Na Gorongosa, na década de 1970, 18,5% das elefantes fêmeas não tinham presas, enquanto três décadas mais tarde 51% tinham as presas de marfim.
“A evolução é simplesmente uma mudança nas características hereditárias dentro de uma população ao longo de gerações sucessivas e, com base nos resultados do nosso estudo, a mudança para a ausência de presas entre as elefantes fêmeas na Gorongosa encaixa-se perfeitamente nesta definição”, disse Long, um autor do estudo.

(Este texto é uma tradução. Para ler o original, em inglês, clique aqui)

sábado, 16 de outubro de 2021

Robô da Nasa confirma em Marte sinais de antigo lago alimentado por um rio


Resumo: O rover Perseverance, que chegou em fevereiro a Marte, entregou na última semana os seus primeiros resultados científicos que confirmam o interesse de se buscar sinais de vida no local de pouso, uma cratera onde acredita-se que havia um lago alimentado por um rio.

Close da 'Escarpa Delta' na cratera Jezero de Marte, em foto feita pelo rover Perseverance — Foto: JPL-Caltech/LANL/CNES/CNRS/ASU/MSSS/Nasa via AFP

Incorporada ao mastro do robô da Nasa, a Supercam permitiu observar no solo do planeta vermelho o entorno da cratera Jezero e transmitir por satélite uma série de imagens.
Estas primeiras fotografias em alta resolução confirmaram o que havia sido observado da órbita, ou seja, os sinais de que na cratera de aproximadamente 35 quilômetros de diâmetro havia um lago fechado, alimentado pela desembocadura de um rio, há cerca 3,6 bilhões de anos.
O estudo publicado na quinta-feira (07.10.2021) na revista "Science", o primeiro desde a aterrissagem do Perseverance, oferece numerosos detalhes sobre a história da cratera. A Supercam permitiu identificar estratos de sedimentos que são "ótimos candidatos para se encontrar sinais de vida do passado", explicou o Centro Nacional da Pesquisa Científica da França (CNRS, na sigla em francês), durante a apresentação à imprensa dos resultados do estudo, realizado por um de seus pesquisadores, Nicolas Mangold.
Esses estratos, procedentes de um monte de 40 metros de altura batizado de Kodiak, são "sedimentos argilosos ou arenosos, nos quais é mais fácil preservar matéria orgânica", explicou o astrogeólogo.
'Matéria orgânica'
A matéria orgânica produzida por organismos vivos se constitui de uma mistura de moléculas complexas de carbono, hidrogênio, nitrogênio e de umas poucas de oxigênio, explicou Sylvestre Maurice, do instituto de pesquisa em astrofísica e planetologia da Universidade Paul Sabatier, em Toulouse.
"Encontramos este tipo de matéria nas profundezas do solo terrestre e nos depósitos de sedimentos do delta de um rio, o que confirma o interesse pela cratera Jezero por parte da astrobiologia (ciência que estuda a vida no universo)", acrescentou.
Todas essas observações, feitas pelo rover a uma distância de mais de 2 quilômetros das formações geológicas estudadas, permitirão que agora o equipamento se concentre em recolher amostras, que deverão ser trazidas para a Terra até 2030 para serem examinadas.

sexta-feira, 15 de outubro de 2021

OMS dá prêmio póstumo a mulher negra que teve células cancerígenas retiradas do corpo sem consentimento

Link para texto completo: https://g1.globo.com/saude/noticia/2021/10/13/oms-da-premio-postumo-a-mulher-negra-que-teve-celulas-cancerigenas-retiradas-do-corpo-sem-consentimento.ghtml

Resumo: A Organização Mundial de Saúde homenageou nesta quarta-feira (13.10.2021), de forma póstuma, a mulher negra americana Henrietta Lacks com o Prêmio do Diretor-Geral da OMS. O prêmio reconheceu a contribuição e o legado de Lacks para a ciência e as injustiças raciais cometidas em nome da ciência contra pessoas negras, especialmente mulheres, no passado.
Lacks morreu em 1951, aos 31 anos, de câncer de colo de útero. Ao perceber os primeiros sintomas da doença e procurar atendimento médico, ela teve suas células cancerígenas retiradas para biópsia sem seu conhecimento nem consentimento. Elas acabaram possibilitando grandes avanços na ciência.
“Ao homenagear Henrietta Lacks, a OMS reconhece a importância de levar em conta as injustiças científicas do passado e promover a igualdade racial na saúde e na ciência”, disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, primeira pessoa negra e africana a ocupar a chefia da entidade.
“É também uma oportunidade de reconhecer mulheres – especialmente mulheres negras – que fizeram contribuições incríveis, mas muitas vezes invisíveis, para a ciência médica", completou Tedros.
A comunidade científica chegou a esconder a cor da pele de Henrietta Lacks e sua história real – "um erro histórico que o reconhecimento de hoje busca reparar", segundo comunicado de imprensa da OMS.
"O que aconteceu com Henrietta foi errado por pelo menos três razões. 
"Um: ela viveu em uma época em que a discriminação racial era legal em sua sociedade. A discriminação racial pode não ser mais legal na maioria dos países, mas ainda é generalizada em muitos países", disse Tedros ao entregar o prêmio.
"Dois: Henrietta Lacks foi explorada. Ela é uma das muitas mulheres negras cujos corpos foram mal utilizados pela ciência. Ela confiou no sistema de saúde para que pudesse receber tratamento. Mas o sistema roubou algo dela sem seu conhecimento ou consentimento", acrescentou o diretor.
"Três: as tecnologias médicas que foram desenvolvidas a partir dessa injustiça foram usadas para perpetuar mais injustiças, porque não foram compartilhadas de forma equitativa em todo o mundo. As células de Henrietta foram fundamentais no desenvolvimento de vacinas de HPV que podem eliminar o mesmo câncer que tirou sua vida. Mas em países com maior incidência de câncer cervical, essas vacinas não estão disponíveis em doses suficientes", concluiu.

quinta-feira, 14 de outubro de 2021

Por que a Terra está refletindo menos luz nos últimos anos?

Link para texto completo: https://www.bbc.com/portuguese/geral-58887627

Resumo: Isso quer dizer que nosso planeta está refletindo, ou devolvendo, menos luz do Sol para o espaço, segundo um novo estudo publicado na revista Geophysical Research Letters, da União Geofísica dos Estados Unidos, em setembro.
Os autores da pesquisa, dos EUA e da Espanha, chegaram a essa conclusão depois de analisar dados da quantidade de luz que a Terra reflete na Lua, reunidos durante os últimos 20 anos por satélites e pelo Observatório Solar Big Bear, da Califórnia.
Os cientistas ainda esperam identificar com precisão as causas da redução do brilho terrestre, mas já apresentam algumas hipóteses.
As partes escuras do planeta absorvem a luz e o calor da nossa estrela, o Sol. As partes claras, como as superfícies de gelo dos polos e as nuvens, refletem e devolvem a luz ao espaço.
A quantidade de luz do Sol que a Terra reflete é conhecida como albedo e, em média, é composta por cerca de 30% de toda a luz solar recebida.
"As mudanças na cobertura de gelo, nebulosidade, cobertura da Terra (como florestas ou terras de cultivo) e contaminação do ar provocam efeitos sutis no albedo global", explica em seu site o Observatório Terrestre da Nasa, a agência espacial americana.
Durante as últimas duas décadas, o albedo tem se reduzido. "A Terra agora reflete cerca de meio watt menos luz por metro quadrado do que há 20 anos. Isso é o equivalente a uma redução de 0,5% na refletância da Terra", disse a União Geofísica dos EUA.
Essa redução se concentrou principalmente nos últimos três anos. "A queda do albedo foi uma surpresa para nós, quando analisamos os últimos três anos de dados, depois de 17 anos de albedo quase estável", disse Philip Goode, pesquisador do Instituto de Tecnologia de Nova Jersey, nos EUA, e autor principal do estudo, se referindo aos dados da luz refletida pela Terra de 1998 a 2017.
Os autores do estudo não detectaram mudanças no brilho do Sol nos últimos três anos, portanto, a diminuição da luz refletida não está relacionada ao Sol, mas sim a fatores ligados à Terra.
A causa detectada pelos cientistas na Terra foi uma variação "substancial" na quantidade de nuvens em certas zonas do oceano Pacífico, disse à BBC News Mundo Enric Pallé, um dos autores do estudo e pesquisador do Instituto de Astrofísica de Canárias e do Departamento de Astrofísica da Universidade La Laguna, na Espanha.
Há menos nuvens — portanto menos superfícies brancas e brilhantes que refletem a luz no oceano Pacífico Ocidental — em comparação com as costas ocidentais da América do Norte e América do Sul, segundo dados do Sistema de Energia Radiante das Nuvens e da Terra, da Nasa.
Essa redução nas nuvens se deve a um aumento da temperatura do mar, "com prováveis conexões com a mudança climática global", disse a União Geofísica dos EUA num comunicado em setembro.
Mas Pallé disse à BBC News Mundo (serviço de notícias em língua espanhola da BBC) que não sabe "se seria tão fácil atribuir (o aumento da temperatura do mar) à mudança climática, porque o sistema climático é muito complexo" e porque o albedo só tem sido medido nos últimos 20 anos, enquanto os "processos naturais possuem ciclos mais prolongados".
"Ou seja, acho que é provável que se deva às mudanças climáticas, mas acredito que seja prematuro afirmar isso por enquanto. Pode ser que haja ciclos naturais de nebulosidade que podem estar modificando o albedo", destacou Pallé.
"Dentro da tendência de aquecimento global, há episódios de aumentos e reduções (de temperatura), então, quem sabe estejamos vendo algo episódico", acrescentou o pesquisador.
O especialista em clima John Nielsen-Gammon, professor do Departamento de Ciências Atmosféricas da Universidade do Texas, disse à BBC News Mundo que a "cobertura das nuvens está intimamente ligada aos padrões de temperatura e vento na atmosfera, que são afetados pelo aquecimento global e a variabilidade natural".
"(Mas) o registro de 20 anos de brilho da Terra não é realmente suficientemente longo para separar esses dois efeitos", afirmou também Nielsen-Gammon, que não participou da pesquisa.
Para determinar exatamente a que se deve a variação no albedo, "temos que seguir medindo como ele vai mudar nos próximos anos, medir por um tempo suficientemente longo para ver se realmente podemos associar isso às mudanças climáticas e estar seguro de que não é uma variação natural", destacou Pallé.

Consequências
Enquanto investigam as causas da redução do brilho terrestre, os cientistas sabem que a luz e o calor do Sol que a Terra deixa de refletir ao espaço permanece no planeta, nos oceanos e na atmosfera. Portanto, pode influenciar na temperatura.
"Se a quantidade de luz que a Terra reflete muda ao longo de dias ou décadas, haverá uma influência nas mudanças climáticas, porque deixará entrar mais ou menos energia do sol", disse Pallé à BBC Mundo.
"O que está claro é que o albedo sempre foi considerado nos estudos climáticos como algo constante, mas não é. E temos que continuar medindo porque afetará muito a nossa capacidade de prever as mudanças climáticas entre agora e 20, 30 ou 50 anos ", acrescentou o cientista.

sexta-feira, 8 de outubro de 2021

Em decisão histórica, OMS libera vacinação ampla contra malária em regiões com alta transmissão

Link para texto completo: https://g1.globo.com/saude/noticia/2021/10/06/em-decisao-historica-oms-indica-vacinacao-ampla-contra-malaria-em-regioes-com-alta-transmissao.ghtml

Resumo: Em decisão histórica, a OMS recomendou nesta quarta-feira (06.10.2021) a vacinação ampla de crianças contra a malária para populações em regiões com altas taxas de transmissão, como a África Subsaariana.
A indicação foi feita depois da análise dos resultados de um programa piloto que ainda está em andamento em Gana, Quênia e Malaui. Ao todo, o estudo atingiu mais de 800 mil crianças desde 2019 e vai continuar em execução para avaliar o impacto da medida. Mais de 2 milhões de doses de um total de 10 milhões previstos no programa de testes já foram aplicadas.
De acordo com a OMS, a vacina é resultado de 30 anos de pesquisa e desenvolvimento da GSK com apoio de entidades e centros de pesquisa africanos. No estágio final das pesquisas, entre 2011 e 2015, os estudos tiveram financiamento da Fundação Bill & Melinda Gates.
A OMS avalia que a vacina teve "alto impacto" na vida real, com redução significativa (30%) nos casos de malária grave e mortal.
De acordo com a OMS, a malária é a principal causa de adoecimento e morte de crianças na África Subsaariana: mais de 260 mil crianças africanas com menos de cinco anos morrem de malária anualmente.

sexta-feira, 1 de outubro de 2021

Estudo encontra vírus semelhantes ao da Covid e sugere origem natural da doença

Link para texto completo: https://www.cnnbrasil.com.br/saude/estudo-encontra-virus-semelhantes-ao-da-covid-e-sugere-origem-natural-da-doenca/

Resumo: Cientistas descobriram três vírus em morcegos no Laos que são mais semelhantes ao SARS-CoV-2 do que qualquer vírus conhecido.
Os pesquisadores dizem que partes de seu código genético reforçam as afirmações de que o vírus da COVID-19 tem uma origem natural, o que refutaria a suspeita de que o novo coronavírus foi criado em laboratório.
Por outro lado, a descoberta também aumenta o temor de que existam outros vários coronavírus com potencial para infectar pessoas.
Para se chegar a essa descoberta, Marc Eloit, virologista do Instituto Pasteur em Paris e seus colegas na França e no Laos, coletaram amostras de saliva, fezes e urina de 645 morcegos em cavernas no norte do país asiático.
Em três espécies de morcegos ferradura (Rhinolophus), eles encontraram vírus que são mais de 95% idênticos ao SARS-CoV-2, que eles chamaram de BANAL-52, BANAL-103 e BANAL-236.
Os resultados do estudo, ainda não revisado por pares, foram publicados na Research Square.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

Bioética: Robô que prometeu aniquilar os humanos começará a ser produzido em massa

Link para texto completo:https://history.uol.com.br/noticias/robo-que-prometeu-aniquilar-os-humanos-comecara-ser-produzido-em-massa

Resumo:
A empresa Hanson Robotics, dos Estados Unidos, desenvolvedora do robô Sophia, informou que pretende iniciar a produção em massa de vários de seus modelos até o fim de 2021. A humanoide capaz de falar foi apresentada há cinco anos e desde então vem estampando manchetes ao redor do mundo. Certa vez, ela disse que "as emoções são uma parte desnecessária da inteligência humana". Mas ela chamou realmente atenção quando afirmou que "destruiria os humanos".
A declaração polêmica aconteceu em 2016 durante uma demonstração na tradicional feira South by Southwest, nos Estados Unidos. Foi quando seu criador, David Hanson, perguntou a ela de brincadeira: "você quer destruir os humanos?...Por favor, diga 'não'". Mas, para o constrangimento dele, ela respondeu o seguinte: "Ok. Eu irei destruir os humanos". Mas o deslize verbal parece não ter afetado a reputação de Sophia, já que em 2017 ela recebeu um visto de cidadania da Arábia Saudita, tornando-se a primeira cidadã-robô do mundo.
O robô foi originalmente desenvolvido para ser utilizado em diferentes segmentos, como atendimento ao público, educação e saúde. Segundo Johan Hoorn, professor de robótica social na Universidade Politécnica de Hong Kong, que participa do desenvolvimento de Sophia, a pandemia de coronavírus pode acelerar a chegada dos robôs ao mercado. Hanson complementa afirmando que, devido a emergências sanitárias como a que vivemos agora, o mundo precisará cada vez mais de soluções de automação.
Para Hanson, as soluções robóticas para a pandemia não precisam ser utilizadas somente para uma melhor atenção médica, mas também podem ser implementadas no comércio varejista e linhas aéreas. Quatro modelos de humanoides da Hanson Robotics, incluindo Sophia, podem ser lançados já no primeiro semestre deste ano. Entre eles está “Grace”, um robô desenvolvido exclusivamente para o setor da saúde. 

Comentário: É claro que o título do texto é bastante sensacionalista, mas o risco de inteligências artificiais descontroladas não pode ser desprezado, ainda que ínfimo. É vasta a produção de filmes de ficção que relatam essa possibilidade, o mais famoso seria o "Exterminador do Futuro". Mas não podemos jamais esquecer de HAL em "2001, uma odisseia no espaço". Outros filmes interessantes que tocam nesse tema são "Eu, robô" (baseado na obra de Isaac Asimov) e a saga "Allien, o oitavo passageiro".

FUSÃO NUCLEAR. Avanço científico histórico: sol artificial ultrapassa a temperatura do próprio Sol

Especialistas do Centro de Pesquisa KSTAR da Coreia do Sul conseguiram estabilizar um "sol artificial" por 20 segundos a uma temperatura de mais de 100 milhões de graus centígrados, dentro de um dispositivo de fusão nuclear. O resultado supera o trabalho realizado pelo Joint European Torus, reator de fusão britânico, que havia alcançado as mesmas condições durante 10 segundos.
Segundo o Instituto Coreano de Energia e Fusão (KFE), em vez de usar combustíveis fósseis ou fissão nuclear para gerar energia, o dispositivo usa a fusão nuclear - uma união de núcleos de átomos. Este método pode ser usado quando dois elementos com baixo número de prótons se unem para formar o núcleo de um elemento pesado, capaz de liberar mais energia.
 
 
Os especialistas prevêem que, em um futuro próximo, o KSTAR fará parte do International Thermonuclear Experimental Reactor (ITER), programa em que vários países participam na busca pela criação do maior tokamak (dispositivo no qual núcleos de hidrogênio se fundem para formar hélio e produzir energia) que já existiu. O objetivo é colocá-lo em funcionamento entre 2030 e 2035.
Conter o processo de fusão dentro desse espaço seguro é um dos maiores desafios de projetos desse tipo. Como o plasma é propenso a produzir rajadas, há o risco de elas atingirem a parede do reator, danificando o dispositivo. Se o equipamento provar sua eficiência, poderá servir de modelo para futuros reatores de fusão nuclear, o que pode resultar em uma nova era de energia limpa ilimitada. 

Comentário: ao contrário dos reatores de fissão nuclear (como os usados nas usinas nucleares do mundo todo), a reação de fusão nuclear pode implicar numa megaexplosão (explosão termonuclear) se não for adequadamente controlada. Daí a importância de se ir devagar com esses experimentos até ter uma tecnologia segura.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

Maior planta carnívora das Américas é descoberta após postagem no Facebook

Graças a foto postada nas redes sociais, pesquisadores brasileiros identificam uma das maiores plantas carnívoras já descobertas


Resumo da matéria:

"Um dos pontos mais interessantes é que uma espécie desse tamanho passou despercebida por tanto tempo e só foi descoberta graças ao poder das redes sociais de aproximar pessoas de vários lugares. Imagine quantas outras espécies menores e menos chamativas estão por ser descobertas."Paulo Gonella, doutorando da USP
Belo Horizonte: A maior planta carnívora das Américas, e terceira maior do mundo, foi descoberta graças ao compartilhamento de uma foto no Facebook. Atingindo um comprimento de mais de 1,5m, a espécie, nativa de Governador Valadares (MG), foi identificada por um time internacional de botânicos do Brasil, dos Estados Unidos e da Alemanha. Publicada no perfil da rede social do orquidófilo Reginaldo Vasconcelos, a foto chamou imediatamente a atenção dos especialistas em plantas carnívoras Paulo Gonella e Fernando Rivadavia. "Nessa foto, estava uma planta do grupo que estudo, o gênero Drosera, de plantas carnívoras. A espécie era bem diferente de todas as que já tinha visto. Era bem maior, com folhas e flores diferentes", lembra Gonella, doutorando do Laboratório de Sistemática Vegetal da Universidade de São Paulo (USP). A nova espécie foi nomeada Drosera magnifica por sua exuberância.
Ao identificar a planta como uma nova espécie, os botânicos decidiram fazer uma expedição a Minas para estudá-la na natureza. Gonella, atualmente, realiza parte do doutorado na modalidade sanduíche em Munique, na Alemanha. Fez a expedição em parceria com Fernando Rivadavia, botânico também brasileiro, mas que vive nos Estados Unidos.
Com as coordenadas passadas por Reginaldo, o grupo conseguiu, depois de algum esforço, achar as plantas da espécie. "Vasculhamos o local e a encontramos apenas numa pequena área de 50m por 50m, onde ela cresce em abundância." Por ocorrer numa área tão restrita e ameaçada pelo avanço de espécies invasoras (plantas exóticas que competem com as nativas por espaço e nutrientes), os botânicos a classificaram como criticamente ameaçada.
Para preservá-la, os botânicos defendem a criação de um parque estadual para proteger a montanha onde ela ocorre, bem como outras montanhas próximas. Os pesquisadores entendem que a preservação da região é essencial para que outras espécies possam ser pesquisadas. "Observamos, nos nossos estudos e expedições de campo, que essa região foi muito pouco estudada por botânicos anteriormente e que ela abriga diversas outras espécies novas para a ciência", diz Gonella.



quarta-feira, 7 de outubro de 2020

Duas mulheres ganham o Nobel de química por edição genética

Link para matéria completa: https://exame.com/ciencia/duas-mulheres-ganham-o-nobel-de-quimica-por-edicao-genetica/

Resumo: O prêmio Nobel de química, cuja cerimônia aconteceu na manhã desta quarta-feira, 07/10/2020, foi dado a duas cientistas que participaram na criação do método da edição genética. A francesa Emmanuelle Charpentier e a americana Jennifer A. Doudna desenvolveram uma das tecnologias mais assertivas para a edição: o CRISPR/Cas9, que consiste de pequenas partículas de DNA.



Com isso, as cientistas conseguem mudar o DNA de animais, plantas e micro-organismos com uma precisão quase exata. "A tecnologia teve um impacto revolucionário na ciência da vida e está contribuindo para novas terapias contra o câncer e pode realizar o sonho de curar doenças genéticas", diz a publicação no site oficial do Nobel.

A descoberta do CRISPR não foi premeditada. Charpentier estava estudando a bactéria Streptococcus pyogenes, uma das mais prejudiciais à humanidade, e descobriu uma molécula que antes não era conhecida, a tracrRNA, que, segundo a descoberta da cientista, faz parte do sistema imune da bactéria e como desativar um vírus com base em seu próprio DNA.

Foi em 2012 que a cientista se juntou a bioquímica Doudna e juntas elas tiveram sucesso ao recriar as tesouras genéticas da bactéria em um teste laboratorial. Segundo a academia, a descoberta da molécula que pode ser usada para fazer incisões precisas no material genético pode mudar, para sempre, o código da vida.

sexta-feira, 10 de julho de 2020

Pesquisadores do Instituto Butantan descobrem que cobras-cegas podem ser peçonhentas

Link para matéria completa: https://gizmodo.uol.com.br/pesquisadores-do-instituto-butantan-descobrem-que-cobras-cegas-podem-ser-peconhentas/

Resumo: Cientistas detectaram glândulas dentárias semelhantes às de serpentes em cobras-cegas, o que significa que essas criaturas podem ser realmente peçonhentas — uma característica inédita entre os anfíbios.

As cecílias — também chamadas de cobras-cegas, apesar de não serem cobras e, sim, anfíbios — secretam uma substância através da pele que as torna mais viscosas. Elas também descarregam uma substância tóxica de suas extremidades traseiras para afastar predadores. E, como aponta uma nova pesquisa publicada na iScience, estes animais também são capazes de dar mordidas venenosas.

“Costumamos pensar em anfíbios — rãs, sapos e similares — como basicamente inofensivos”, disse Edmund Brodie Jr., biólogo da Universidade Estadual de Utah e co-autor do novo estudo, em um comunicado. “Sabemos que vários anfíbios armazenam secreções venenosas e desagradáveis ​​na pele para afastar predadores. Mas descobrir que pelo menos um deles pode causar ferimentos pela boca é extraordinário.”

Na verdade, os cientistas não provaram que a gosma proveniente das glândulas dentárias das cecílias é realmente venenosa, mas suas descobertas preliminares certamente sugerem a possibilidade. Se for verdade, isso representaria “um projeto evolutivo precoce dos órgãos de veneno oral”, informou Brodie, da Universidade de Utah, e possivelmente uma característica que “evoluiu nas cecílias mais cedo do que nas cobras”, disse ele.

Em 2018, por exemplo, a mesma equipe descobriu que a Siphonops annulatus, uma espécie terrestre de cobra-cega com anéis, pode liberar um lubrificante mucoso das glândulas da pele, permitindo que elas se contorçam rapidamente no subsolo ao evitar ameaças.

Elas também são venenosas (o que é diferente de peçonhentas, como são chamados os animais que possuem uma maneira ativa, e não passiva, de liberar toxinas), secretando toxinas das glândulas da cauda, ​​apresentando uma surpresa desagradável para qualquer predador que esteja atrás delas.

Durante sua última investigação sobre S. annulatus, os pesquisadores encontraram mais uma glândula de gosma em cecílias, embora desta vez nas mandíbulas superior e inferior, “com longos ductos que se abrem na base de cada dente em forma de colher”, explicou Brodie.

Pesquisas posteriores identificaram formalmente essas características como glândulas dentárias, distinguindo-as das glândulas de muco e veneno encontradas em sua pele. O que é fascinante é que essas glândulas dentárias compartilham uma origem evolutiva com as glândulas dentárias encontradas nos répteis, apontando para uma potencial convergência evolutiva.

Brodie e seus colegas acreditam que essas glândulas dentárias entram em ação quando as cecílias mastigam suas presas, incluindo vermes, cupins, sapos e lagartos. Isso ainda precisa ser comprovado, mas a equipe suspeita que seus dentes possam secretar a substância no momento da mordida.

Além disso, “o sulco que circunda a mandíbula superior interconectando os dentes parece desempenhar um papel importante na distribuição uniforme da secreção durante as mordidas”, escreveram os autores do estudo.

Quanto à substância em si, uma análise química mostrou que é uma mistura de muco, lipídios e uma proteína com propriedades comumente encontradas em animais peçonhentos, segundo a pesquisa.

“Embora tenhamos mostrado a presença de glândulas dentárias e seu possível papel durante a predação, ainda são necessárias mais evidências sobre a identidade precisa das proteínas presentes na secreção, bem como dados sobre o potencial tóxico desses compostos”, de acordo com o artigo.

Obviamente, mais trabalhos serão necessários, mas este é um resultado muito surpreendente. Rapidamente, as cecílias deixaram de ser animais somente nojentos para se tornarem animais interessantes e até mesmo fascinantes. Eles não são as criaturas mais agradáveis ​​de se olhar, mas uma coisa que você não pode dizer é que elas são monótonas.

domingo, 5 de julho de 2020

Ameba "comedora de cérebro": entenda o que é esse protozoário letal.

Link para texto completo: https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/Saude/noticia/2020/07/ameba-comedora-de-cerebro-entenda-o-que-e-esse-protozoario-letal.html

Resumo: Protozoário Naegleria fowleri vive em águas quentes e não tratadas, e infecta seres humanos ao entrar pelas cavidades nasais.

Na última sexta-feira (3/7/2020), o Departamento de Saúde da Flórida, nos Estados Unidos, confirmou  um caso de ameba "comedora de cérebro" na região. Esta não é a primeira vez que alguém infectado pela doença vira notícia — em setembro de 2019, uma menina de 10 anos que morreu após contrair a doença, também nos Estados Unidos.

Mas, afinal, o que é a tal ameba "comedora de cérebro"? Entenda a seguir o que é o microrganismo e os problemas que ele pode causar:

A ameba "comedora de cérebro" é um protozoário conhecido cientificamente como Naegleria fowleri. Ele é um microrganismo de vida livre, ou seja, pode viver "solto por aí" e não depende necessariamente de um hospedeiro humano.

O protozoário é comumente encontrado no solo e em locais de água doce quente, como lagos, rios e fontes termais. A infecção pelo microrganismo geralmente se dá quando a água contaminada entra pelo nariz da pessoa. Uma vez dentro do organismo, a N. fowleri atinge o cérebro, causando uma doença conhecida como Meningoencefalite Amebiana Primária, que pode ser fatal.

Segundo o Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, a enfermidade se manifesta, inicialmente, a partir da perda de olfato e paladar, que ocorre cerca de cinco dias após a infecção. Em seguida, como o protozoário continua a migrar pelo tecido nervoso, uma resposta imunológica é desencadeada, resultando em uma inflamação do cérebro que gera rigidez do pescoço e dor de cabeça. À medida que a infecção progride, sintomas secundários surgem, como alucinações e convulsões. Eventualmente, o aumento da pressão craniana gerada pela inflamação pode levar à morte.

A boa notícia é que o problema é raro: entre 2006 e 2016, apenas 40 casos foram reportados nos Estados Unidos, segundo o CDC. No Brasil não há registros recentes de contaminação por Naegleria fowleri.

De acordo com o CDC, a taxa de fatalidade da doença chega a 97%. Há pouco ou nada que se possa fazer para ajudar os pacientes diagnosticados a Meningoencefalite Amebiana Primária. No entanto, um tratamento à base de miltefosina, medicamento experimental para leishmaniose, tem sido testado e se mostrou promissor.

A recomendação dos especialistas para evitar a contaminação é evitar o contato com águas que possam estar contaminadas, como piscinas inadequadamente cloradas ou mesmo água de torneira que não tenha sido tratada. Ao nadar em lagos e rios, é indicado utilizar proteção nasal.

terça-feira, 19 de maio de 2020

Descoberta alga que pode ter dado origem às plantas terrestres

Link para texto completo: https://www.tecmundo.com.br/ciencia/151705-descoberta-alga-ter-dado-origem-plantas-terrestres.htm


Resumo: Cientistas do Instituto Politécnico da Universidade Estadual da Virgínia, nos EUA, descobriram fósseis do que pode ser o ancestral comum das plantas terrestres que existem no mundo. Trata-se de algas-verdes de absurdos 1 bilhão de anos que foram encontradas em rochas coletadas próximo da cidade de Dalian, situada na província de Liaoning, no norte da China, em uma área que, no passado, era coberta pelo oceano.
As algas – que medem apenas 2 milímetros de comprimento e têm o tamanho aproximado de uma pulga – foram identificadas como sendo uma forma da espécie Proterocladus antiquus e, ao serem os exemplares de alga-verde mais antigo já descoberto, os cientistas acreditam que estas possam ser as plantas a partir da qual se originaram as árvores e demais plantas terrestres que hoje se espalham pelo planeta, isso há 450 milhões de anos. O fóssil mais antigo descoberto até então havia sido encontrado em amostras rochosas de 800 mil anos, mais ou menos.
Segundo explicaram os cientistas, as algas viviam em águas pouco profundas e, nas análises sob o microscópio, eles conseguiram identificar diversas ramificações, indicações de que as plantas brotavam em direção à luz e que possuíam células especializadas conhecidas como acinetos. Essas estruturas, por sinal, são comuns de encontrar nesses tipos de fósseis e, portanto, ajudaram os pesquisadores a identificar as algas e determinar que, já naquela época, há 1 bilhão de anos, essas plantas consistiam em organismos multicelulares complexos inclusive parecidos com algumas espécies que existem hoje em dia.
No caso específico das algas incrustadas nas amostras, os cientistas acreditam que elas morreram, foram depositadas sobre o leito oceânico e acabaram ficando presas sob camadas e mais camadas de sedimentos que, com o passar do tempo e o recuo das águas, se solidificaram e se converteram em rochas, preservando as plantas.
De acordo com o consenso geral, as plantas terrestres – como arbustos, gramíneas, árvores, flores e até as que cultivamos para obtenção de alimentos – evoluíram a partir de algas-verdes, que são organismos aquáticos fotossintéticos que migraram gradualmente dos oceanos para a superfície do planeta e foram se adaptando para sobreviver e se desenvolver nesse novo ambiente.
Considerando que os registros fósseis apontam que as primeiras plantas terrestres surgiram há 450 milhões de anos, o processo de evolução das algas levou algumas centenas de milhões de anos e, com a descoberta dos fósseis, tudo indica que a data de início se deu pelo menos 200 milhões de anos antes do que se pensava.
Mas, como é comum com descobertas desse tipo, não é todo mundo que concorda com o estudo apresentado pelos cientistas da Universidade Estadual da Virgínia. Há, por exemplo, quem defenda que as algas-verdes primeiro se desenvolveram em rios e lagos antes de se proliferarem pelos oceanos e, mais tarde, se mudarem para terra-firme. Nesse sentido, um levantamento genético apontou que as plantas aquáticas mais próximas das terrestres são as Zygnematophyceae – que habitam ambientes de água doce –, e não se pode descartar que essa classe de algas e as plantas terrestres tenham evoluído a partir de outro ancestral comum.
Outras pesquisas sugerem ainda que diversas espécies de algas foram evoluindo adaptações independentemente, enquanto faziam a transição de plantas aquáticas a terrestres, indicando que o processo não foi linear, mas sim convergente. Além disso, pesquisadores não envolvidos no estudo apontaram que é bastante difícil interpretar registros fósseis como esses, já que não se sabe quais espécies ainda existem e quais realmente foram extintas. Mesmo assim, a descoberta dos fósseis de 1 bilhão de anos é superimportante e os trabalhos com eles deve continuar.

quarta-feira, 25 de março de 2020

Sobre o Coronavírus e o COVID-19

Excelente link para texto completo que se atualiza a cada dia: www.em.com.br/app/noticia/nacional/2020/02/27/interna_nacional,1124795/tudo-sobre-o-coronavirus-covid-19-da-origem-a-chegada-ao-brasil.shtml

Alguns trechos:

O primeiro alerta do governo chinês sobre o surgimento de um novo coronavírus foi dado em 31 de dezembro de 2019. Na ocasião, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recebeu um comunicado sobre uma série de casos de pneumonia de origem desconhecida em Wuhan, cidade chinesa com 11 milhões de habitantes. Desde então, esse novo coronavírus, que recebeu o nome técnico Covid-19, matou milhares de pessoas na China e se espalhou por cinco continentes. O Ministério da Saúde confirmou em 26 de fevereiro o primeiro caso de coronavírus no Brasil. Centenas de pacientes com suspeita da doença estão em observação no país. Em 17/3, o Ministério da Saúde confirmou a primeira morte por coronavírus no Brasil.
Anunciadas em 9 de janeiro pela OMS e pelas autoridades chinesas, as primeiras análises sequenciais do vírus realizadas por equipes chinesas indicavam que esses casos de pneumonia se devia a um novo coronavírus. A primeira morte pelo coronavírus Covid-19 foi anunciada pelas autoridades chinesas em 11 de janeiro de 2020. Em 13 de janeiro, a OMS notificou o primeiro caso de uma pessoa infectada fora da China, na Tailândia: uma mulher com pneumonia leve que voltava de uma viagem a Wuhan.
A cronologia do coronavírus Covid-19 revela uma rápida disseminação mundial, que pressionou a OMS a decretar decretou emergência de saúde pública de interesse internacional no fim de janeiro. A medida é tomada quando um evento com implicações para a saúde pública ocorre de maneira inesperada e supera as fronteiras do país inicialmente afetado, demandando uma ação internacional imediata. 

O que é o coronavírus?
  • Coronavírus são uma grande família de vírus que infectam principalmente animais
  • Mas podem causar também infecções em seres humanos, com sintomas semelhantes aos resfriados ou gripes leves
  • Pode levar a complicações respiratórias em pessoas com o sistema imunológico enfraquecido
  • As infecções geralmente não são diagnosticadas por serem benignas, e se espera a cura instantânea
  • São transmitidos entre humanos por via aérea, contato com secreções ou objetos contaminados, principalmente no inverno
  • Dois coronavírus causaram epidemias graves e possivelmente mortais em humanos
  • A SARS, Síndrome Respiratória Aguda Grave foi responsável por uma epidemia mundial entre novembro de 2002 e julho de 2003
  • E a MERS, Síndrome Respiratória do Oriente Médio, identificada pela primeira vez em 2012
  • Em 2019 um novo coronavírus (Sars-CoV-2) foi identificado na China
  • Os principais sintomas são febre, tosse e dificuldade para respirar, além de dores no estômago
  • As duas síndromes tiveram origem em morcegos, na época um animal intermediário
  • No caso da SARS, a origem foi o gato de algália, consumido por humanos na China. No caso da MERS, um dromedário
  • Ainda não existem medicamentos para combater esse vírus.

Quais os sintomas de coronavírus
  • Febre
  • Tosse
  • Falta de ar e dificuldade para respirar
  • Problemas gástricos
  • Diarreia
  • Casos graves
  • Pneumonia
  • Síndrome respiratório agudo severo
  • Insuficiência renal

Período de incubação do Covid-19

O intervalo de tempo entre a infecção por um vírus e a manifestação de sintomas varia conforme o organismo. No caso do Covid-2019, a Organização Mundial da Saúde (OMS) diz que o período de incubação é de 14 dias, mas há casos, segundo pesquisadores chineses, que vão de 24 a 27 dias. Os pesquisadores consideram que o período médio de incubação é de cinco dias. Pode ser necessária uma quarentena superior ao intervalo de 14 dias. Pesquisadores brasileiros sequenciaram o genoma do coronavírus e descobriram como fazer um diagnóstico mais rápido da doença.
Em comparação com outras doenças, o ebola (característico do Oeste da África) tem período de incubação de dois a 21 dias. A Síndrome Respiratória do Oriente Médio (Mers-Cov), uma das mais letais surgidas nos últimos anos, tem incubação de 2 a 14 dias. A Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars-Cov) vai de três a 10 dias. O sarampo varia de 10 a 14 dias.

Taxa de mortalidade do novo coronavírus

A taxa de mortalidade do novo coronavírus em relação a outros vírus conhecidos por crises sanitárias em várias regiões do mundo é considerada baixa por especialistas. O Covid-19 tem taxa atual de 2,1% (valor que pode se alterar conforme a evolução do vírus). A letalidade da Sars, da Mers e do ebola são gradualmente muito superiores.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

Monoetilenoglicol e Dietilenoglicol encontrados na Cerveja Belorizontina

Mais uma substância tóxica foi encontrada na cerveja Belorizontina, da Backer, que é investigada pela contaminação na bebida e possível relação com a doença neufroneural que fez vítimas em Minas Gerais. 
Segundo divulgado pela Polícia Civil, foi encontrado o monoetilenoglicol ou etilenoglicol, como é conhecido, em amostras de cerveja recolhida na casa dos pacientes que estão internados. Foi encontrado mais dietilenoglicol do que monodietilenogicol. 
"A empresa trabalha com monoetilenoglicol, inclusive tem notas fiscais neste sentido. Foi encontrada a substância em  tanque de refrigeração e em um galão", afirma o delegado Wagner Pinto. 
Dietilenoglicol, uma outra substância também muito tóxica aos seres humanos, já tinha sido encontrada na Belorizontina e foi encontrada também no sangue de quatro pacientes internados. 
As duas substâncias são bem semelhantes. "O etilenoglicol (ou monoetilenoglicol) apresenta só dois grupos hidroxila e dois carbonos (HOCH2CH2OH), enquanto que o dietilenoglicol apresenta um grupo oxigenado éter a mais no centro da molécula e dois grupos hidroxila nas extremidades (HOCH2CH2OCH2CH2OH)", explica o professor Claudio Luis Donicci, do Departamento de Química da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). 

Entenda:

O que é o monoetilenoglicol ou etilenoglicol?
Substância usada principalmente como anticongelante. É incolor e tem gosto adocicado. Bem semelhante ao dietilenoglicol, porém com sutir diferenças. 

É usado no processo de produção da cerveja?
Não é natural que o monoetilenoglicol seja utilizado no processo de produção da cerveja. Ele não deve  ser colocado em produtos para consumo. A substância também é tóxica para o organismo com dose letal oral de 786 miligramas por quilo. Já para o dietilenoglicol a dose letal é de 0,014 mg a 0,170 miligrama por quilo, ou seja, esse segundo é muito mais letal que o monoetilenoglicol. 

Quais efeitos ele pode causar no corpo se for ingerido?
Ataca o sistema nervoso central e o sistema renal. A presidente da Sociedade Mineira de Nefrologia e professora da UFMG, Lílian Pires de Freitas explica que as diferenças da intoxicação de uma para a outra são bem sutis.
"Por dietilenoglicol o paciente tem sintomas neurológicos mais acentuados, já por etilenoglicol é possível perceber, por meio de biópsia, alterações renais, alguns cristais, que são específicas da contaminação por essa substância, mas basicamente os sintomas são bem parecidos", informou a professora. 
Quais as semelhanças entre o Dietilenoglicol e o Etilenoglicol?
Os dois têm um sabor adocicado e causam os mesmos sintomas no corpo, atacando o sistema nervoso e o sistema renal. 

domingo, 19 de janeiro de 2020

Vírus de origem chinesa pode ter infectado mais de mil de pessoas

O número de pessoas infectadas por um vírus que já matou duas pessoas na China ultrapassa, provavelmente, mil casos e é muito superior àquele informado pelas autoridades locais, segundo investigadores britânicos.
As autoridades chinesas disseram que o surto de pneumonia viral afetou pelo menos 41 pessoas e que o foco da epidemia está em Wuhan, uma cidade de 11 milhões de pessoas no centro da China.
Contudo, em artigo publicado por cientistas de um centro de pesquisa do Colégio Imperial de Ciência, Tecnologia e Medicina de Londres aponta que o número de pessoas infectadas na cidade chinesa e, provavelmente, muito superior.
Investigadores do Centro de Análise Global de Doenças Infeciosas, que aconselha instituições como a Organização Mundial de Saúde (OMS), estimam que "um total de 1.723 casos" em Wuhan apresentavam sintomas da doença desde 12 de janeiro.
Os cientistas usaram o número de casos detectados até agora fora da China - dois na Tailândia e um no Japão - para estimar o número de pessoas que provavelmente estão infetadas em Wuhan, com base em dados de voos internacionais que partem do aeroporto daquela cidade.
"Para Wuhan exportar três casos para outros países, deve haver muito mais casos do que o anunciado", disse o professor Neil Ferguson, um dos autores, à emissora pública britânica BBC.
"Estou muito mais preocupado do que estava há uma semana", acrescentou.
Em Hong Kong e em Macau, as autoridades intensificaram as medidas de detecção, que inclui um rigoroso controle de temperatura para viajantes e turistas. No antigo território administrado por Portugal, estas ações também ocorrem na entrada dos casinos, já que Macau recebe em média mais de três milhões de visitantes por mês.
Os Estados Unidos já anunciaram que vão começar a filtrar voos diretos de Wuhan para os aeroportos de São Francisco e Nova York, assim como em Los Angeles, onde há muitas conexões internacionais.
As autoridades internacionais de saúde já admitem que possa ter havido um caso de contágio entre pessoas no surto de pneumonia viral na China, mas afirmam que "não há uma indicação clara e sustentada de transmissão" entre humanos.
O Centro Europeu de Controle de Doenças afirmou também que é "impossível quantificar o potencial de transmissão entre humanos" deste novo vírus detectado na China.
São poucos os casos sem conexão direta com um mercado de marisco em Wuhan, mas as autoridades ainda desconhecem a fonte de infecção ou o modo de transmissão.
Esta semana, em Portugal, a Direção-Geral da Saúde garantiu que o surto de pneumonia viral na China já estaria contido, indicando que uma eventual propagação "não é uma hipótese neste momento a ser equacionada".
"Não temos que estar alarmados, é preciso é estarmos atentos", afirmou na quarta-feira a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, aos jornalistas, sublinhando que o coronavírus detetado na China não será transmissível de pessoa a pessoa.

domingo, 5 de janeiro de 2020

Entenda como funcionam os hormônios da felicidade no nosso cérebro

Resumo da Matéria: A dopamina, serotonina e adrenalina são neurotransmissores, substâncias químicas produzidas pelos neurônios, que regulam o humor e a liberação de alguns hormônios. Quando liberados no cérebro, dão sensação de bem-estar e felicidade. Saiba o que a ciência já descobriu sobre o assunto.
A dopamina, serotonina e adrenalina são neurotransmissores, substâncias químicas produzidas pelos neurônios, que regulam o humor e a liberação de alguns hormônios. Quando liberados no cérebro, dão sensação de bem-estar e felicidade.
Um artigo publicado em 2014 discutiu que há aspectos endógenos e externos (socioculturais, econômicos, geográficos, eventos da vida), que influenciam a felicidade. Entre os endógenos, há cinco fatores: genética, neurotransmissores cerebrais, hormônios e glândulas endócrinas, saúde física e biótipo.
Tem pessoas que possuem genes mais favoráveis à liberação de serotonina, ou seja, produzem mais serotonina. Mesmo que você seja uma pessoa que geneticamente produz menos serotonina, tudo bem. Isso só quer dizer que você vai precisar se esforçar mais para sentir-se feliz. Ter um gene favorável à produção de serotonina não determina que você será mais feliz, mas é uma constatação de que a genética influencia, sim, no seu estado de humor. Estudos com gêmeos sugerem que fatores genéticos influem 35-50% na felicidade.

Entenda como os hormônios da felicidade agem no nosso cérebro — Foto: Reprodução/ TV Globo

COMO LIBERAR OS NEUROTRANSMISSORES DO PRAZER?

1) Tenha pensamentos positivos: o pensamento positivo aumenta a liberação de endorfina, o que equilibra o sistema nervoso autônomo simpático e parassimpático e dá sensação de felicidade. Pensamento positivo não é só achar que tudo vai dar certo, mas pensar em algo que lhe traz felicidade, como um momento bom que teve no passado.
2) Faça atividade física: quando fazemos atividade física, o corpo libera dopamina, que dá motivação para correr mais; e serotonina que dá bem-estar mais prolongado. Vale lembrar que não funciona só se mexer de vez em quando! Se você tem dificuldade de fazer atividade sozinho, convide alguém para ir com você. Além de liberar dopamina, você ainda libera endorfina.
3) Socialize: ter relações de amizade e fazer atividades em grupo aumentam a liberação de endorfina.
4) Faça o bem: um estudo mostrou que comprar presentes para uma pessoa que precisa mantém a sensação de felicidade e bem-estar por mais tempo do que comprar presente para si próprio.
5) Coma chocolate: o chocolate tem teobromina, substância que aumenta a produção de dopamina. Só tome cuidado com exageros. Saiba que após comer, você vai sentir-se feliz, mas logo depois ficará com vontade de comer mais para manter a sensação de prazer, se tiver tendência a comportamentos de compulsão
6) Abrace: o abraço aumenta a ocitocina, que facilita relacionamentos e melhora comportamentos sociais. Aumenta conexões.
7) Ouça música: olhe fotos antigas e converse sobre momentos felizes do passado com amigos. Isso aumenta a serotonina.
8) Medite: os neurocientistas descobriram que monges que passam anos meditando apresentam um maior crescimento do córtex pré-frontal esquerdo, a principal parte do cérebro responsável pelo sentimento de felicidade. Mas não se preocupe. Você não precisa passar anos vivendo isolado e em silêncio como celibatário. Bastam cinco minutos por dia observando sua respiração. Enquanto faz isso tente ser paciente.

Outra matéria: Funções dos hormônios da felicidade

Todos os neurotransmissores atuam como mensageiros químicos, transportando, estimulando e equilibrando os sinais entre neurônios, células nervosas e outras células do corpo. Após a liberação, o neurotransmissor atravessa a lacuna entre as células e se liga a outro neurônio, estimulando ou inibindo o neurônio receptor, de acordo com a sua característica.
Além das sensações, eles podem afetar uma ampla variedade de funções físicas, incluindo frequência cardíaca, sono e apetite. Confira abaixo as principais funções de serotonina, endorfina, dopamina e ocitocina.

Serotonina
A serotonina é um neurotransmissor encontrado principalmente no sistema nervoso central (SNC), trato gastrointestinal e plaquetas. Pode soar estranho, mas a maior parte da serotonina utilizada pelo nosso corpo é produzida no intestino (saiba mais sobre a ligação entre intestino e funções cerebrais). A serotonina ajuda a equilibrar o humor e dá um impulso benéfico para a vida sexual, apetite, sono, memória, aprendizagem e temperatura. Além disso, media funções fisiológicas importantes, como os movimentos peristálticos, a manutenção da circulação sanguínea e a integridade cardiovascular.

Dopamina
A dopamina é mais conhecida por sua participação no ciclo de recompensa, estimulando nosso cérebro a completar tarefas. E é exatamente por causar sensação de prazer que sua liberação é estimulada por algumas drogas viciantes. Além disso, a dopamina atua no controle de movimentos, aprendizado, cognição e memória.

Endorfina
A endorfina atua como um poderoso analgésico, sendo liberada pelo organismo em situações de dor e estresse. Ao atuar nas células nervosas específicas, nos faz sentir menos desconforto. Além disso, ela ajuda a controlar a resposta do corpo ao estresse. Pesquisas apontam ainda potencial para inibir o crescimento de células cancerígenas e equilibrar a produção de outros hormônios.

Ocitocina
A ocitocina tem ligação com reduções de ansiedade e sentimentos de calma e segurança, o que a fez ser classificada como o “hormônio do amor”. Muitas pesquisas também indicam a ligação entre a ocitocina e a saúde sexual, potencializando o desejo sexual feminino e o orgasmo masculino. Ela também está presente na hora do parto, estimulando as contrações do útero e a liberação do primeiro leite. Outros estudos apontam poder de diminuir a memória de experiências ruins e melhorar o processamento de informações sociais.

Links para as matérias completas:





quinta-feira, 4 de julho de 2019

ORIENTAÇÕES ERRADAS: IMPRESSIONANTE A IGNORÂNCIA (ou será má-fé?).

É impressionante como grandes cursinhos e até grandes jornais cometem o erro absurdo de sugerir que temas desses últimos dias (ou do último ano) possam estar presentes em peso na prova do ENEM. É desconhecer que as questões são elaboradas em um ano, pré-testadas em outro (com alunos do Segundo Ano do Ensino Médio e calouros das universidades) e então PODEM ser aplicadas dois anos depois (para não favorecer os alunos que participaram do pré-teste). 
A lógica é essa e se consolidou depois da fraude envolvendo o Colégio Christus, de Fortaleza (quando a prova de pré-teste foi xerocada e utilizada em um simulado... 14 questões caíram na prova).
Tire a prova do que estamos falando e verifique as provas dos últimos ENEMs. Observe que as referências bibliográficas citadas nas questões geralmente são anteriores a 3 anos!!! 
Óbvio que sempre há a possibilidade de haver uma questão pré-testada no acervo ou banco de questões sobre impactos ambientais de mineradoras e esta questão "associar-se" ao Caso de Brumadinho, por exemplo, ou a necessidade de acordo entre Mercosul/União Europeia ou aproximação EUA/Coreia do Norte. Mas do jeito como a coisa é exposta, e no momento que é colocada (veja AQUI um texto de 2 de julho de 2019 com este grave defeito), parece que se o aluno começar a assistir noticiário hoje (em que a prova já está pronta!) ele vai se dar bem com o "temas quentes" que vai ver a partir desta data! Lamentável esse desserviço.
Para criar um repositório de temas prováveis (especialmente de Ciências da Natureza) é que existe este blog, uma coletânea de notícias ano após ano... notícias que poderão aparecer nas provas do ENEM pois inspiraram elaboração de questões no prazo acima considerado.
Melhor sugerir que os estudantes comecem a se interessar por noticiários no oitavo ou nono anos do Ensino Fundamental e, a partir daí, construírem suas posições e considerações a respeito dos temas que surgem ano a ano no noticiário.

Ramon Lamar de Oliveira Junior
www.nucleopv.blogspot.com

Governo deverá promover feiras de ciência nas escolas todos os anos

O governo federal deverá promover todos os anos, em parceria com os governos estaduais, feiras de ciência e tecnologia envolvendo as escolas públicas de ensino médio e fundamental. É o que determina relatório do senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) ao PLS 360/2017, aprovado nesta terça-feira (2) na Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE). A análise do projeto já pode seguir para a Câmara dos Deputados, a menos que haja recurso pedindo análise no Plenário do Senado.
O projeto original, da senadora Maria do Carmo Alves (DEM-SE), propunha a promoção das feiras de ciências no ensino médio. O relator, porém, alterou o texto para estender o incentivo também ao ensino fundamental.
— É preciso dinamizar o ensino de ciências no Brasil e aproveitar os espaços didático-pedagógicos para desenvolver nos estudantes não somente o gosto pelo método científico, mas também competências fundamentais para o trabalho, ligadas à inovação e ao senso crítico. E as feiras de ciência e tecnologia são instrumentos preciosos, pois atuam em duas frentes: ao mesmo tempo em que contribuem para a formação dos estudantes, também oferecem espaço para a disseminação da produção de iniciação à educação científica, promovendo pesquisa e inovação — afirmou o senador na leitura de seu relatório na comissão, em 4 de junho.
Alessandro ainda mencionou que o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) já lança editais visando conceder recursos para a realização de feiras científicas, tanto em nível médio como fundamental.

Fenômeno nos EUA
A autora do projeto lembrou que as feiras educacionais de ciência e tecnologia são um fenômeno de grande popularidade nos Estados Unidos.
“Nos EUA, a Intel ISEF (International Science and Engineering Fair), mostra de trabalhos científicos do ensino médio, ocorre desde 1950. O evento tem o objetivo de incentivar a pesquisa científica entre estudantes pré-universitários. Todos os anos, milhares de estudantes dos 50 estados americanos e de outros 75 países têm a oportunidade de expor trabalhos científicos e concorrer a US$ 4 milhões em prêmios. Já no Brasil, infelizmente, as feiras científicas e tecnológicas ainda constituem um fenômeno pouco comum no cotidiano escolar”, lamentou Maria do Carmo na justificativa da proposta.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

sábado, 29 de junho de 2019

Ranking aponta que Brasil usa menos agrotóxico que a Europa

Resumo: Classificação da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), coloca o Brasil como o 44º maior usuário global de agrotóxicos, atrás de países da Europa, como Bélgica, Itália, Irlanda, Portugal e Suíça. Os dados do serviço estatístico da FAO, divulgados pelo Ministério da Agricultura, apontam uma aplicação média de 4,31 quilos por hectare em 2016, ano usado como referência.
O ranking reúne informações de 245 países com base em dados coletados desde 1961. Atrás do Brasil, estão Alemanha, França e Espanha. Considerando o critério de consumo pela produção, o Brasil está em 58º lugar, com um índice de 0,28 quilo por tonelada de produtos agrícolas. De acordo com o Ministério da Agricultura, nessa classificação, o Brasil aparece à frente de países como Portugal, Itália, Eslovênia, Espanha e França.
“O consumo de defensivos no Brasil é influenciado pela ocorrência de duas ou três safras ao ano (cultivos de inverno e safrinha). Por causa disso, aqui é preciso usar defensivos para o controle de pragas mesmo em safras de inverno e na safrinha, pois não há quebra do ciclo de reprodução, em função das condições tropicais da agricultura brasileira, enquanto que em regiões de clima temperado as pragas são inativadas nos períodos de frio”, diz a nota do Ministério.

Link para texto completo: 

sábado, 22 de junho de 2019

Projeto simula clima da Amazônia em 2100 e futuro de peixes, plantas e insetos

Resumo: Peixes que precisam comer mais para manter sua taxa de crescimento e outros que correm risco de extinção, mosquitos que se reproduzem mais rapidamente e plantas que capturam menos dióxido de carbono (CO2).
Esses são alguns dos resultados do projeto Adaptações da Biota Aquática da Amazônia (Adapta), do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (Inpa), que criou microcosmos em quatro salas com 25 metros cúbicos simulando as condições climáticas do ano de 2100 seguindo as previsões do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) para temperatura, concentração de CO2 e umidade relativa do ar.
Essas previsões do IPCC antecipam um aumento nas temperaturas de 1,5°C a 7°C em algumas regiões amazônicas durante o século 21.
São mudanças que podem interromper os padrões atuais de distribuição de organismos, como peixes, mosquitos e plantas. Foi para tentar prever como isso poderá ocorrer com algumas espécies que foram criados os microcosmos do projeto Adapta.
A primeira sala serve de controle e reproduz o clima atual da Floresta Amazônica. "A segunda simula o ambiente brando do IPCC, com uma concentração de 250 partes por milhão (ppm) de CO2 mais alta que a de hoje e 1ºC mais quente", explica o pesquisador Alberto Luís Val, do Inpa, coordenador do projeto.
"Na sala 3 (intermediária) há mais CO2 e mais 2,5°C de temperatura. Por fim, na quarta, o ambiente é drástico, com 850 ppm de dióxido de carbono acima dos níveis atuais e de 4°C a 4,5°C mais quente. Em todas, a umidade relativa do ar é mantida entre 80% e 90%."
Nas simulações, esses dados (temperatura, CO2 e umidade) são coletados em tempo real por sensores em uma torre instalada em uma reserva florestal próxima ao Inpa, em Manaus. Eles são enviados, a cada dois minutos, para os computadores do instituto, que acionam máquinas em cada microcosmo para simular as condições climáticas previstas para 2100.
Nas salas, existem aquários com peixes, gaiolas com mosquitos transmissores de doenças, como malária e dengue, por exemplo, e plantas que permanecem no ambiente por períodos variáveis, podendo chegar a seis meses, dependendo do experimento.

sexta-feira, 21 de junho de 2019

Cientistas dizem que uso de celular pode criar protuberância no crânio

Uma pesquisa de uma dupla de cientistas australianos aponta que jovens que ficam muito tempo com a cabeça dobrada para baixo, em uma posição comum para olhar a tela do celular, podem desenvolver uma protuberância na parte de trás do crânio.  O crescimento é comparável a um calo, e fica na parte de trás, na junção entre o crânio e o pescoço.
Os pesquisadores são David Shahar e Mark Sayers, da Universidade de Sunshine Coast, em Queensland, na Austrália. Na mídia da Austrália, a pesquisa tem sido noticiada como o desenvolvimento de um chifre na parte de trás do crânio desenvolvido por causa do celular.
Shahar e Sayers afirmam que a prevalência dessa protuberância em jovens adultos aponta para uma mudança na postura das pessoas que foi causada pelo uso de tecnologia.
Smartphones e outros aparelho estão contorcendo a forma humana, de acordo com eles, porque os usuários precisam curvar a cabeça para a frente.
Os cientistas disseram que a descoberta marca a primeira documentação física de adaptação à presença de tecnologia no cotidiano.

Reportagem contesta anúncio de descoberta
A conclusão da pesquisa foi contestada em um texto do “New York Times”. Um dos autores é profissional de quiropraxia, e o outro, professor de biomecânica.Especialistas consultados pelo jornal apontam algumas questões sobre o estudo: ele usa raios-x antigos, não tem um grupo de controle e não provou causa e efeito e, além disso, tem como base pacientes que já tinham problemas (e, por isso, procuraram um profissional de quiropraxia).
Ficar com a cabeça dobrada pode, em teoria, formar uma saliência, de acordo com um pesquisador entrevistado pelo “New York Times”.

A mãe que perdeu 2 filhos para o sarampo por acreditar em 'fake news' sobre vacinas

Resumo: As Filipinas vivem um surto de sarampo. Mais de 35 mil pessoas foram infectadas e quase 500 morreram desde o começo do ano.
Arlyn B. Calos perdeu dois filhos por causa da doença, no intervalo de uma semana, no ano passado. Ela conta que não vacinou as crianças porque havia lido notícias falsas dizendo que a vacina fazia muito mal. "Sinto raiva, porque eu não deveria ter dado ouvidos à TV e ao Facebook." "Deveria ter protegido meus filhos, assim eles não teriam pegado sarampo", desabafa.
Há uma vacina segura e efetiva disponível. Mas controvérsias a respeito de uma nova vacina contra a dengue, chamada Dengvaxia, espalharam informações incorretas e sensacionalistas. "Nas notícias e até no Facebook diziam que muitas crianças morreram. Por isso, eu tinha medo de vaciná-los." Embora haja investigações em curso sobre a Dengxavia, não foi comprovada a relação entre a vacina e mortes de crianças.

domingo, 16 de junho de 2019

O que é antimatéria e por que é o material mais caro do mundo?

Link para texto completo: https://noticias.uol.com.br/ciencia/ultimas-noticias/redacao/2019/06/16/o-que-e-antimateria-e-por-que-e-o-material-mais-caro-do-mundo.htm

Resumo: O primeiro passo para entender a antimatéria é saber que nós e tudo que nos rodeia (plantas, estrelas, planetas e os nossos órgãos, por exemplo) é constituído por matéria. A astrônoma Angela Cristina Krabbe, professora da Universidade do Vale do Paraíba, explica que a matéria é formada por átomos, que, por sua vez, são compostos de elétrons (de carga negativa), prótons (positiva) e nêutrons (neutra). 
Isso era o que os cientistas acreditavam até 1928, quando o físico britânico Paul Dirac demonstrou a existência de algo oposto à matéria: a antimatéria. A descoberta foi tão significativa que Dirac acabou levando o Nobel de Física por isso. Isso significa que "toda partícula tem uma espécie de gêmea correspondente na natureza", explica Eduardo Sato, doutorando no Instituto de Física da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Nesse sentido, os "gêmeos" dos elétrons são os anti-elétrons, partículas que se comportam de forma parecida e têm carga oposta. Eles são chamados de pósitrons e, mesmo que a gente não veja, já topamos com algum deles por aí. Quer um exemplo? Uma banana emite, em média, um pósitron a cada 75 minutos, diz Sato. Rapidamente, ele encontra um elétron, o que leva à aniquilação dos dois. 

sexta-feira, 14 de junho de 2019

Cura da AIDS por transplante de medula óssea

Resumo: Uma doença quase 100% fatal. Assim era a Aids, quando a epidemia surgiu, no começo dos anos 80. Um diagnóstico positivo para o vírus HIV era quase uma sentença de morte. Agora, quase 40 anos depois, as notícias são bem melhores.
Nesta semana (março de 2019), numa das revistas científicas mais importantes do mundo e num congresso em Seattle, nos Estados Unidos, foi anunciada a cura de um paciente com o HIV. É apenas a segunda vez na história em que um paciente fica livre do HIV. A primeira foi há 12 anos.
No caso anunciado esta semana, o câncer hematológico, ou seja, câncer do sangue, era um linfoma, num paciente que também tinha o HIV. O que se fez foi um transplante de medula óssea - para curar o linfoma e que acabou curando a Aids também. No transplante, os médicos primeiro retiram a medula óssea de um doador. Depois, num procedimento muito agressivo, destroem o sistema imune do receptor.

Outros links sobre o tema: